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- Publicada em 18h51min, 17/12/2020.

Resgatar confiança do consumidor é meta para 2021

Maria Fernanda diz que imprevisibilidade prejudica os negócios

Maria Fernanda diz que imprevisibilidade prejudica os negócios


/LUIZA PRADO/JC
João Pedro Rodrigues
O ano de 2020 não foi fácil para os setores de hotéis, bares e restaurantes, que possuem seus negócios atrelados à movimentação do público e ao turismo. Em razão da crise econômica, agravada durante a pandemia, e das restrições estabelecidas para conter o novo coronavírus, como o isolamento social, a diminuição no horário de atendimento e, até mesmo, o fechamento de estabelecimentos, os segmentos sofreram para garantirem a sua sobrevivência. Representantes das categorias acreditam que 2021 será de recuperação.
O ano de 2020 não foi fácil para os setores de hotéis, bares e restaurantes, que possuem seus negócios atrelados à movimentação do público e ao turismo. Em razão da crise econômica, agravada durante a pandemia, e das restrições estabelecidas para conter o novo coronavírus, como o isolamento social, a diminuição no horário de atendimento e, até mesmo, o fechamento de estabelecimentos, os segmentos sofreram para garantirem a sua sobrevivência. Representantes das categorias acreditam que 2021 será de recuperação.
Para a presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Sul (Abrasel/RS), Maria Fernanda Tartoni, o abre e fecha dos estabelecimentos no Estado foi um dos maiores problemas para o setor alimentício. Isso porque esta instabilidade gera uma incerteza quanto ao futuro, dificultando o planejamento dos gestores. "Hoje, nós estamos fechando às 22h, mas não sabemos o que vai acontecer amanhã. É muito difícil de responder a isso", avalia.
De acordo com ela, buscar lidar com esta imprevisibilidade é o primeiro passo para que a situação se estabilize. Para isto, é necessário resgatar a confiança das pessoas para que elas possam voltar a sair de casa e a frequentar os bares e restaurantes da Capital e do Estado. Isto pode se concretizar através da garantia de cuidado com os protocolos de segurança dos estabelecimentos, que incluem o distanciamento entre as mesas, a restrição no número de clientes e o cuidado com a higienização. "Enquanto as pessoas não se sentirem confiantes para saírem de casa, a economia ainda vai ficar muito instável", complementa a presidente.
Outro ponto destacado por Maria Fernanda acerca dos protocolos foi quanto à restrição dos horários de abertura dos bares e restaurantes. Para ela, esta medida possui um efeito contrário àquele que se propõe, provocando mais aglomerações de pessoas em determinado período. "Diminuir o tempo de atendimento é um desserviço para quem quer evitar aglomerações", salienta.
Para o ano de 2021, a presidente da Abrasel/RS espera uma estabilidade, de forma que os estabelecimentos possam se manter abertos, e a economia do Estado possa se recuperar. No entanto, ela revela que não há muitas perspectivas para o setor, visto que a situação ainda é muito imprevisível. "Esperamos que no segundo semestre de 2021 as coisas estejam o mais próximo do normal possível. Acredito que os próximos 6 meses ainda serão de readaptação", completa.
Segundo o presidente do Sindicato de Hospedagem e Alimentação de POA e Região (Sindha), Henry Chmelnitsky, a retomada do setor no próximo ano depende de três fatores principais. Na mesma linha de Maria Fernanda, ele acredita que, primeiro, é preciso readquirir a confiança da população para que ela se sinta segura para sair de casa, desde que seja com responsabilidade e evitando aglomerações.
Em segundo, está a necessidade da retomada do serviço presencial por parte dos servidores públicos, de forma que o consumo nos estabelecimentos, principalmente do centro da Capital, retorne. "Temos que diminuir o home office. Ele vai se tornar uma realidade, mas não faz sentido os servidores trabalharem todos em casa. Poderia ter uma escala. Isso já ajudaria", explica. Por último, Chmelnitsky cita a disponibilização de uma vacina, que poderá mudar o cenário. "As perspectivas para 2021 só mudarão caso a vacina realmente passe a existir", conclui.

Retomada de eventos é alternativa para setor hoteleiro

Carlos Henrique Schmidt crê em recuperação apenas em 2022
Schmidt acredita em plena recuperação apenas a partir de 2022
JONATHAN HECKLER/arquivo/JC
Assim como bares e restaurantes, o setor hoteleiro foi um dos mais afetados durante a pandemia. Em Porto Alegre, o setor registrou queda nos seus principais indicadores. Em outubro deste ano, por exemplo, a ocupação média (quantidade de unidades ocupadas em relação às disponíveis) foi de 31,07%. Já no mesmo período de 2019, foi de 64,16%. No mesmo mês de 2020, a diária média (que diz respeito ao preço médio cobrado nas diárias) foi de R$ 175,56, enquanto no ano anterior foi de R$ 225,91. A ocupação média dos últimos doze meses (nov/19 a out/20) foi de 38,47%.
Essa queda se deve ao fato de o setor, na Capital, estar diretamente ligado ao turismo de eventos, que foi bastante prejudicado em razão da pandemia. De acordo com o presidente do Sindicato de Hospedagem e Alimentação de POA e Região (SHPOA), Carlos Henrique Schmidt, mais da metade dos hotéis optaram por fechar devido à falta de hóspedes. Isto está relacionado, também, à redução da malha aérea no País, que chegou a cerca de 90% entre abril e maio. "A pandemia gerou um pânico na população, que não quer mais viajar, andar de avião, se hospedar em hotéis, ir a restaurantes. As pessoas estão trancadas em casa e muito inseguras quanto a sua saúde", diz.
Por causa deste comportamento, ele também acredita que uma das saídas, neste momento, seja restabelecer a confiança da população para que a retomada de todos os eventos, sejam corporativos ou esportivos, aconteça. "Nós temos que conscientizar os organizadores a trazer estes eventos. Precisamos garantir que existem protocolos de segurança da saúde, com redução no número de pessoas e renovação de ar", afirma. Para ele, esta é uma alternativa de manter o setor enquanto a vacina ainda não está sendo distribuída na região.
Mesmo assim, Schmidt não vê uma grande recuperação tão cedo. Hoje, as receitas do setor giram em torno de 30% do que eram há um ano, e o segmento tem buscado reduzir as despesas para garantir a sobrevivência dos hotéis. Segundo o presidente do SHPOA, a recuperação plena só ocorrerá mesmo em 2022. O próximo ano, portanto, será de retomada. Mantendo o otimismo, ele espera que no segundo semestre de 2021 os eventos esportivos, congressos e shows já tenham retomado e a que a situação esteja se encaminhando para uma normalidade.
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