Porto Alegre, quarta-feira, 31 de outubro de 2018.
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MERCADO DE SEGUROS

Notícia da edição impressa de 31/10/2018. Alterada em 30/10 às 23h00min

Formação de novos corretores se adapta às necessidades do mercado

Perfil em sala de aula é bastante variado

Perfil em sala de aula é bastante variado


MARCO QUINTANA/JC
Uma das principais entidades formadoras de novos profissionais para atuar no mercado de trabalho, a Escola Nacional de Seguros segue a expandir seus cursos de formação e especialização na área. Com MBA, pós-graduação, aulas para disciplinas específicas e o ensino a distância como fator de disseminação do conhecimento para todo o Brasil, a escola chegou a receber nota máxima no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) no Curso Superior de Administração com Linha de Formação em Seguros e Previdência, pioneiro no País.
Com sedes espalhadas em 11 dos 27 estados brasileiros, a instituição trabalha em várias frentes. Além da formação básica, feita em três módulos - capitalização, vida e previdência e demais ramos - com duração total de nove meses, e as pós-graduações, a Escola Nacional de Seguros também possui cursos de reciclagem, a fim de atualizar o corretor - atuante ou não no mercado - sobre novas formas de comercialização, abordagem e técnicas para aumentar a eficiência. Segundo levantamento feito pela Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados e de Resseguros, de Capitalização, de Previdência Privada, das Empresas Corretoras de Seguros e de Resseguros (Fenacor), são 93.859 profissionais espalhados pelos País. Entre aqueles pessoa física e pessoa jurídica, no Rio Grande do Sul são 6.153, o que representa 38% do contingente da Região Sul.
A professora e coordenadora da unidade gaúcha, Jane Manssur, esclarece que o perfil dos estudantes da escola é bastante variado. Segundo ela, há filhos de corretores, orientados a seguir a profissão dos pais e sucedê-los nas empresas as quais trabalham, mas também se nota a presença de pessoas atraídas pelo "ambiente promissor" do mercado de seguros. "Nossa sala de aula é bastante heterogenia, e isso é um desafio para nós", afirma ela. O principal ponto é saber alinhar o conhecimento e as tecnologias para o acesso de todos. Para isso, são feitas reuniões entre os professores no início de cada ano para debater a metodologia a ser usada em sala de aula, assim como a maneira de distribuição do material. "Estamos alinhados com a geração millenial, ou seja, tudo que fornecemos está no digital. Contudo, precisamos atender ao aluno de 60 anos também, que muitas vezes não está familiarizado", conta a coordenadora e magistrada.
A escola também passa por mudanças curriculares, no intuito de acompanhar tendências de mercado e propiciar ao aluno uma formação mais próxima das necessidades das seguradoras e do público que deseja comprar os produtos oferecidos por elas. "A nossa preocupação, hoje, é formar gestores, líderes de empresa. Na década de 1980, focávamos mais na venda", afirma Jane. Com isso, foram incluídas disciplinas de gestão empresarial, empreendedorismo, mercado financeiro, entre outras, com o objetivo de transformar o curso de formação para corretores em algo mais completo e abrangente para contemplar um novo perfil de profissional desejado pelas empresas, ou seja, não apenas focado na venda, mas que englobe o mercado segurador. Por isso, graduados em cursos como direito, administração e ciências contábeis se fazem presentes para se qualificar também nessa área.
Quanto ao futuro da profissão de corretor, líderes de algumas empresas colocam em xeque a necessidade da presença desses profissionais para a venda de seguros. O CEO da norte-americana Lemonade, Daniel Schreiber, chegou a afirmar que as grandes empresas de seguros trocarão os humanos por robôs (os chamados bots) e utilizar da Inteligência Artificial para tornar mais dinâmico o relacionamento com o consumidor e conseguir destrinchar as características dos segurados, com o objetivo de formar perfis mais claros e ajudar no direcionamento de estratégias.
Jane discorda desse prognóstico e questiona a diferença entre os países. "Nós gostamos de abraçar, marcar encontros. Somos diferentes nesse quesito. Não vejo risco no fim da profissão, pelo contrário, são tantos detalhes a serem tratados que, se tentarmos fazer sozinhos, desistimos", afirma a coordenadora da Escola Nacional de Seguros.

Presença de mulheres cresce e já é maioria nas especializações

Um fenômeno que chama a atenção é a presença feminina em sala de aula nos últimos anos. Os dados da Federação Nacional dos Corretores de Seguros Privados e de Resseguros, de Capitalização, de Previdência Privada, das Empresas Corretoras de Seguros e de Resseguros (Fenacor) revelam uma discrepância entre o número de homens e de mulheres no mercado. A professora e coordenadora da unidade gaúcha, Jane Manssur, ressalta que, considerando os profissionais pessoa física no Rio Grande do Sul, 71,7% - ou 2.239 - são homens, e apenas 883 corretoras estão credenciadas no Estado, segundo apontamento da entidade. Todavia, no curso ministrado em Porto Alegre é possível perceber uma gradativa inversão dessa tendência. Pelo levantamento da coordenadora, 46% da turma é composta pelas mulheres.
A realidade ainda é um pouco diferente quando se trata do interior do Rio Grande do Sul, ainda com presença masculina maior, mas a professora observa que a profissão deve se tornar mais feminina com o passar dos anos. "Estou há 30 anos na instituição, e quando entrei essa proporção era de oito homens para cada duas mulheres. O aumento é uma tendência natural de busca por uma profissão", compreende. Outro aspecto que ajuda a entender esse aumento, conforme Jane, são as peculiaridades que a atividade propicia, como horário mais flexível e possibilidade de administrar a agenda junto com a lida familiar.
A magistrada também nota uma diferença de abordagem entre homens e mulheres na hora de vender um seguro ou plano de previdência. A "sensibilidade" na hora de apresentar o produto e mostrar a importância dele para o futuro cliente é mais presente nas corretoras, observa Jane. "Eu aceito muito mais que a mulher me diga para pensar no amanhã, no futuro do meu filho do que se um homem viesse me oferecer a mesma coisa", afirma a coordenadora da Escola Nacional de Seguros.
Dos matriculados no início do curso de formação, cerca de 70% são aprovados, e com a possibilidade de aumentar a especialização, Jane nota um apetite maior das mulheres em seguir aprendendo, em cursos de extensão, disciplinas isoladas, MBA e pós-graduação. "Há uma preocupação maior das mulheres com o estudo, ao participar de cursos técnicos e workshop." Neste caso, o número de matrículas delas é maior que deles, e isso se explica pela vontade de dar o exemplo aos filhos e mostrar a sua capacidade profissional, na visão de Jane.
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