Porto Alegre, quarta-feira, 31 de outubro de 2018.
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MERCADO DE PREVIDÊNCIA

Notícia da edição impressa de 31/10/2018. Alterada em 30/10 às 23h00min

Fundação CEEE espera terminar o ano com mais de mil novas adesões

Para Sisnandes, ano eleitoral aumentou a volatilidade do mercado financeiro

Para Sisnandes, ano eleitoral aumentou a volatilidade do mercado financeiro


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Um dos maiores fundos de pensão fechados do Brasil e o principal do Rio Grande do Sul, a Fundação CEEE de Previdência Privada superou recentemente a marca de 16 mil participantes, sejam ele ativos, aposentados ou pensionistas. Com adesões medias de 100 novos contribuintes por mês, a expectativa é atingir, no somatório de 2018, um número superior a mil novas adesões. O patrimônio da empresa é de cerca de R$ 6,2 bilhões, conforme balanço patrimonial de agosto, o que dá fôlego para a empresa buscar bons investimentos no mercado e conseguir rentabilidade acima da média do mercado.
Atualmente, são 17 empresas patrocinadoras e instituidoras atreladas ao fundo de pensão, tanto da área pública, como a própria Companhia Estadual de Energia Elétrica, além da RGE e da Eletrobras, bem como entidades associativas e de classe com vinculação à fundação, que oferecem aos sindicalizados a opção de verter contribuições para uma previdência complementar. Por ser uma entidade sem fins lucrativos, a Fundação CEEE partilha toda a rentabilidade conquistada através dos investimentos no mercado aos seus beneficiários, contraindo um percentual a troco de taxa de administração, para manutenção das atividades. Segundo dados publicados, a rentabilidade do fundo de pensão entre 2003 e 2017 atingiu 705,06%, enquanto a inflação do mesmo período ficou em 140,14% - ou seja, um ganho real de 564,92%.
Para o presidente Rodrigo Sisnandes Pereira, essa variação acima de outros produtos existentes no mercado que são mais conservadores é um dos atrativos que o fundo de pensão oferece. Pelo fato da empresa ter a liberdade de buscar diversificação nos investimentos feitos, como a aplicação dos recursos em Tesouro Direto, ações na bolsa de valores, dentre outros e, ao mesmo tempo, entregar o produto dessa manobra ao seu beneficiário torna o fundo de pensão muito mais atrativo. "É diferente do banco. Lá, você aplica um valor ou paga mensalmente as parcelas e o direcionamento é para produtos deles. Aqui, temos todas as alternativas disponíveis para escolher e pensamos sempre a médio e longo prazo", explica Pereira. A fundação entendeu que o modelo de concentração de investimento, com ela à frente das medidas a serem tomadas e não o cliente é mais benéfica, por conta dos resultados obtidos e pela dificuldade do associado em compreender qual é a melhor alternativa para ele. As escolhas são feitas a partir de uma equipe especializada no assunto.
Dos mais de 16 mil participantes, cerca de 9,3 mil são aposentados e pensionistas, portanto, recebem seus benefícios mensalmente. Para ter direito ao benefício, o requisito mínimo é contribuir durante cinco anos - as contas são individualizadas - e ter pelo menos 50 anos. Atingido ambos os pontos, a fundação permite a retirada integral dos valores corrigidos ou o pagamento durante um período, determinado pelo próprio contratante, também com os valores atualizados mês a mês, frutos dos rendimentos particionados pela fundação. Aos contribuintes desligados de seus empregos, há a possibilidade de manter a contribuição individual ou também sacar o montante. "O mais importante de tudo é que, no caso dos planos corporativos, quando há participação do empregado e do empregador, ambos contribuem com um percentual, então quem começa o seu plano já tem o dobro do que investiu", explica o presidente. No associativo, o modelo é auto patrocinado, com contribuição única do colaborador. A contribuição mínima é de R$ 50,00 por mês.
Apesar do desempenho promissor, o ano de 2018 para alguns dos principais fundos de pensão do Brasil não é visto com tanta confiança. O setor encerrou o primeiro semestre com déficit líquido de R$ 29 bilhões, informou no mês passado a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). A rentabilidade também estaria cerca de 2% abaixo do projetado pelas entidades. O resultado final está no vermelho desde 2014, quando teve início a crise econômica. Para Sisnandes, o fato de ser um ano eleitoral aumenta a volatilidade do mercado financeiro. "Após o primeiro turno das eleições, a nossa rentabilidade dobrou em dois dias. Em outros meses, identificamos crescimentos e quedas, como em maio quando houve a greve dos caminhoneiros. É normal acontecerem esses movimentos", explica o dirigente.

Mais jovens priorizam previdência complementar

O Família Previdência, produto em maior evidência na Fundação CEEE, é a aposta da empresa para atrair novos associados, e isso inclui contribuintes com idades menores. A possibilidade de incluir filhos, netos e até mesmo quem sequer imagina o que é a previdência tem dois objetivos principais, conforme explica Rodrigo Sisnandes Pereira. "Primeiro é a educação financeira, entender o pensamento a longo prazo e se programar para a velhice, ainda que isso pareça longe no horizonte. E, além disso, trazer maior qualidade de vida futura a essas pessoas, pois temos os benefícios concedidos pela Previdência Social não serão suficientes nem mesmo para os remédios". A criação do Família Previdência tem como objetivo criar uma espécie de sucessão, iniciada pelos mais velhos ao incentivar os mais novos.

A cultura "imediatista" do brasileiro ao pensar no hoje sem se preocupar com o amanhã é vista com preocupação por Sisnandes. Por isso, para conscientizar os jovens trabalhadores, a fundação trabalhou em uma série de ações para se aproximar desse público. Houve em 2018 um reposicionamento da marca, com a presença em redes sociais, investimento em publicidade e a criação de um aplicativo no qual toda a contratação poderá ser feita a partir de um smartphone, bem como consultas diversas e informações gerais sobre a evolução do patrimônio aplicado.

"Não dá para pensar na aposentadoria com 50 anos. Você precisa começar cedo, preferencialmente na juventude", afirma. A ideia é sensibilizar os mais novos e mostrar que, além dos proventos, esse valor pode ser investido para uma viagem ou a realização de um sonho.

Em relação ao debate acerca da reforma da Previdência, o mandatário percebe que o movimento de readequação precisa ser feito logo em 2019 pelo próximo presidente, com o intuito de estancar o déficit e garantir regras mais justas.

Todavia, Pereira entende que a discussão do tema é a grande oportunidade para haver um "plano nacional de educação previdenciária", cujo ponto fundamental é o entendimento do que está em debate e principalmente como a previdência complementar deve ser encarada como um assunto mais sério pela população. "Hoje, a previdência privada é um privilégio de poucos, mas no futuro será a necessidade de muitos", complementa.

Dicas para contratar um plano de previdência

Quando eu devo começar a fazer uma previdência privada?
  • O mais cedo possível. Se puder começar com 20 anos, seria ótimo. Com 15, melhor ainda. O importante é ter esse planejamento.
Qual valor mínimo para eu investir?
  • Aquele que eu posso reservar para esse investimento, independente de quanto for. À medida em que conseguir ter valores maiores, o ideal é ampliar os depósitos e aumentar a poupança.
Como eu sei qual é o melhor plano para mim?
  • É preciso olhar no mercado os planos existentes e ver qual teve o melhor resultado. Isso ajudará muito a tomar uma decisão sobre qual escolher.
Posso usar o investimento em previdência para algo diferente da aposentadoria?
  • Com certeza. Quando você completa os requisitos para ter direito ao montante economizado durante 10, 20 ou 30 anos, conforme o plano que escolher, esse dinheiro é seu. Você opta por receber mensalmente ou sacar tudo e aplicar em algo que deseje.
Há algum risco para quem investe? Qual?
  • O investimento em previdência privada é o mais seguro que eu conheço. Somente em um caso improvável de confisco é que o beneficiário poderia ter problema. Fora isso, é rentável e totalmente protegido.
E em relação ao Imposto de Renda, devo optar pelo regime regressivo ou progressivo?
  • Depende. As vantagens e desvantagens de cada plano em relação ao Imposto de Renda precisam ser avaliadas. Os planos VGBL e PGBL tem características diferentes quanto a esse ponto.
Se eu quiser sacar o dinheiro antes do programado, o que acontece?
  • É permitido fazer o saque antes do tempo, no entanto, haverá incidência maior de Imposto de Renda sobre o montante resgatado. Quanto menor o tempo entre a aplicação e a retirada, maior a incidência. Essa alíquota pode chegar a 35%, e é reduzida gradativamente.
No caso de eu não conseguir mais pagar a previdência, o que acontece?
  • A grande vantagem da previdência complementar é: esse dinheiro é seu. Desde o momento em que você aplicou, aquele montante seguirá rendendo até o momento em que decida sacar – e é possível fazê-lo a qualquer hora. A única questão é atrapalhar o planejamento de aposentadoria, pois o período sem contribuição não conta, e a data estabelecida pelo cliente para receber seus proventos será adiada.
Mesmo se eu tiver direito a uma boa aposentadoria pela Previdência Social, devo fazer uma previdência complementar?
  • Sim. A segurança de ter um complemento para a renda proveniente do INSS é importante para todos, a menos, é claro, que a pessoa esteja satisfeita com o que ganha da previdência pública.
FONTE: GBOEX
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