Porto Alegre, sexta-feira, 06 de dezembro de 2019.

Jornal do Comércio

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Responsabilidade Social 2019

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Notícia da edição impressa de 06/12/2019. Alterada em 06/12 às 03h00min

Corporações veem adesão como oportunidade de valorização das marcas

Fundação Dom Cabral atua na difusão de práticas de responsabilidade social entre os executivos

Fundação Dom Cabral atua na difusão de práticas de responsabilidade social entre os executivos


ARQUIVO FUNDAÇÃO DOM CABRAL/DIVULGAÇÃO/JC
Há um movimento em curso, cujo percurso é compreendido como necessário e inevitável no universo corporativo. A percepção de que dar atenção a temas com impacto social positivo e voltados à sustentabilidade agrega valor e status vem consolidando nas empresas a incorporação do senso de responsabilidade social. Virou questão de sobrevivência, diz Ricardo Siqueira Campos, diretor de Sustentabilidade e Projetos Sociais da Fundação Dom Cabral (FDC), uma das 10 maiores escolas de negócios do mundo, de acordo com ranking de educação executiva do jornal Financial Times.
Há um movimento em curso, cujo percurso é compreendido como necessário e inevitável no universo corporativo. A percepção de que dar atenção a temas com impacto social positivo e voltados à sustentabilidade agrega valor e status vem consolidando nas empresas a incorporação do senso de responsabilidade social. Virou questão de sobrevivência, diz Ricardo Siqueira Campos, diretor de Sustentabilidade e Projetos Sociais da Fundação Dom Cabral (FDC), uma das 10 maiores escolas de negócios do mundo, de acordo com ranking de educação executiva do jornal Financial Times.
Essa onda pegou e vem gerando frutos também no Rio Grande do Sul e no Brasil. Conforme Campos, mais de 700 empresas do País já assinaram o compromisso com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) e com o Pacto Global. "As empresas se deram conta de que devem cumprir um papel social mais efetivo, pensar na sua cadeia produtiva e em modelos que tenham impacto social", observa.
A chegada a esse modelo é resultado de uma percepção da importância do capitalismo para a geração de riqueza. "O processo do capitalismo como conhecemos na produção de riqueza tem o problema da divisão. As empresas e os grupos de investidores que detêm o capital perceberam essa relação de desigualdade e começaram um movimento dos investidores e grupos para ajudar no processo de importância social da empresa na distribuição de renda", explica. Para o dirigente, os fundos devem dar orientações de investimentos para as empresas, no sentido de geração de riqueza, mas de maneira que gere impacto na sociedade, seja por produtos sustentáveis, pela geração de empregos ou na mitigação do impacto ambiental que podem causar.
Hoje, a preocupação está em desenvolver produtos com mais sustentabilidade e responsabilidade, serviços de tecnologia mais acessíveis à população, com baixo custo e alto impacto social. A mudança, diz Campos, vai nessa linha. Nascem novas atividades, o empreendedorismo tende a fazer o mercado ser mais inclusivo. Já está se criando um movimento de empresas e de produtos de autoconsumo, de se ter um consumo mais responsável, com reutilização de materiais, de bens mais duráveis e menos consumismo. A empresa precisa mudar, e o consumidor, também. "É preciso fazer uma redistribuição do consumo. Quem consome muito precisa diminuir, e quem não consome precisa começar. Essa balança tem de ser construída. Compartilhar, equilibrar, mais altruísmo, é um processo. A nova geração já tem essa mentalidade, então tenho esperança de que conseguiremos chegar lá."
Adequar-se aos novos tempos, com essa visão diferenciada, é uma questão de sobrevivência, garante Campos. E é isso que move as organizações a abraçarem a causa. Sem compreender a relevância de aderir ao comprometimento social, a empresa não se torna relevante e acaba perdendo mercado.
Para se perpetuar, é preciso medir o impacto de suas ações, mudar o resultado em si, na sua forma de gerir. "Para isso, a FDC fez o primeiro relato de impacto de uma escola de negócios na América Latina. Medimos e avaliamos o impacto da FDC como escola, como solução educacional na sua operação em si e nos projetos sociais. Temos uma abrangência muito importante no País em executivos alcançados. Afinal, 82% dos profissionais que formamos com MBA afirmaram que seus propósitos, hoje, contemplam causas sociais. Isso é impacto social", analisa o diretor.

Regulamentar as atividades de responsabilidade social corporativa é fundamental

Desde a década de 1950, quando surgem as primeiras literaturas formais sobre responsabilidade social corporativa, nos Estados Unidos e na Europa, o assunto vem ganhando corpo e espaço entre empresas e organizações. Cientes de seu novo papel social e em sua capacidade transformadora, passam a adotar posições e modelos que tenham impacto social, a ter compliance e a cobrar atitudes alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU). "As empresas limitam a venda ou negam um serviço para clientes que não cumpram esses preceitos. A gestão responsável é reconhecida como um ativo valioso. E os próprios profissionais e novos talentos procuram ter uma ação efetiva em desenvolvimento sustentável", lembra o diretor de Sustentabilidade e Projetos Sociais da Fundação Dom Cabral, Ricardo Siqueira Campos.
Segundo ele, os governos têm um papel fundamental para a solidificação e estímulo de novas adesões a esse tipo de prática, por meio da regulamentação de algumas atividades e ações do mercado como um todo, com os preceitos dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU. "Ao regulamentar, você força as empresas a aturarem de forma sustentável. Não é regular o mercado, é regulamentar. Para que a concorrência seja leal e a sustentabilidade seja respeitada, não permitindo abusos de trabalho ou de meio ambiente. Há muito a se desenvolver nesse sentido aqui, e isso é importante", conclui Campos.
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