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Reportagem Cultural

- Publicada em 20h36min, 12/11/2020. Atualizada em 16h58min, 13/11/2020.

Professor Luiz Osvaldo Leite é testemunha privilegiada da cultura feita no RS

Completando 88 anos neste domingo, ele frequenta eventos da Capital há pelo menos sete décadas

Completando 88 anos neste domingo, ele frequenta eventos da Capital há pelo menos sete décadas


JOYCE ROCHA/JC
Márcio Pinheiro, especial para o JC*
Faça o teste: quem estava lá? Primeiro concerto da Ospa, reforma e reabertura do Theatro São Pedro, construções do Centro Municipal de Cultura e do Teatro de Câmara, criação da Secretaria Municipal de Cultura, abertura da primeira Feira do Livro, inauguração da Sala de Música da Ospa? Ainda tem mais: Exposição Farroupilha de 1935, atividades da Reitoria e da Editora da Ufrgs, debates da Academia Riograndense de Letras, discussões e decisões sobre o patrimônio histórico de Porto Alegre, formação de alunos no Colégio Anchieta?
Faça o teste: quem estava lá? Primeiro concerto da Ospa, reforma e reabertura do Theatro São Pedro, construções do Centro Municipal de Cultura e do Teatro de Câmara, criação da Secretaria Municipal de Cultura, abertura da primeira Feira do Livro, inauguração da Sala de Música da Ospa? Ainda tem mais: Exposição Farroupilha de 1935, atividades da Reitoria e da Editora da Ufrgs, debates da Academia Riograndense de Letras, discussões e decisões sobre o patrimônio histórico de Porto Alegre, formação de alunos no Colégio Anchieta?
Em todos estes momentos, com maior ou menor grau de participação - como coadjuvante ou tendo papel de destaque -, Luiz Osvaldo Leite, porto-alegrense que completa 88 anos neste domingo, se fez presente e deixou sua marca. Um estilo suave, que privilegia o diálogo e o consenso, e que faz de Leite uma presença respeitada na vida cultural da cidade há pelo menos sete décadas - ou mais, se for tomada como base a precoce iniciação cultural.
Estimulado pelos pais, que desde o final dos anos 1930 já o levavam para assistir peças no Theatro São Pedro e concertos da Banda Municipal - quase sempre realizados na concha do Auditório Araújo Vianna, que então ficava no Centro da cidade - o ainda pré-adolescente Luiz Osvaldo Leite desde cedo demonstrou familiaridade com a vida artística da Capital. Outro estímulo vinha das escolas, primeiro do Paula Soares e, pouco depois, do Colégio Anchieta.
Aluno interessado, Leite sempre se inclinou para a área de humanas, pensando inicialmente em fazer o curso de Direito, ainda que se sentisse levemente pressionado pelo pai que gostaria que o filho enveredasse pela mesma carreira que ele havia escolhido para si: a de tabelião.
O Direito tinha a ver com outra paixão juvenil, a política. Vizinho da Assembleia Legislativa, Leite costumava acompanhar os discursos e a atuação parlamentar de nomes que surgiam como João Goulart, Leonel Brizola, Pinheiro Machado Neto, Dyonélio Machado e Daniel Krieger.
Outra paixão era o futebol, em especial o Internacional. Colorado forjado nas arquibancadas do velho estádio dos Eucaliptos, Leite sedimentou seu vínculo com o clube do coração a partir das soberbas apresentações do Rolo Compressor, o grande time do Internacional de meados dos anos 1940 (Leite até hoje lembra com riqueza de detalhes a escalação da equipe e as principais características de cada um dos jogadores).
"Tive uma infância e uma juventude normais, com uma vida de rua muito intensa, andando de bonde, circulando pelos bairros, caminhando bastante", lembra ele. Porém, no fim dos anos 1940, Leite surpreenderia a todos, em especial seus pais, com a escolha que havia feito para seu futuro: ir para o seminário. "Foi uma coisa totalmente inédita em minha família e causou surpresa porque eu era um jovem alegre, que namorava e gostava de bailes de Carnaval", confessaria Leite mais de seis décadas depois.
Nem mesmo o emocionado apelo de seu pai - homem igualmente de forte formação católica, mas que naquele período não compreendeu a opção do filho - o fez desistir. Em carta enviada ao filho, que naquele período passava férias no Rio de Janeiro, o pai abriu o coração e demonstrou suas preocupações: "Assim, em meu nome e no de tua mãe, mais uma vez pedimos que penses bem no passo que queres dar...", escreveu o pai. O jovem Leite já estava decidido.

A vida voltada à religião

Jesuíta Luiz Osvaldo Leite deixou o sacerdócio por causa do celibato, em 1970
Jesuíta Luiz Osvaldo Leite deixou o sacerdócio por causa do celibato, em 1970
JOYCE ROCHA/JC
Luiz Osvaldo Leite foi morar em Pareci Novo, hoje uma cidade a menos de 80 quilômetros da Capital, mas na época um local que exigia travessia de balsa para se ter acesso. Os primeiros anos no seminário seriam de silêncio e de recolhimento. Ao lado de 30 outros colegas - a maioria de origem alemã, poucos de origem italiana e raríssimos de origem portuguesa, como ele - Leite teria uma vida simples, solitária e voltada apenas para o estudo e para a religião. "Acordávamos às cinco da manhã, arrumávamos as nossas camas, fazíamos a higiene pessoal e partíamos para a capela, para visita e oração individual", recordaria Leite anos depois sobre o período vivido sob extrema rigidez. Visitas de familiares só eram permitidas de dois em dois meses.
Porém, a vida de restrições seria útil no aperfeiçoamento dos estudos. Lá dentro só se falava em latim. "Eu sou da primeira turma de estudos oficializados e não só seminarísticos da Faculdade Cristo Rei de São Leopoldo, que originou a atual Unisinos", orgulha-se Leite. Concluído o curso de Filosofia, Leite veio trabalhar no Colégio Anchieta, primeiro na sede que ainda existia na Duque de Caxias e, a partir de 1965, nas novas instalações construídas na avenida Nilo Peçanha. Lá foi mestre de nomes que seriam importantes na vida da cidade, como Helgio Trindade, Francisco Ferraz, Luiz Paulo Pilla Vares, Paulo Odone e Silvio Silveira. "Conheço o Leite há mais de 50 anos, desde quando fui estudar no Anchieta e ele era lá professor", lembra Luiz Antonio de Assis Brasil, escritor, professor e ex-secretário estadual da Cultura. "Embora eu não tenha sido diretamente seu aluno, ele tinha a reputação de grande mestre e era um gosto vê-lo no pátio do colégio, cercado de jovens que o escutavam."
Tudo mudaria no final dos anos 1960. A Igreja passaria por um período de grande agitação e de profundas transformações sob o comando de João XXIII. Leite não ficaria imune ao que ocorria no Vaticano. Depois de quase duas décadas dedicadas ao sacerdócio, ele começava a se decidir por deixar a vida religiosa. Não era uma decisão fácil, nem intempestiva. Para ter certeza do seu gesto, Leite resolveu fazer psicanálise. A maturidade do jovem de 18 anos, que havia optado pela religião contrariando o desejo dos pais, se completava agora com as reflexões do adulto que se aproximava dos 40 anos e que percebia que a nova vida deveria ser o resultado de uma opção equilibrada e racional. Leite tinha para si bem claro o que mais lhe incomodava. Dos votos que um religioso jesuíta faz - pobreza, obediência e castidade - Leite nunca teve qualquer dúvida com os dois primeiros, mas a castidade tornou-se um problema concreto, impossível de ser contornado. "Era muito grato à formação que tive, mas estava saindo por causa do celibato. Comecei a ter dificuldades com a castidade. Mas eu jamais aceitaria levar uma vida dupla, ou seja, negar o voto de castidade feito e continuar na vida sacerdotal." Assim, no dia 10 de fevereiro de 1970, Leite deixou o Anchieta, então sua residência, e voltou a morar com a mãe (o pai já havia morrido) na mesma casa da rua José do Patrocínio, a residência da sua juventude.

Luiz e Luiza

Esposa (à esq.) afirmou à fotógrafa que Leite é apaixonado por livros e por ela
Esposa (à esq.) afirmou à fotógrafa do JC que Leite é apaixonado por livros e por ela
JOYCE ROCHA/reprodução/JC
A decisão de largar a vida religiosa tinha também outro motivo: Luiza Vivian. Também religiosa, era então franciscana bernardina. Luiza conheceu Leite quando ela atuou como diretora do curso primário no Colégio Anchieta e ele trabalhava no colegial. Assim como ele, ela também se questionava com relação ao futuro. Afastados da Igreja, os dois começaram a namorar e resolveram se casar em dezembro de 1970. A decisão deveria ser tomada em sigilo, já que o Cardeal não gostava de divulgação e os casamentos de ex-religiosos não podiam ser dados a público. A cerimônia deveria ser na Cúria, fechada.
O casamento, porém, acabou tendo grande divulgação. O inusitado de um ex-padre se casar com uma ex-freira chamou a atenção dos jornais, que deram generosos espaços ao enlace, inclusive com fotos do casal recebendo a bênção. Correio do Povo e Folha da Tarde, de Porto Alegre, e O Globo, do Rio de Janeiro, foram os diários que cobriram o evento. Por ser próximo do repórter da Caldas Júnior que foi cobrir o casamento, Leite se sentiu à vontade para perguntar como ele havia descoberto. "Quem comunicou ao jornal foi o Exército", confessou o jornalista. Dessa forma, Leite acredita o assunto que envolvia ele, sua futura mulher e a Cúria foi vítima de espionagem. A correspondência sigilosa do Cardeal com Roma era violada pelos arapongas da ditadura.
Com Luiza, Leite teve dois filhos. Diego, o mais novo, nascido em 1974, é formado em Direito e pai de um casal de filhos, os únicos netos de Leite e Luiza. O mais velho, Rodrigo, nascido em 1972, morreu num acidente de carro em 1997. A morte de um filho contraria toda e qualquer lógica. Pais jamais deveriam enterrar seus filhos. É antinatural. "Como suportamos tamanha dor?", pergunta-se Leite. "Pela fé", responde. Novamente a base religiosa seria fundamental para compreender o incompreensível. Ainda hoje ele se emociona ao lembrar do filho e das últimas palavras que dele ouviu, quando Rodrigo conversava com o amigo com quem ia sair: "Viste como o meu coroa é legal?".
 

O professor de 12 disciplinas

Foto antiga do acervo pessoal de Luiz Osvaldo Leite em sala de aula; professor lecionou no Colégio Anchieta e Ufrgs
Foto antiga do acervo pessoal em sala de aula; ele lecionou no Colégio Anchieta e na Ufrgs
ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
A universidade é outro capítulo rico na vida de Leite, com ele se aproximando da Ufrgs e lecionando nas faculdades de Biblioteconomia, Comunicação, Direito, Filosofia e Psicologia. Nessa última, um de seus primeiros alunos foi o psicanalista Mário Corso. "Naqueles tempos sombrios, o Leite era um fenômeno na universidade - era um professor que gostava de ouvir os alunos e mais: gostava de dar aulas!", conta.
Leite foi parar no curso que estava sendo criado por um motivo que ele mesmo explica - e que não era dos mais nobres: "medo". "Muitos professores estavam sendo cassados. Se eu fosse para a Filosofia, estaria mais visado e correria mais riscos." Ele entrou no Departamento de Psicologia aos 41 anos e lá permaneceu até se aposentar compulsoriamente, aos 70 anos. Em determinado momento, a falta de professores era tão grande que Leite chegou a lecionar até 12 disciplinas. Fora da sala de aula, Leite foi ainda chefe de gabinete do reitor Francisco Ferraz, diretor do Instituto de Psicologia e diretor da Editora da Universidade.
Outra alegria que a vida universitária lhe deu foi a convivência com Armando Câmara, professor de História da Filosofia e de Filosofia do Direito que encontrava em Leite um dedicado assistente que muito se interessava por política. Câmara havia sido eleito senador em 1954 e renunciaria ao mandato pouco tempo depois, insatisfeito com a posse de João Goulart - a quem havia derrotado nas urnas - na vice-presidência da República e, por consequência, na presidência do Senado. Câmara seria o símbolo de uma militância político-filosófica voltada para o catolicismo, e Leite se engajaria como um de seus discípulos.

Paixão por Porto Alegre e seus eventos culturais

Sempre presente nas edições do evento, intelectual Luiz Osvaldo Leite esteve na abertura da primeira Feira do Livro
Sempre presente nas edições do evento, intelectual esteve na abertura da primeira Feira do Livro
ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Toda essa extensa trajetória educacional foi quase um ensaio para o tema que Leite iria se dedicar com mais afinco: a cultura. A sólida base iniciada na infância ressurgiria com maior força no começo dos anos 1970 quando Leite teria seu primeiro cargo público. Como assessor da Secretaria Municipal de Educação, ele logo começaria a dar maior atenção à Divisão de Cultura, experiência que serviria de embrião para o surgimento da Secretaria Municipal da Cultura, criada pouco mais de uma década depois.
Na Divisão de Cultura, Leite estaria à frente de importantes projetos como a criação do Conselho Municipal do Patrimônio Artístico Histórico e Cultural (Compahc), o Museu de Porto Alegre, o ressurgimento da Banda Municipal e - o maior deles - a construção do Centro Municipal de Cultura. Ao novo espaço, Leite estaria vinculado desde os primeiros projetos e do início das obras. Ao final, vendo o centro ser inaugurado com teatros, biblioteca e ateliê, Leite guardaria apenas uma frustração. "Tentei incluir no projeto uma sala de cinema, mas não concordaram."
A transição da Divisão de Cultura para a Secretaria da Cultura, aí já no governo Alceu Collares (PDT), o primeiro eleito após mais de 20 anos de prefeitos biônicos, marcaria o reencontro de Leite com um de seus grandes amigos, o professor Joaquim Felizardo.
Primeiro secretário da nova pasta, Felizardo tinha pelo menos dois pontos em comum com Leite: a paixão por Porto Alegre e o gosto por formar grupos. Assim, das conversas que começavam na secretaria e que não acabavam nasceria, no final dos anos 1980, uma nova confraria.
Primeiro instalada na casa de um dos confrades que recebia para almoços semanais, depois zanzando por alguns restaurantes até a opção final de adotar uma tradicional cantina italiana como base. É lá que há anos este grupo se reúne, sempre às quintas-feiras, para animados almoços com extensa pauta de assuntos. Quase toda formada por professores e jornalistas - recebendo eventualmente alguns políticos e convidados fora do Estado -, a mesa é plural e democrática.
Com a morte de Felizardo, Leite assumiria a função de patrono da mesa e também se tornaria o responsável por não deixar que o grupo se fragmentasse, recebendo novos confrades. Eu fui um dos que na última década foi acolhido por ele na confraria, bem como Mário Corso e o maestro Tiago Flores. "Minha admiração pelo professor Leite é enorme. Me sinto muito honrado pela amizade que temos. Sempre me chamou a atenção como ele era bem quisto em todos os meios que circulávamos", ressalta Flores, que antes também havia convivido com Leite na Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (Ospa).

Trajetória como presidente da Ospa

Com a orquestra na Gávea, no Rio de Janeiro: Leite ao centro e Zico à esquerda
Com a orquestra na Gávea, no Rio de Janeiro: Leite ao centro e jogador Zico à esquerda
ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Foi inclusive na Mesa das Quintas que Leite recebeu o convite para ser o presidente da Ospa. Durante um almoço, Pilla Vares, então secretário da Cultura, manifestou o desejo de contar com Leite em sua equipe. O convite foi aceito na hora. "O Leite abria portas em todos os lugares que frequentávamos. Era um chefe que dava autonomia para trabalhar", elogia o maestro Tiago Flores, destacando as habilidades artísticas e burocráticas do presidente. "Mesmo tendo conhecimento de muito repertório da música clássica, principalmente óperas, o Leite jamais interferiu na área artística", destaca o maestro a respeito do seu convívio com o presidente.
"O Leite é um grande administrador, tendo passado por várias instituições e nelas deixando sua marca de eficiência. Desdramatizando as situações mais adversas, conseguiu operar com sabedoria, conciliando, harmonizando, conseguindo sempre obter o melhor resultado em cada caso", acrescenta Luiz Antonio de Assis Brasil, escritor, professor e ex-secretário estadual da Cultura.
O que o período na Ospa evidenciou de maneira mais clara são duas virtudes que Leite sempre demonstrou. A primeira é a serenidade: "Tivemos maior proximidade na administração pública, e sempre admirei nele a bonomia, a serenidade. Admiro nele, também, o humanismo, e aqui falo no sentido filosófico do termo. É um intelectual completo, um luxo para todos nós, gaúchos", diz Assis Brasil. "Sua marca é a serenidade. Ele não se abala com problema algum. A impressão que tenho é que nada o perturba. Mais do que uma pessoa culta, o Leite tem sabedoria", completa Flores.
A outra é a capacidade de ouvir, o que parece ser reflexo ainda dos tempos de seminarista. "O Leite foi um dos raros professores que conheci que sabia ouvir, que prestava atenção no que o aluno tinha a dizer", conta o psicanalista Mário Corso. "Isso o diferencia de quase todas as pessoas que conheço. Ele sabe ouvir. Quando converso com o professor Leite me sinto único no mundo", diz Flores.
A presidência da Ospa foi o coroamento de uma vida dedicada à cultura de modo geral, e à orquestra de maneira especial. Leite estava lá em 1949, quando foi apresentado um pioneiro ciclo de nove sinfonias de Beethoven sob a regência de um então pouco conhecido maestro húngaro radicado em Montevidéu: Pablo Komlós. A experiência deu tão certo que no ano seguinte a orquestra seria fundada.
A segunda metade dos anos 1940 e a primeira da década seguinte seriam classificadas por Leite como "década de ouro", a grande fase dos concertos e recitais em Porto Alegre. Apenas em 1948 foram aqui realizados 93 concertos, trazendo a partir daquele período à capital gaúcha nomes como Aaron Copland, Friedrich Gulda, Yehudi Menuhin, Camargo Guarnieri e Hans Joachim Koellreuter. "Porto Alegre foi beneficiada por uma feliz coincidência: ficava no meio do caminho entre Rio de Janeiro/São Paulo e Montevidéu/Buenos Aires. Assim, a cidade era quase que uma parada obrigatória para os artistas", avalia o professor.
Presente ao primeiro concerto, Leite revelaria, ao completar 80 anos, que seu sonho era estar na inauguração da nova sala de concertos. Novamente, a vida lhe seria generosa e ele poderia não apenas assistir como também ser homenageado na inauguração da sala, em março de 2018. Na ocasião, ele atuava como presidente da Fundação Cultural Pablo Komlós. "Não sei se fiz bem à Ospa, se fui um bom presidente. Mas sei que ela me fez muito bem."

* Márcio Pinheiro é porto-alegrense e jornalista. Trabalhou em diversos veículos da Capital, de São Paulo e do Rio de Janeiro.
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