Porto Alegre, segunda-feira, 17 de dezembro de 2018.

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Cooperativismo

Notícia da edição impressa de 14/12/2018. Alterada em 17/12 às 14h31min

Cooperativas apostam na retomada do crédito

Setor prevê conquista de cooperativados no meio urbano para crescer acima de 15% em 2019

Setor prevê conquista de cooperativados no meio urbano para crescer acima de 15% em 2019


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Roberta Mello
Após um 2018 positivo, o cooperativismo de crédito estima crescimento médio acima de 15% no setor como um todo. As molas propulsoras desta guinada devem ser a tomada de crédito com a volta da confiança na economia brasileira e os resultados de pelo menos dois anos de trabalho para conquistar cooperativados nos centros urbanos.
O vice-presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, Márcio Port, também projeta um ano positivo pela frente. Fechando o ano de 2018 com crescimento estimado em 20%, o Sicredi vê a economia reagir. "Quando olhamos alguns indicadores separadamente este avanço é ainda maior. Exemplo disso é a carteira de crédito, que cresceu na faixa de 30%. Quando a pessoa está disposta a tomar crédito é por que ela acredita que o que vem pela frente será melhor e que ela vai conseguir honrar o compromisso", destaca Port. A projeção de crescimento no ano que vem do Sicredi gira em torno de 20%, novamente.
Se antes o principal desafio era competir com as grandes instituições bancárias, atualmente as cooperativas têm de driblar, ainda, as fintechs. Para isso, não basta investir em novas tecnologias. Para os especialistas, a saída será voltar-se à essência do cooperativismo e dedicar-se, principalmente, à comunicação e à educação financeira para difundir conhecimento sobre o segmento no País.
O CEO da Unicred do Brasil, Fernando Fagundes, lembra que o cenário brasileiro ainda está muito atrás de outros países em que a maioria da população está ligada a alguma cooperativa. "Acredito que o setor só não é maior aqui, por que ainda há muito desconhecimento. Por isso, estamos dedicando forte investimento em estratégias de comunicação e expandindo para o Norte e o Nordeste, duas regiões em que o cooperativismo de crédito ainda é bastante incipiente", reflete Fagundes.
A Unicred está presente em 10 estados brasileiros em que estão espalhados 247 pontos de atendimento e mais de 200 mil cooperados. Este mês, a organização abriu a primeira unidade em Salvador, na Bahia, e espera ampliar a rede nos estados vizinhos ainda no ano que vem.
O presidente da Federação Nacional de Cooperativas de Crédito (FNCC), André Brone, recorda que as cooperativas de crédito cresceram, desde 2016, auge da crise econômica no Brasil, ainda mais do que as instituições financeiras tradicionais. Porém, quando o assunto é fintech, a saída não será disputar mercado, mas trabalhar em parceria.
O mercado comemora, ainda, a maior segurança jurídica experimentada nos últimos anos graças à mudança no foco do trabalho do Banco Central em relação a esse setor. Segundo Brone, da FNCC, "o órgão de fiscalização vem assumindo um caráter menos punitivista e investido na criação e divulgação de metodologias que ajudem a melhor a gestão das organizações".

Desafio do sistema é ampliar presença fora do meio rural

Se há alguns anos o cooperativismo tinha como base a atividade rural, principalmente graças às linhas de crédito voltadas aos pequenos agricultores, hoje o alicerce que mantém a dinâmica do setor está com peso mais dividido entre o campo e a cidade. No Sicredi, uma das mais tradicionais instituições do segmento, esse número está cada vez mais semelhante entre os dois.
Conforme o vice-presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, Márcio Port, "em torno de 50% da carteira de crédito do Sicredi vem do agronegócio, que atualmente é o maior financiador da agricultura familiar e o terceiro maior quando se trata de todas as linhas de crédito rural. Mas os outros 50% das linhas são voltadas às áreas urbanas. Agora podemos garantir que nossa cobertura está bem distribuída entre cooperados do meio urbano e rural".
Para manter-se entre as instituições preferidas dos agricultores, o Sicredi irá focar, no ano que vem, na promoção de tecnologias de geração de energia solar nas propriedades. "Já temos uma linha de crédito focada especificamente na instalação de painéis fotovoltaicos e iremos investir ainda mais em palestrar e cursos no interior apresentando as vantagens dessa tecnologia", diz Port, sempre prezando pelo fomento ao desenvolvimento do cooperado acima dos interesses da cooperativa especificamente.
Já nos municípios considerados maiores, entre cooperados que não estão ligados diretamente à atividade rural, o Sicredi tem percebido um interesse cada vez maior por crédito imobiliário, linha que até alguns anos a instituição nem oferecia. A busca pelo produto novo deve-se às taxas mais vantajosas do que as encontradas em outros bancos e, é claro, "à retomada da economia", comemora Port.
Se em 2018, a prioridade foi manter o investimento nas soluções tecnológicas para contar com ferramentas competitivas, 2019 parece ser o momento de voltar-se aos grandes diferenciais do setor e expandir os espaços de atendimento olho no olho. No ano que vem, o Sicredi pretende inaugurar 200 novas agências em todo o Brasil, sendo 20 delas apenas no Rio Grande do Sul. O Sicredi já está em mais de 90% do Rio Grande do Sul, sendo que em 100 municípios é a única instituição financeira presente.
 
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