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Alterada em 05/03 às 20h15min

Não dá para falar em inocência, diz promotora sobre Ronaldinho

Irmãos devem ser acusados por portarem documentações falsas

Irmãos devem ser acusados por portarem documentações falsas


NORBERTO DUARTE/AFP/JC
Após permanecer no Ministério Público do Paraguai por oito horas, o ex-jogador Ronaldinho Gaúcho precisa ficar à disposição da Justiça do país pelo menos até esta sexta-feira (6), quando ele e seu irmão, Roberto de Assis, deverão prestar depoimento a um juiz.
Após permanecer no Ministério Público do Paraguai por oito horas, o ex-jogador Ronaldinho Gaúcho precisa ficar à disposição da Justiça do país pelo menos até esta sexta-feira (6), quando ele e seu irmão, Roberto de Assis, deverão prestar depoimento a um juiz.
Os brasileiros estão sob custódia da polícia no hotel Yacht y Golf Club, na cidade de Lambaré, próximo a Assunção. Eles estão sendo investigados pela Procuradoria por portarem documentos de identidade e passaporte falsificados.
Nesta quarta (4), os irmãos foram interrogados pelo Ministério Público e saíram sem dar entrevistas. Eles chegaram no local por volta das 8h e permaneceram até as 16h. "Colaboraram com a investigação com declarações e apresentações de documentos", disse a promotora Alicia Sapriza à reportagem.
Ronaldinho reiterou no Ministério Público o que havia dito para policiais, que receberam a documentação falsa do empresário brasileiro Wilmondes Sousa Lira, detido na quarta.
Sapriza afirmou que, independentemente de acreditar nessa versão, os irmãos devem ser acusados por portarem documentações falsas. "Ronaldinho e seu irmão ingressaram no nosso país usando documentos de conteúdos falsos. Não dá para falar de inocência", declarou a promotora. "Para Ronaldinho e seu irmão, essa (citar o envolvimento de Lira) é uma saída processual alternativa, porque os documentos que temos confirmam que esse outro brasileiro seria o responsável por entregar os documentos para eles."
O advogado dos irmãos, Sérgio Queiroz, está no Brasil. Sem conseguir ir para Assunção a tempo, contratou dois advogados paraguaios para ajudá-lo na defesa. Queiroz acredita que seus clientes serão liberados após prestarem suas versões para a Justiça paraguaia.
"O passaporte é válido. O erro foi na forma como foi feito, não seguiu o protocolo, e eles não têm culpa disso. Amanhã estarão de volta ao Brasil, porque não falsificaram nada", disse Queiroz. "Essa falha na expedição ocorreu com outras pessoas, mas o Ronaldinho é o único famoso que está prestando esclarecimentos. Se eles tivessem cometido crime, já estariam presos."
A Polícia Nacional, do Ministério do Interior e do Ministério Público foram até a suíte onde Ronaldinho e seu irmão Assis estavam hospedados, no hotel Yacht y Golf Club, nesta quarta por volta das 21 horas. No local, dizem ter encontrado passaportes e cédulas de identidade paraguaias falsas nos nomes de Ronaldinho e Assis.
Os números dos documentos apreendidos pertencem a outras pessoas, segundo o promotor do caso, Federico Delfino, que concedeu entrevista à imprensa paraguaia na manhã desta quinta (5).Delfine disse que passaporte foi expedido em janeiro deste ano, e as cédulas de identidade, em dezembro do ano passado.
Não é a primeira vez que o nome de Ronaldinho é ligado a problemas com seu passaporte. Em novembro de 2018, ele e Assis chegaram a ter seus documentos brasileiros apreendidos após condenação por um crime ambiental no Rio Grande do Sul.
Ele fora condenado a pagar mais de R$ 8,5 milhões pela construção de um píer em área de proteção ambiental no lago Guaíba, na capital gaúcha. Como não cumpriu a sentença, teve o passaporte retido.
Em setembro do ano passado, um acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Sul permitiu que ele recuperasse o documento. Os termos da negociação não foram publicados à época.
Pouco antes de fechar esse acordo, Ronaldinho havia sido nomeado embaixador do turismo brasileiro pela Embratur, instituto ligado ao Ministério do Turismo. A nomeação ocorrera mesmo sem o documento que permite viagens ao exterior.