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Mercado Financeiro

Notícia da edição impressa de 14/12/2018. Alterada em 13/12 às 23h00min

Com juros baixos, investidor precisa arriscar mais

Para quem não quer se aventurar, títulos do Tesouro são boa opção

Para quem não quer se aventurar, títulos do Tesouro são boa opção


/STOCKVAULT/DIVULGAÇÃO/JC
Thiago Copetti
Com a Selic em 6,5% ao ano e a inflação em torno de 4%, o governo deverá fazer ajustes para descolar seus papéis do IPCA. Isso porque o governo precisa oferecer juros mais atrativos se quiser captar recursos. E mais ainda devido a perspectiva de alta na taxa de juros dos Estados Unidos, que elevada atrai investidores que poderiam optar pelo Brasil se a taxa compensasse o risco. Por isso, o mercado estima que 2019 terminará com uma Selic próxima de 7,5% ao ano.
Até o início de dezembro, esse descolamento entre Selic e inflação era de apenas cerca 2,5 pontos percentuais, o que é muito baixo, avalia José Júnior de Oliveira, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais/Extremo Sul (Apimec-Sul). Apesar de a inflação estar dando sinais de arrefecimento (o IGP de novembro foi negativo), Oliveira afirma que a alta da Selic é inevitável. Com isso, os fundos de investimento, CDIs e Títulos do Tesouro Nacional se tornam mais atrativos, mas com ganhos menores do que em 2018 (veja tabela de projeções)
Hoje, por exemplo, o Título do Tesouro mais curto, com vencimento em 2021, está pagando 7,95% ao ano, e há opções mais longas de até cerca de 9% (5,11% inflação). "Na minha opinião, hoje, é a melhor aplicação para quem prioriza o baixo risco", destaca o presidente da Apimec-Sul, lembrando que o CDI médio tem pagado apenas 5,9% ao ano.
O executivo da Apimec-Sul classifica a poupança como uma "tragédia", já que tem rendido pouco mais de 4%. E ainda assim há pouca fuga de poupadores. "É impressionante o conservadorismo da maior parte da população na hora de investir. Opta pela segurança e comodidade para ganhar 4,6% enquanto o dinheiro poderia estar rendendo 9%", diz Oliveira.
Além do conservadorismo, a simplicidade da poupança leva boa parte dos brasileiros a permanecerem com essa opção. Ainda que o Tesouro Nacional tenha pouca burocracia, é necessário ir até uma corretora para se cadastrar no sistema. E, no caso de fazer operações via uma corretora, pagar a taxa de administração.
"Mas há corretores que não cobram a taxa, ou muito baixa, como 0,5%. O investidor pode pesquisar no site www.tesouro.fazenda.gov.br o que cobra cada banco e fazer pesquisa sorte a melhor opção", recomenda o presidente da Apimec-Sul.
Por regra, sempre que a Selic ficar igual ou abaixo de 8,5 %, a remuneração da poupança será de 70% da Selic mais taxa referencial (TR). Quando a Selic for maior do que 8,5 %, a poupança volta à remuneração fixa de 0,5% ao mês mais a TR. "Muitos priorizam a poupança pelo baixo risco, mas vale lembrar que o fundo garantidor de resgates vale também para o CDBs e investimento em letras de câmbio, como imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA), que costumam render mais", alerta o executivo.
No caso das LCI e LCA, explica Oliveira, também há isenção do imposto de renda, como na poupança. Para quem busca rentabilidades maiores, a sugestão do presidente da Apimec-Sul são os Fundos Multimercados, que chegam a pagar 130% dos ganhos do CDB ao aplicar os recursos em um mix que pode incluir inclusive o câmbio, o Tesouro Nacional e ações de empresas. "Dada a volatilidade atual do câmbio, aplicação exclusiva em fundos cambias são muito arriscadas. Acredito em um câmbio próximo de R$ 3,80 no final do ano que vem. Ou seja, com boa possibilidade de queda", salienta Oliveira.
Para o analista-chefe da Rico Investimentos, Roberto Indech, CDBs de bancos médios e pequenos, assim como créditos privados - por meio de debêntures emitidas por empresas - tendem a ter ganhos melhores em 2019. "Também devem se fortalecer os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) como opção de investimento", recomenda Indech.
Sobra a taxa de juros, a Rico Investimentos avalia que, com a manutenção de queda da inflação, a elevação da taxa básica de juros poderá ficar para o segundo semestre de 2019. Assim, assumir um pouco mais de risco será fundamental desde o início para ampliar os ganhos com recursos aplicados no sistema financeiro.

Ações devem retomar atratividade com o novo cenário

Apesar de serem muitos os fundamentos econômicos que afetam o mercado de capitais, a maior aposta de especialistas é de que a B3, a Bolsa de Valores do Brasil, irá crescer em 2019. Isso porque a possibilidade de o País ir adiante com a reforma da Previdência e ajustes fiscais (o que inclui privatizações) podem animar fundos estrangeiros a investir aqui, assim como empresas nacionais a se expandirem e voltarem a crescer.
"Esperamos que o ciclo econômico de retomada se consolide. Temos empresas menos endividadas e melhor avaliadas. Sem considerar as turbulências externas, a perspectiva interna é de ganhos", prevê André Nunes, economista-chefe da Fiergs.
Para o economista, as primeiras empresas que atraem os investidores à bolsa, neste cenário, são as maiores e mais consolidadas, como Petrobras e Banco do Brasil. Em seguida, há tendência de alta em empresas do varejo, pela recuperação do consumo interno. "Depois, vêm as chamadas small caps, empresas menores e que ficam esquecidas em um primeiro momento. Mais ao final do ano, deve se valorizar as empresas da construção civil", avalia o economista.
Para o analista-chefe da Rico Investimentos, Roberto Indech, despontam com bom potencial de ganhos no mercado de ações bancos como Itaú e duas empresas do setor de varejo, pelo bons números e perspectivas futuras, como Lojas Americanas e Lojas Renner.
Com um cenário econômico aparentemente mais calmo e promissor, mais empresas tendem a abrir seu capital ou fazer novas ofertas de ações em 2019. Especialistas avaliam que, com o cenário mais turbulento em 2018, muitas companhias seguraram seus lançamentos e podem fazê-lo nos próximos meses.
"Por questões específicas ou devido ao ano eleitoral, muitas empresas têm registro para lançamento já autorizado pela CVM, mas deixaram para 2019. No Rio Grande do Sul, por exemplo, uma das possibilidades é do Banrisul Cartões", exemplifica o presidente da Apimec, José Júnior de Oliveira.
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