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REPORTAGEM ESPECIAL

04/06/2019 - 15h38min. Alterada em 05/06 às 07h11min

Hortas para quem deseja ter alimentos plantados com as próprias mãos

Carmen coordena a Horta da Formiga, na escadaria São Manoel, localizada no Centro Histórico da Capital

Carmen coordena a Horta da Formiga, na escadaria São Manoel, localizada no Centro Histórico da Capital


/LUIZA PRADO/JC
Eduarda Endler
Quem passa pela tradicional escadaria da rua General João Manoel, no Centro Histórico de Porto Alegre, muitas vezes, não enxerga o oásis localizado à esquerda de quem sobe os degraus. Conhecida historicamente como Ladeira do Morro da Formiga, a subida, que fica entre as ruas Coronel Fernando Machado e Duque de Caxias, tem uma horta comunitária que encanta os moradores do bairro e chama a atenção até de quem mora longe.
Quem passa pela tradicional escadaria da rua General João Manoel, no Centro Histórico de Porto Alegre, muitas vezes, não enxerga o oásis localizado à esquerda de quem sobe os degraus. Conhecida historicamente como Ladeira do Morro da Formiga, a subida, que fica entre as ruas Coronel Fernando Machado e Duque de Caxias, tem uma horta comunitária que encanta os moradores do bairro e chama a atenção até de quem mora longe.
Carmen Fonseca, presidente da Associação das Hortas Coletivas do Centro Histórico (AHCCH), considera a Horta Urbana e Coletiva do Morro Formiga um paraíso no meio da cidade. O terreno atual, que estava abandonado há mais de 10 anos, é privado e foi cedido para a associação por comodato em 2017. Segundo ela, jornalista e publicitária que cansou de atuar nas duas profissões, a horta começou através de editais e mobilização da comunidade. Ela lembra que o terreno, assim como a escadaria, estava degradado. Então começaram a fazer eventos e ações para dar visibilidade ao local.
Para participar da horta comunitária, Carmen afirma que existe um lema: "Quem planta, colhe. A gente acolhe as pessoas aqui para serem associadas, para participarem, não são apenas moradores do Centro, temos até moradores da Ilha da Pintada, simpatizantes voluntários sempre são bem recebidos. As portas estão abertas para quem quiser participar, mas nós precisamos de ajuda. Não é só chegar, pegar terra e sair. Tem que vir e colocar a mão na terra", explica.
Ativamente, cerca de 10 pessoas cuidam da horta. Porém, em mutirões de eventos na Formiga, o número pode variar. Segundo Carmen, em alguns momentos, já chegaram a 30 integrantes. O grupo do WhatsApp de hortas coletivas, por exemplo, tem mais de 100 membros, que organizam eventos, colheita de bambus etc.
Para a dirigente da associação, o espaço é um achado no meio do Centro Histórico. "Às vezes, as pessoas vêm para cá para simplesmente sentar e relaxar. O silêncio, o ar, é tudo outra coisa. No verão, isso é maravilhoso. Viemos aqui fazer churrasco, mas acabamos mexendo nas plantas. Trabalho sempre tem, e estamos sempre precisando de ajuda", salienta. No momento, mais de 100 espécies já foram catalogadas na horta, mas ainda existem plantas sem a nomeação.

Cuidado diário e prazer no cultivo resultam em produto de qualidade

Criação de Andreia começou em fevereiro e utiliza a hidroponia
Criação na casa de Andreia começou em fevereiro e utiliza a hidroponia, sem necessidade de plantar em terra
ARQUIVO PESSOAL ANDREIA MALLMANN/DIVULGAÇÃO/JC

De acordo com o estudo intitulado Estado do Mundo - Inovações que Nutrem o Planeta, da Worldwatch Institute (WWI), publicado em 2011, as hortas urbanas são responsáveis por entre 15% e 20% de todo o alimento produzido no mundo. O levantamento ainda afirma que pelo menos 800 milhões de pessoas dependem da agricultura urbana para a maior parte de suas necessidades alimentares.

O cultivo de hortaliças nas áreas urbanas e periurbanas (aquelas situadas em periferias ou relativas à periferia de uma cidade), com ou sem o apoio governamental, tomou impulso a partir de 1980 na América Latina, África e Ásia, como uma estratégia de sobrevivência das populações mais pobres atingidas pela crise econômica. No Brasil, hortas urbanas e periurbanas começaram a ter grande ênfase nessa época com apoio dos governos municipais e instituições locais.

Criada em família de agricultores, a professora da Escola de Comunicação, Artes e Design da Pontifícia Universidade Católica (Pucrs) Andreia Mallmann sempre teve vontade de ter seu próprio cultivo. Ela explica que valoriza alimentos orgânicos e se preocupa com a recente pauta sobre a liberação de agrotóxicos, prejudiciais para a saúde. "O que me motivou foi querer ter uma alimentação saudável. Tenho dois filhos pequenos, quero que eles tenham uma alimentação sadia e livre de agrotóxico", explica.

A professora conta que o processo de criação se iniciou em fevereiro, com leituras e abastecimento de informações sobre o assunto. Outra questão importante foi o cultivo dentro do apartamento, que não tem a incidência solar limitada. "Me desafiei a cuidar desde a semente, que é uma fase muito difícil, da germinação. Comprei sementes, estudei o que era preciso fazer, porque, até então, minhas tentativas eram fracassados, porque eu apenas soterrava as sementes", lembra.

A partir disso, ela percebeu que era difícil criar em vasos com terra e se deparou com a técnica de hidroponia, na qual não é necessário plantar em terra. "Ainda estou aprendendo todos os dias sobre o desenvolvimento e criação", salienta.

Como ganho, Andreia conta que é incrível saber a procedência do que está consumindo. "Isso não tem preço. As pessoas acham o orgânico caro, mas há toda uma dificuldade, estudo e trabalho de não intoxicar a alimentação para conseguir um produto de qualidade. O ganho é imensurável, fora o prazer de cultivar e enxergar algo que tu estás criando e que está se desenvolvendo, com um cuidado diário", salienta.

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