Porto Alegre, segunda-feira, 25 de março de 2019.

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INOVAÇÃO

Notícia da edição impressa de 25/03/2019. Alterada em 25/03 às 13h58min

Porto Alegre define ações para dar impulso ao setor de inovação

Pacto Alegre começará a atuar no aniversário de 247 anos da Capital gaúcha

Pacto Alegre começará a atuar no aniversário de 247 anos da Capital gaúcha


MARCO QUINTANA/JC
Guilherme Daroit
Gestado desde o ano passado, o Pacto Alegre começará a atuar efetivamente amanhã, no aniversário de 247 anos da Capital. A data foi escolhida para a constituição da mesa diretiva da iniciativa que busca integrar poder público, academia e iniciativa privada para transformar Porto Alegre em um polo de inovação. Ao todo, serão em torno de 75 organizações que definirão quais os principais desafios que a Capital enfrenta e quais os projetos que podem contribuir na solução.
O início do projeto pode ser atribuído à criação da Aliança para a Inovação, acordo de cooperação entre a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e a Pontifícia Universidade Católica (Pucrs), em abril do ano passado. Desde lá, outra ideia, unindo as universidades a entes públicos, privados e sociedade civil ganhou corpo, avançando até o anúncio do Pacto Alegre, em novembro.
Amanhã, o que acontece é a formalização da Mesa do Pacto Alegre, órgão máximo responsável por deliberar e gerir as iniciativas que serão apoiadas pelo arranjo. "Já viemos trabalhando, não estamos começando do zero, mas é um momento marcante, porque senta-se finalmente com as entidades", contextualiza o coordenador do Pacto e diretor da Escola de Engenharia da Ufrgs, Luiz Carlos Pinto da Silva Filho. O grupo terá ainda o acompanhamento do consultor espanhol Josep Piqué, que conduziu processos similares em Barcelona, na Espanha, e em Medellín, na Colômbia, que se tornaram modelo de inovação.
O ato, mais do que uma simples solenidade, marcará também a primeira reunião de trabalho do grupo, que buscará chegar a um consenso sobre as questões prioritárias a serem atacadas. Nos dias seguintes, uma nova reunião será realizada para escolher, entre as sugestões, quais os projetos que receberão maior atenção. "Temos 'n' ações que podem estar no pacto, mas precisamos ter foco", defende Silva Filho, que compara o pacto a uma equipe esportiva. "Temos muitos craques, mas nos falta um sistema de jogo", metaforiza.
Todas as entidades que comporão a mesa foram convidadas nas últimas semanas e se comprometeram com o pacto. São empresas, associações, clubes, representantes dos três poderes, entre outros. "Quem decide não é a prefeitura, nem as universidades, mas todos juntos. Dessa diversidade de ideias, temos de encontrar o consenso para que possamos juntos enfrentar os problemas", comenta o secretário de Comunicação da prefeitura, Orestes de Andrade Junior, um dos representantes do Executivo nas discussões. O número de participantes, inclusive, foi determinado de forma a dar assento a vozes distintas, segundo Silva Filho.
A ligação entre os diversos personagens é elogiada também pelo presidente do Agibank, Marciano Testa, um dos empresários mais ativos na melhoria do ecossistema de inovação em Porto Alegre e financiador do Pacto Alegre, que defende a sensibilidade dos atores para superar "ranços" do passado e deixar o protagonismo individual de lado. "Vejo que temos tido uma fuga de capital humano do Estado. Através do pacto, esperamos que a sociedade se sensibilize para revermos nossa matriz de formação, de emprego e de atração para nossos jovens", comenta Testa sobre um dos ganhos que projeta com a articulação.
Outro grande desafio, segundo o empresário, é fazer com que o pacto não repita experiências anteriores que não geraram ações efetivas. "Não podemos deixar esse movimento do Pacto Alegre ser apenas uma agenda de poucos, que não vá de fato gerar nenhuma materialidade de fato no Estado", afirma Testa.
A entrega de resultados, inclusive, está no cerne do arranjo. Embora acreditem que os maiores resultados possam ser sentidos daqui há décadas, os integrantes da iniciativa definiram que todos os projetos escolhidos pelo pacto precisarão ter resultados mensuráveis já nos primeiros seis meses.
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