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Jornal do Comércio

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ENTREVISTA

Notícia da edição impressa de 19/12/2018. Alterada em 18/12 às 23h00min

Prática torna-se cultural nas corporações

Ações têm afetado positivamente as comunidades, diz Gazen

Ações têm afetado positivamente as comunidades, diz Gazen


MARIANA CARLESSO/JC
Carlos Villela
Entre o período de inscrições e a cerimônia de entrega do Prêmio Responsabilidade Social da Assembleia Legislativa há um processo detalhado e criterioso de definição dos vencedores. Para isso, existe uma comissão mista formada por 13 entidades do empresariado gaúcho e da sociedade civil, responsável por avaliar as inscrições de dezenas de empresas que praticam ações de responsabilidade social em várias regiões do Rio Grande do Sul.
Neste ano, o advogado Marcelo Gazen foi novamente o responsável por coordenar as atividades do grupo. Vice-presidente da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), ele comemorou o aumento da qualidade das inscrições, enfatizando também como isso levou a dificuldade - positiva - para se chegar aos vencedores.
Gazen também destaca que as ações sociais no meio corporativo estadual, além do impacto benéfico à comunidade ao redor, vêm se caracterizando pela sua ampliação ou, no mínimo, manutenção do escopo já praticado. Segundo ele, depois que as empresas se engajam nos projetos de sustentabilidade e bem-estar social, não deixam de promover essas ações. "Elas passam a fazer parte da cultura da empresa", afirma.
Jornal do Comércio - Houve alguma mudança significativa no processo de escolha dos vencedores do Prêmio de Responsabilidade Social deste ano?
Marcelo Gazen - A cada ano a gente melhora os critérios objetivos para definir os vencedores dos certificados, as medalhas e os troféus. Então, além de uma análise do balanço social, há uma análise do relatório social preenchido pelas empresas. No final, é feita uma parametrização no sistema, e a gente chega aos vencedores. Esse ano a grande novidade foi a qualidade da análise através do melhoramento dos critérios objetivos e do sistema onde se postam as notas. Foram quase 90 inscritos, dividimos entre as entidades da comissão mista, as entidades fazem suas análises individuais, depois fazemos uma análise entre todos e postamos no sistema. A cada ano a gente melhora os requisitos do edital. É muito difícil, há muitos trabalhos muito bons e, no fim das contas, pode ser apenas um detalhe que faz a diferença.
JC - A edição anterior do prêmio também trouxe para as empresas que perdem a possibilidade de ver o resultado das avaliações, caso quisessem buscar aprimorar os serviços e aumentar as chances de vitória. Essa novidade surtiu o efeito desejado?
Gazen - A gente notou que houve uma melhora muito grande no preenchimento. Eles postam o balanço dos seus números e, depois, descrevem pelos nossos critérios objetivos o que é feito. Os relatórios vêm mais completos, com mais informações, descrevendo o que efetivamente se faz.
JC - Qual é a composição da comissão mista de avaliação e escolha dos vencedores?
Gazen - A comissão mista é integrada por membros do Conselho Regional de Administração (CRA-RS), Conselho Regional de Contabilidade (CRC-RS), Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs), Federação das Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Federação do Comércio de Bens e Serviços (Fecomércio), Serviço Social do Comércio (Sesc), Serviço Social da Indústria (Sesi), Parceiros Voluntários, o Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade (PGQP), Sindicato e Organização das Cooperativas do Rio Grande do Sul (Ocergs/Sescoop), a Associação Riograndense de Imprensa (ARI) e a Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas (ACDE).
JC - E como as entidades e empresas que fazem ações de responsabilidade social podem se informar sobre o prêmio?
Gazen - Cada entidade destas (que compõe a comissão) faz um trabalho de divulgação muito forte do prêmio. Por exemplo, a Famurs contempla todos os municípios, e cada um deles recebe as informações para participar, dissemina a informação perante sua comunidade. A Federasul tem 170 associações comerciais que são ligadas a ela e, dentro de um município pequeno, essas associações são as grandes formadoras de opinião, de qualificação e de divulgação. A ideia do prêmio é tornar mais amplo possível as ações de responsabilidade social e promover e premiar as empresas que façam isso. Cada um tem sua vida empresarial, sua loucura do dia a dia, está preocupado em ter lucro e faturar, então, as empresas que fazem as ações de responsabilidade social merecem ser premiadas.
JC - Há barreiras que uma empresa pode enfrentar para colocar ações de responsabilidade social em prática?
Gazen - Não, pelo contrário. Fazer responsabilidade social não significa ter dinheiro para fazer. Tem ações simples dentro de uma empresa, como gastar menos papel, como cuidar da luz e da água, trocar lâmpadas antigas por lâmpadas LED, qualificar as pessoas na empresa em relação a stress e outras doenças. Não precisa ter um grande investimento e uma verba específica - porque claro, com verba se consegue ir mais longe - mas dá para fazer coisas muito interessantes dentro e fora da corporação. As empresas, inclusive, são muito bem vistas. Em momentos de retirada de financiamentos é avaliado se a empresa pratica ou não responsabilidade social.
JC - Em um país com alto índice de desigualdade social como o Brasil, é interessante economicamente para uma empresa investir na sua comunidade?
Gazen - Sem dúvida alguma. No momento em que uma empresa investe, as pessoas que estão ali podem ser funcionárias amanhã, ou ter uma comunidade qualificada. A responsabilidade social transpassa as portas de uma empresa e acaba indo para a comunidade, afetando positivamente aquela sociedade que está ali em volta, e isso acaba voltando para ele, porque se tem pessoas com mais cultura e maior qualificação que vão poder empreender no município e até prestar serviços para a empresa. A grande sacada da responsabilidade social hoje é sair da empresa, não ficar só nos projetos específicos e ajudar a sociedade a incluir, qualificar, dar atendimento, dar informação.
JC - Fazendo uma avaliação de retrospecto dos 19 anos do prêmio, se percebe um avanço significativo por parte das empresas na área da responsabilidade social?
Gazen - Sim, e isso é uma coisa que a gente nota a cada ano. Cada vez mais a responsabilidade social passou de uma situação que era meio que obrigatória para se tornar uma cultura do dia a dia. E o que a gente nota é que as empresas, depois que começaram esses processos, nunca mais deixaram de realizá-los, porque recebem da comunidade uma baita resposta. Esse prêmio é muito importante para as empresas menores, Isso é notório.
 
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