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doenças laborais

- Publicada em 00h00min, 08/10/2018.

Em busca de ambientes mais humanizados

Pensar que, no ano passado, quase 94 mil pessoas foram afastadas do trabalho formal por transtornos psicológicos revela uma realidade alarmante. As doenças mentais já afetam a economia, e sua ocorrência pode ser devastadora para famílias e organizações. Considerados males do nosso tempo, esses transtornos chamam a atenção para a necessidade das organizações e seus gestores olharem com mais atenção para o aspecto humano de quem compõe o quadro funcional.
Pensar que, no ano passado, quase 94 mil pessoas foram afastadas do trabalho formal por transtornos psicológicos revela uma realidade alarmante. As doenças mentais já afetam a economia, e sua ocorrência pode ser devastadora para famílias e organizações. Considerados males do nosso tempo, esses transtornos chamam a atenção para a necessidade das organizações e seus gestores olharem com mais atenção para o aspecto humano de quem compõe o quadro funcional.
A psicóloga Márcia Vitorello, especialista em Psicanálise e Psicologia do Trabalho, e doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do sul (Ufrgs), afirma que a depressão e todos os seus correlatos não se originam somente no campo do trabalho. Segundo ela, são sintomas sociais característicos do nosso tempo. A mudança rápida e drástica em relação às instituições e às expectativas que os indivíduos depositam nos outros são o estopim para esse tipo de doença.
"Hoje, não se aceitam mais as tristezas, e as pessoas têm obrigação de estarem sempre muito felizes e perfeitas. Esse imperativo da felicidade gera o seu oposto, que é a depressão e a ansiedade. E isso ocorre em todos os aspectos da vida, não apenas no ambiente de trabalho", explica Márcia.
Os ímpetos de uma sociedade consumista, que mede o valor dos sujeitos de acordo com o que possuem, também contribuem para o sentimento de vazio que está na origem do avanço dos transtornos psicológicos. O adoecimento, na maioria das vezes, não é apenas psíquico. A tensão gerada pelas situações cotidianas se volta para o próprio corpo e ocorrem as doenças psicossomáticas variadas, que podem ir de uma simples dor de cabeça até problemas estomacais, Lesão do Esforço Repetitivo (LER) ou infarto, em casos extremos.
Um dos transtornos mais emblemáticos é a Síndrome de Burnout, um distúrbio psíquico que pode ser considerado de caráter depressivo, que se origina no esgotamento físico e mental intenso, recorrente e duradouro. A causa da síndrome está diretamente ligada aos meandros da rotina de trabalho. Pesquisa realizada pela entidade International Stress Management Association (Isma) no Brasil revela que cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem do transtorno, que, normalmente, precisa ser tratado com medicamentos e psicoterapia.
"A demanda pelo funcionário perfeito, colaborativo, bem relacionado, que está sempre bem e veste a camiseta da empresa exige um grande esforço. Ao mesmo tempo, esse sujeito precisa ser competitivo e convive com a ideia de que pode ser descartado a qualquer momento. É o ambiente ideal para os transtornos depressivos", destaca Márcia.
A solução para problemas como esse passam pelo cuidado pessoal de cada um com a sua própria saúde, buscando aconselhamento médico e psicológico, mas também pelos setores de gestão das empresas, que devem proporcionar ambientes mais amigáveis aos funcionários. Criar espaços para que se expressem sobre suas rotinas e desafios, além de fomentar a sua criatividade, podem ser caminhos para minimizar os efeitos desse mal moderno e devastador. Uma vez diagnosticado com um transtorno de ordem depressiva ou de ansiedade e pânico, o paciente pode ficar afastado do trabalho por até 120 dias, o que é ruim para a empresa e também para o trabalhador.
"As organizações têm que examinar constantemente as suas práticas para garantir a autonomia, a expressão, a criatividade e a realização de seus profissionais. Quando esses conceitos estão bloqueados, a qualidade do trabalho também fica reduzida. Um olhar mais humanizado por parte das empresas permitirá que elas se reconectem com o conceito de que uma organização é feita por pessoas comprometidas e participativas", completa a psicóloga.

Trabalhe com saúde

  • Encontre um tempinho na sua rotina para praticar alguns exercícios básicos de alongamento. Não precisa ter roupa especial nem parar seu trabalho por horas. Bastam alguns minutos, o tempo de uma ida ao banheiro ou de um cafezinho;
  • Alongamento reduz a tensão muscular e promove relaxamento e bem-estar;
  • Com músculos e tendões estendidos, o corpo fica mais elástico e flexível, reduzindo dores;
  • O alongamento laboral ajuda a prevenir lesões, quando praticado corretamente e com supervisão;
  • Mudar de posição algumas vezes durante o dia é fundamental. Por isso, não fique horas sentado ou de pé. Procure intercalar, dentro da sua possibilidade;
  • Pratique exercícios físicos regularmente. Seja para prevenir lesões físicas ou traumas psicológicos, a atividade física regular é uma grande aliada. Além de proporcionar momentos de lazer e descontração, os exercícios fortalecem os músculos e tendões, afastando os riscos de lesões ou dores laborais;
  • Cansaço extremo, dificuldade para dormir, tristeza, falta de concentração e ansiedade podem ser mais do que apenas preocupações com o trabalho. Procure o psicólogo e o médico psiquiatra regularmente.
Fontes: Educadora física Cíntia Detsch Fonsec e médico do trabalho Fábio Ruschel

Pratique você mesmo

Aqui vão breves dicas, preparadas pela equipe de Saúde do Trabalho do Hospital de Clínicas, para você fazer no seu local de trabalho.
Exercício 1
  • Sentado, com os dedos entrelaçados, leve os braços à altura dos ombros e empurre as palmas das mãos para a frente e as costas para trás. Respire profundamente e permaneça por alguns segundos.
Exercício 2
  • De pé, com as pernas afastadas e os joelhos levemente flexionados, incline o tronco para o lado direito, com o braço esquerdo estendido acima da cabeça. Repita para o outro lado. Faça 10 ou 15 repetições.
Exercício 3
  • Sentado ou de pé, gire a cabeça, olhando por cima do ombro. Repita para o outro lado 10 ou 15 vezes.
Exercício 4
  • De pé, flexione a perna esquerda para a frente, mantendo o joelho na mesma linha do pé e a perna direita estendida para trás. Mantenha os pés totalmente apoiados no chão. Permaneça por 30 segundo em cada perna. Não esqueça de contrair o abdômen e manter o tronco ereto.
Exercício 5
  • Sentado na sua cadeira de trabalho ou de pé no seu posto, em um breve momento de folga, estenda o braço para frente e puxe os dedos para cima com a outra mão. Mantenha a posição por 10 segundos em cada uma das mãos.
Exercício 6
  • Com o braço estendido, puxe o cotovelo do braço direito com a mão esquerda, em direção ao ombro esquerdo. Segure por 15 segundos e repita no outro braço.
Fonte: Educadora física Cíntia Detsch Fonseca
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