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Notícia da edição impressa de 26/03/2019. Alterada em 25/03 às 22h04min

Legado dos ex-prefeitos para a capital gaúcha

No aniversário de Porto Alegre, gestores relembram governos

No aniversário de Porto Alegre, gestores relembram governos


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Bruna Suptitz
Porto Alegre celebra hoje 247 anos, e, para lembrar parte da história recente da Capital, o Jornal do Comércio convidou oito ex-prefeitos - que estiveram à frente do Paço Municipal entre 1975 e 2016 - a recordar obras e ações que marcaram suas gestões. Para compor os relatos, foi utilizado como referência o livro Prefeitos de Porto Alegre, de Antônio Augusto Mayer dos Santos (2012).
Foi no governo de Guilherme Socias Villela (PP, à época no Arena/PDS, 1975-1983) que a Capital elaborou o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, em 1979. O texto atualizou conceitos já então adotados em planejamentos com foco principalmente viário e de zoneamento da cidade. Abrangeu toda a cidade com a divisão das zonas urbana e rural, permaneceu em vigor até a atualização, em 1999 - quando teve acrescido o termo "ambiental" -, e, ainda hoje, é considerado um dos principais documentos norteadores de obras viárias da Capital. Da sua gestão, Villela destaca, ainda, a criação de diferentes parques, como o Marinha e o Harmonia.
A gestão seguinte, de João Dib (PP, à época no PDS, 1983-1985), teve duração atípica, já que ele foi o último prefeito indicado no período que precedeu a redemocratização. Com duração de dois anos e nove meses, seu mandato foi marcado pela entrega de obras, como as duplicações das avenidas Baltazar de Oliveira Garcia e Sertório. Para o ex-prefeito, o destaque da sua gestão foi "deixar a cidade sem dívidas". Dib cita a antecipação de receita que fez no fim do seu governo, sanada no dia 8 de janeiro do ano seguinte à sua saída. "Deixei a prefeitura tranquila para continuar a administração", lembra.
Primeiro prefeito eleito pelo voto direto, com a reabertura da democracia, Alceu Collares (PDT, 1986-1988) ficou marcado pela atenção especial à educação, com a implementação dos Centros Integrados de Educação Municipal (Ciems). Collares destaca, ainda, a recuperação do Centro Cultural da Usina do Gasômetro e o início da construção da avenida Edvaldo Pereira Paiva - popularmente conhecida como Beira-Rio. "Em um governo atípico, de apenas três anos, ter recuperado a Usina do Gasômetro, construído a Beira-Rio e implantado a escola de turno integral e o plano de carreira do magistério municipal é o maior legado que eu poderia ter deixado", aponta.
Na sequência, Olívio Dutra (PT, 1989-1992) deu início aos 16 anos de gestões petistas à frente da prefeitura de Porto Alegre por meio da coalizão chamada de "Administração Popular". No seu governo, instituiu-se o Orçamento Participativo (OP). Dos quatro anos que esteve no cargo, Olívio destaca "a ideia da cidade apropriada pela população", citando como exemplo a garantia de espaço entre a avenida João Goulart e o Guaíba para que não se construísse edificação no local e a liberação do largo Glênio Peres para pedestres. Também no seu governo foi realizada a última atualização da planta de valores dos imóveis da cidade - base de cálculo para o IPTU. "Foram coisas importantes, com a participação comunitária, para que as pessoas se sentissem protagonistas e sujeitos", pontua.
Vice de Olívio, Tarso Genro (PT, 1993-1996 e 2001-2002) assumiu o mandato seguinte e voltou ao cargo posteriormente. Do seu governo, ele aponta dois marcos: um material, que é o fechamento do financiamento da Terceira Perimetral - que se iniciou no primeiro e foi concluído no segundo governo -, e a consolidação do OP, através de sua apresentação no Fórum Social Mundial, em janeiro de 2001. "O OP já vinha do governo Olívio Dutra com muita força. Ali foi consolidado e se transformou em um evento mundial que tem repercussões até hoje em três dezenas de países", destaca. Tarso renunciou ao cargo em 2002 para concorrer ao governo do Estado e foi substituído pelo vice, João Verle, falecido em 2015.
O governo seguinte foi de Raul Pont (PT, 1997-2000), vice de Tarso no primeiro mandato. Na sua gestão, o Mercado Público foi reinaugurado, após passar por restauração, e foi criada a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). Pont destaca a participação popular através do OP. "É difícil elencar obras, que vão desde as pavimentações comunitárias até a primeira etapa da obra da Terceira Perimetral", recorda. Para ele, o mais importante foi "a possibilidade de as pessoas decidirem suas prioridades". O ex-prefeito lamenta que, atualmente, o processo esteja "secundarizado": "naquele período, conseguíamos ter até 15% do orçamento da cidade em investimentos".
A sequência de governos petistas foi interrompida por José Fogaça (MDB, eleito para a primeira gestão pelo PPS, 2005-2010), que cumpriu um mandato e meio - após a reeleição, deixou o cargo para disputar o governo do Estado. Fogaça cita feitos como a construção de escolas e o início do Hospital da Restinga, com destaque ao projeto Lugar de criança é na família e na escola. "As pessoas não lembram, mas, antes desse programa, havia centenas de crianças, mais de 600, nas sinaleiras, em situação de rua." Indicando que esse problema não existe mais com a mesma repercussão da época, aponta que, "do ponto de vista do exercício da governança solidária, foi a maior conquista do nosso governo".
José Fortunati (PSB, à época no PDT, 2010-2016) foi vice de Fogaça e assumiu sua primeira gestão após a renúncia do antecessor, sendo eleito ao cargo posteriormente - ao todo, comandou Porto Alegre por quase seis anos. Da sua gestão, destaca ações na área social. "Chamadas 'invisíveis' ao olho do grande público, são determinantes na transformação da vida das pessoas, especialmente nos bairros mais populares", sustenta. Como exemplos, cita o atendimento em turno integral por todas as escolas municipais, a inauguração do Hospital da Restinga e a criação do Unipoa, programa municipal que oferece bolsas de estudos a jovens de baixa renda.
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