Porto Alegre, quarta-feira, 31 de outubro de 2018.
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Jornal do Comércio

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MERCADO DE SEGUROS

Notícia da edição impressa de 31/10/2018. Alterada em 30/10 às 23h00min

Ano de 2018 abaixo da expectativa para o setor

Setor passa por ajustes nas operações, segundo Coriolano

Setor passa por ajustes nas operações, segundo Coriolano


CNSEG/DIVULGAÇÃO/JC
Ainda que o último estudo divulgado pela Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg) tenha apresentado crescimento em quase todos os setores pesquisados, a avaliação geral do presidente Márcio Coriolano não é das mais otimistas para esse ano. No somatório entre os produtos pesquisados no mercado - com suas variações positivas e negativas - o setor subiu apenas 0,6% nos últimos 12 meses. Se comparados os meses de agosto do ano passado e de 2018, o índice é ainda pior: queda de 3,2% na arrecadação, desconsiderando o Seguro Dpvat, (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre), obrigatório para os automóveis.
Na análise do presidente, o que puxou para baixo o resultado foram dois produtos: os planos de acumulação, que englobam previdência privada como Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) e Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), que tiveram quedas expressivas, além do seguro para grandes riscos, contratados por empresas de grande porte. Ambos tiveram retração superior a 7% e impactaram nos resultados divulgados pela CNseg. "Em termos reais, será um ano negativo para nós. O setor de previdência sofreu com a volatilidade do mercado em relação aos juros, enquanto as grandes empresas deixaram de investir em proteção ou simplesmente fecharam as portas", explica Coriolano. No período de 12 meses, foram movimentados mais de R$ 156 bilhões pelo mercado securitário.
Contudo, o líder da confederação aponta para crescimento em vários ramos, como o seguro rural, cuja proteção principal é sobre o plantio e os efeitos da natureza, o seguro para coberturas de risco (como o seguro de vida, por exemplo) e do setor de transportes, impactado principalmente pelo crescimento no roubo de cargas, sobretudo no Sudeste. O trio puxou o crescimento dos últimos 12 meses com percentuais significativos. "Não podemos analisar o mercado em termos médios sem dizer cada um dos ramos, pois cada setor tem importância diferente na economia neste momento", analisa. Outro setor com forte alta é o de garantias estendidas, vendidos no comércio geralmente para eletrodomésticos e eletroeletrônicos e que tiveram mudanças na abordagem, como parcelamentos mais longos, tendo como consequência valores menores por mês para pagamento do segurado.
Alguns fatores podem ser levados em conta para explicar o porquê de a expectativa estar abaixo da média. As taxas de desemprego, menor renda agregada e a inconstância dos ativos, bem como a exacerbação de expectativas em clima pré-eleitoral, pesam no ambiente da demanda por seguros, na visão do presidente da CNseg. Além disso, "o setor segurador como um todo passa por forte ajuste em suas operações", segundo Márcio Coriolano, com redução de custos e maior competitividade em um cenário ainda de retomada econômica.

Seguros de risco encostam nas proteções automotivas na preferência dos brasileiros

Não há dúvida que a relação mais sólida entre os brasileiros e os seguros se constata no ramo dos automóveis. Um levantamento feito pela TEx Tecnologia mostra que o condutor paga, em média, R$ 3.587,00 anuais para proteger seu carro. Há uma porção de valores diferentes para cada estado, em virtude dos índices de violência urbana e também pela facilidade em se locomover com o carro - estado fronteiriços como Roraima, por exemplo, chegam a ter média superior a R$ 8 mil para segurar um veículo, mais alto valor no Brasil. O estudo realizado entre os meses de maio e junho levou em conta mais de dois milhões de cotações. O Rio Grande do Sul apresenta um custo menor que a média brasileira, de R$ 3.398,00 por ano.
O presidente da CNseg, Márcio Coriolano, identifica um "carinho especial" dos brasileiros pelo automóvel, por se tratar de um item de conforto e considerados uma reserva de valor para os proprietários. "A perda desse bem, seja por sinistro ou roubo, causa um enorme prejuízo, então a consciência é maior", explica. Apesar disso, o percentual da frota segurada ainda é muito aquém do necessário - cerca de 30% do total. Somente este segmento movimento quase R$ 24 bilhões nos últimos 12 meses.
Outro produto que se aproxima do gosto do brasileiro são os seguros de risco. Neste grupo, estão incluídos os seguros de vida, para viagens, seguro prestamista - que garante a quitação de uma dívida ou de planos de financiamento do segurado no caso de sua morte ou invalidez - dentre outros. Coriolano vê uma maior maturidade das pessoas em relação a esse tipo de cobertura, mas ressalta. "A população está mais consciente, mas é necessário darmos mais informações de forma mais clara e transparente para ajudá-las a fazer a melhor escolha."

Dicas na hora de contratar um seguro

Por que eu devo contratar um seguro?
  • Para se proteger de dois riscos sociais objetivos: morte prematura e invalidez.
Como devo me planejar para conseguir pagar em dia as prestações?
  • Através da priorização, colocando esses itens indispensáveis de proteção como o seguros à frente de despesas que não sejam relacionadas à subsistência.
O que é prêmio do seguro?
  • Trata-se do valor que o segurado paga à seguradora para transferir a ela os riscos contratados.
A apólice do seguro pode ser modificada após a assinatura?
  • A qualquer tempo. A pessoa pode aumentar, diminuir ou alterar os beneficiários de acordo com sua vontade.
Um amigo contratou um seguro e pagou menos do que eu paguei. Qual a explicação?
  • Provavelmente sejam duas pessoas com riscos diferentes, por possuírem características díspares. O seguro é uma atividade discricionária, ou seja, diferencia os desiguais para oferecer uma ferramenta de proteção pertinente à sua realidade.
Gostaria de ter um seguro de vida, mas não sei quando devo fazer a adesão. Qual a melhor idade para começar?
  • A partir do momento que uma pessoa passa a ter atividade laboral o seguro de vida passa a fazer sentido, uma vez que ele a protege de uma diminuição da capacidade produtiva. Sempre associamos às pessoas com filhos ou dependentes, mas qualquer um que precise se sustentar, precisa de um seguro de vida.
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