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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 14/12/2018. Alterada em 13/12 às 23h00min

Mercados externos animam pecuaristas e indústrias

Criadores esperam aumento da lista de mercados compradores das carnes brasileiras no próximo ano

Criadores esperam aumento da lista de mercados compradores das carnes brasileiras no próximo ano


/ALINA SOUZA/ESPECIAL/PALÁCIO PIRATINI/JC
Thiago Copetti
As possibilidades internacionais abertas neste ano ao setor de produção e processamento de frango, suínos e bovinos vão rebater nos números de 2019 de forma significativa. A lista de países que estão abrindo, ampliando ou retomando suas compras por aqui é extensa. Do México à Rússia, passando por Chile, Coreia do Sul e Egito, os portos de desembarque da proteína gaúcha são cada vez mais demandados.
Ainda há a possibilidade de que, enfim, os Estados Unidos também voltem a ser clientes de nossos cortes de carne de gado, assim como o possível fim da sobretaxa chinesa ao frango brasileiro. E vale ressaltar que as exportações do setor ao mercado chinês aumentaram mesmo com a ampliação dos impostos às aves importadas do Brasil, cobrança iniciada no primeiro semestre.
A pecuária é um setor sujeito a inúmeras variáveis internas e externas - do câmbio a questões sanitárias e geopolíticas. E as possibilidades de flutuações são grandes para 2019. Ainda assim, há mais indicadores apontando para ampliação geral de vendas no mercado de carnes bovina e especialmente suína e de frango.
São dois os motores do otimismo geral do setor quanto ao próximo ano. Para as exportações, o segmento vinha fazendo grandes apostas na possibilidade ampliar suas vendas com a guerra comercial entre Estados Unidos e China. Especialistas avaliam que mesmo a trégua entre os dois países não impede a ampliação dos embarques ao gigante asiático, mas em menor escala e de forma mais sustentável.
Para o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, uma possível reaproximação norte-americana não impedirá o crescimento das vendas. "A China demandará mais alimentos e tem no Brasil um importante parceiro. É melhor um aumento gradual das vendas do que um aumento muito rápido, que poderia levar empresas a ampliar produção e depois não ter como sustentar essa operação", diz Turra.
O executivo avalia que o risco maior seria ter uma planta industrial adaptada para produzir mais e perder o mercado no meio do caminho, após um acordo entre os dois países. Turra ressalta ainda que existem outras boas alternativas no meio do caminho, especialmente México e Rússia, dois bons terrenos para incrementar os negócios. Em novembro, o Ministério da Agricultura anunciou que estava concluído o processo de habilitação de 26 novas plantas para vendas ao México, inclusive no Rio Grande do Sul. O anúncio da ampliação de oportunidades no México veio poucos depois da retomada do mercado russo, comemorado pelo setor. Quatro plantas frigoríficas gaúchas já foram autorizadas a fazer embarques para a Rússia.
"O mercado russo tem um significado importante, em especial, pela representatividade que desempenhou nos últimos anos, como principal destino das vendas brasileiras", afirma Turra.
Antes do alegado embargo sanitário, no final de 2017, o país teria deixado de importar, ao longo deste ano, mais de 230 mil toneladas. O que pode ser uma referência do potencial para 2019. Outro fator que tende a estimular as vendas brasileiras é o avanço da Peste Suína Africana em diferentes países, o que não ocorre por aqui.

Cortes nobres têm mais espaço para crescer

Gerente nacional do Programa Carne Angus Certificada, Fábio Medeiros avalia que a ampliação de mercados para suínos no Exterior também pode ser porta de entrada para cortes nobres bovinos. "Além da Rússia, temos perspectivas de ingressar com a carne bovina em boa quantidade na Indonésia e na Tailândia ainda em 2019", antecipa Medeiros.

O crescimento das exportações bovinas também tem espaço na América Latina, destaca o presidente da associação, José Roberto Pires Weber, especialmente no Chile, para onde as vendas quase dobraram entre 2017 e 2018. De acordo com dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), o mercado chileno comprou, entre janeiro e outubro deste ano quase 73 mil toneladas de carnes bovinas desossadas, frescas ou refrigeradas do Brasil, alta de 89% em relação a 2017.

"Mercados nós temos muito, mas o consumo interno é tão grande que nos falta produto para aumentar as exportações de carnes nobres com certificação de qualidade", ressalta Weber.

Consumo interno de carne e leite terá demanda extra

Representantes de criadores de bovinos de corte e de leite e indústrias são unânimes no otimismo quanto ao aumento do consumo de carne e em derivados do leite no mercado doméstico em 2019. A confiança vem de perspectivas de recuperação de renda e emprego no País, parte motivada pela expectativa de que reformas fiscais sejam feitas pelo novo governo federal, o que estimularia a economia nacional.

Presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira explica que a criação gaúcha fica praticamente toda no Estado, e, por isso, ao produtor local o que mais afeta compra e venda são índices de desemprego, inflação, taxas de juros e recuperação de renda. "O consumo doméstico tem tudo para se expandir no próximo ano. O governo tende a ter seu peso reduzido com privatizações e com as reformas necessárias, e isso estimula economia", opina Gedeão.

Assim como o prato brasileiro deve receber mais carne de gado, o copo igualmente deve ficar mais cheio de leite em 2019, avalia o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Rio Grande do Sul (Sindilat), Alexandre Guerra. O setor lácteo do Brasil espera, além do aumento do consumo, que não se repita a invasão de leite em pó do Mercosul para desestabilizar o setor. "O problema não é nem a quantidade de leite que ingressa. O dano ocorre porque há um ingresso concentrado demais, o que faz os estoques nacionais subirem e os preços desabarem", explica Guerra.

Para o executivo, a tendência segue de retração no número de famílias na atividade, o que teria seu lado positivo. Guerra ressalta que para melhorar a competitividade do setor o ideal seria que as empresas façam a coleta em menos propriedades, e em propriedades melhores estruturas. Com mais tecnologia, as propriedades produzem mais leite por hectare e por animal. "Aumentar a produtividade segue sendo nosso maior desafio, mais do qualquer o problema do leite que ingressa do Mercosul", resume o presidente do Sindilat.

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