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Medicina e Saúde 2019

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Notícia da edição impressa de 18/10/2019. Alterada em 18/10 às 09h18min

Desafio para conciliar carreira médica e vida pessoal

Recém-formado, Nogueira cumpre residência médica na Capital, enquanto a esposa, Cecilia Rechlinski, e a filha Laura, de apenas cinco meses, moram em outra cidade

Recém-formado, Nogueira cumpre residência médica na Capital, enquanto a esposa, Cecilia Rechlinski, e a filha Laura, de apenas cinco meses, moram em outra cidade


ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Um dos grandes desafios para os profissionais da Medicina é entender como conciliar a carreira e a vida particular. Seja estudante do curso, residente ou médico experiente, todos sabem que terão o estudo como fiel companheiro, pois é necessário sempre acompanhar as novas tecnologias e outras questões que envolvem as atualizações de cada especialidade e as descobertas médicas.
Já formados, os médicos enfrentam longas jornadas de consultório e plantões longe de casa e da família. Atualmente, Leonardo Nogueira faz sua residência médica em ginecologia e obstetrícia no Hospital Fêmina, em Porto Alegre, um hospital público materno-infantil, dedicado à obstetrícia.
Recém-formado e com uma filha pequena, nascida durante a segunda fase de estudos da carreira, ele sofre com a privação do tempo de convívio familiar, mas afirma que, quando decide-se por ser médico, é necessário abdicar de muitas coisas. "Ela e minha esposa moram em outra cidade. Faço de tudo para ficar com elas, mas, muitas vezes, não é possível. É bem difícil. Por sorte, conto com o apoio da família e de meus colegas de trabalho", salienta Nogueira.
Ele revela que a escolha da profissão foi uma decisão difícil. Formado também em Engenharia, não estava satisfeito com a profissão e decidiu fazer um curso de pós-graduação em gestão empresarial.
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Em determinada aula, um professor apresentou tópicos sobre Medicina e logo percebeu o interesse do aluno pelo tema. "Falei das minhas dúvidas profissionais, e ele sugeriu que eu prestasse vestibular para o curso de Medicina. Fiquei uma semana pensando nisso e vi que aquilo fazia sentido para mim. Desde o primeiro contato com os pacientes, já sabia que era o que eu queria", lembra.
Nesse primeiro contato, Nogueira entendeu a Medicina como uma missão. Segundo ele, até aquele momento, não havia clareza sobre as responsabilidades, os deveres e os desafios que o ofício impõe. 
De fato, tudo o que cerca a profissão é fruto de muito aprendizado, como reforça o presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers), Eduardo Trindade. Para ele, a relação com o paciente, principalmente.
O médico conta que, quando se opera um paciente que está à beira da morte, geralmente, a conversa gira em torno de suas vidas e experiências pessoais, falam do que gostariam de ter feito mais e melhor, como, por exemplo, ter passado mais tempo com a família e ver os filhos crescerem. "Isso faz a gente repensar os horários. Eventualmente, a família está esperando em casa para jantar e, ao mesmo tempo, o paciente que tu operou de manhã quer conversar contigo pela noite. O tratamento em si foi feito durante a operação, mas ele quer um acolhimento, quer te ver, e, ao mesmo tempo, tua família está te esperando em casa. E aí, como fica? Quem vence a queda de braço?", questiona o médico.
Mesmo com esse sentimento ambíguo, ele ressalta que, para ser um bom cirurgião, é necessário passar muitas horas operando, o que consome muito tempo. "Não é possível ser um bom cirurgião sem operar sempre. Então não há resposta certa. Queria eu ter. Como vamos dosar o tempo dedicado aos pacientes e à família?", indaga Trindade.

Médico enfatiza a importância de olhar e manter o diálogo com o paciente

Para Leonardo Mendes Nogueira, 31 anos, médico recém-formado, o profissional deve ter como principal preocupação olhar o paciente como um todo. Para ele, o diálogo estabelecido entre o profissional e quem está sendo atendido é fundamental para o êxito dessa relação e o sucesso de um tratamento. "Às vezes, o paciente só precisa ser ouvido para aliviar o sofrimento. Devemos exercer a Medicina de forma humanizada, buscando manter e restabelecer a saúde do paciente, além de trabalhar na prevenção de doenças", comenta.
Apaixonado pelo ofício, o médico conta que sempre ansiou em saber se seria realizado na profissão que escolheu. Hoje, não tem dúvidas. "Já descobri que sim. Acordo todos os dias para trabalhar e, mesmo que, às vezes, esteja cansado, tenho disposição para seguir, pois estou fazendo o que gosto. Acho que minha maior expectativa é me tornar um bom médico, um profissional que realmente faça a diferença para os pacientes", destaca.
Entre os maiores desafios de ser médico na atualidade, ele aponta a crise do sistema de saúde.
De acordo com Nogueira, cabe aos médicos saberem atuar dentro das limitações impostas, procurando o melhor atendimento ao paciente, sempre de forma segura e eficaz. "No entanto, não podemos aceitar o descaso em relação à saúde pública e devemos lutar por recursos e investimento na área em nosso País", reforça.
O profissional explica que a carência de recursos se revela no dia a dia, como na falta de medicamentos e de contratação de profissionais capacitados, na demora nos atendimentos especializados e para a realização de exames, além da falta de manutenção nos postos de saúde e hospitais, o que atinge diretamente a população mais carente.
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