Porto Alegre, quarta-feira, 28 de novembro de 2018.

Jornal do Comércio

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FERTILIDADE

Notícia da edição impressa de 18/10/2018. Alterada em 28/11 às 12h43min

Tempo é o maior inimigo para fertilidade das mulheres

Mariangela enfatiza que nada pode mudar o fato de que a idade impacta na produção de óvulos

Mariangela enfatiza que nada pode mudar o fato de que a idade impacta na produção de óvulos


JEFFERSON BERNARDES/DIVULGAÇÃO/JC
As causas mais comuns de infertilidade são as ovulatórias, como os ovários policísticos, por exemplo. Também há doenças como a endometriose, que é o crescimento descontrolado do endométrio (parede interna do útero), e atinge cerca de 10% das mulheres, reduzindo drasticamente as chances de gravidez. Há, ainda, as complicações tubárias e os miomas, bastante comuns. A infertilidade masculina é responsável por cerca de 30% dos casos de insucesso nas tentativas de gestação.
O que mais chama a atenção, no entanto, é um outro problema, característico do momento histórico em que vivemos. O planejamento tardio da maternidade, que, na maioria das vezes, decorre da presença das mulheres no mercado de trabalho e da sua busca por realização profissional, tem a redução da fertilidade como principal consequência.
As mulheres nascem com um número que varia entre cinco e seis milhões de óvulos, formados ainda na vida uterina. A partir disso, esse estoque não se renova e só envelhece. Para se ter uma ideia, ao menstruar pela primeira vez, uma menina já tem apenas entre 300 mil e 400 mil óvulos. Aos 40 anos, são menos de 10 mil. E, aos 45, o estoque não chega a mil.
"Mesmo com todos os avanços da medicina, nada pode mudar isso. A mulher perde milhares de óvulos todos os meses, invariavelmente. Mesmo quando está grávida, seus óvulos estão morrendo. É por isso que o tempo ainda é o maior inimigo da fertilidade feminina", explica a ginecologista e especialista em reprodução humana, Mariangela Badalotti.
Diretora de uma clínica de reprodução assistida em Porto Alegre, Mariangela comenta que a média de idade das mulheres que procuram a intervenção médica nas clínicas privadas para engravidar é de 37 anos. A maioria delas já resolveu suas questões profissionais e conquistou a estabilidade financeira. Sua fertilidade, no entanto, se reduziu.
"Sempre dizemos às mulheres que procurem os recursos médicos, pois a infertilidade pode ter solução. Há esperança, mesmo para quem esperou tempo demais. Temos tecnologia médica de ponta aqui no Rio Grande do Sul, alinhada com o que existe de mais novo e eficiente no mundo da reprodução assistida", ressalta a médica.

Espera por tratamento gira em torno de três anos no Fêmina

O Hospital Fêmina, do Grupo Hospitalar Conceição, é o único no Sul do Brasil a oferecer tratamentos para infertilidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS) - alguns serviços, como a inseminação artificial e a fertilização in vitro, estão temporariamente suspensos devido a obras no hospital, mas devem ser retomados. No sistema público, as causas mais comuns de infertilidade são fatores tubários e endometriose.

De acordo com a ginecologista responsável pela Unidade de Reprodução Humana do Fêmina, Andrea Nácul, a fila de espera por um tratamento gira em torno de três anos. Atualmente, cerca de 400 mulheres aguardam para fazer fertilização in vitro. "A demanda, no entanto, é bem maior.

Na Secretaria de Saúde do Estado, são mais de mil pacientes aguardando para serem encaminhadas para o serviço. É uma corrida contra o tempo para podermos ajudar essas mulheres", comenta. Via de regra, o hospital oferece quatro ciclos de inseminação artificial antes de encaminhar a paciente para a fertilização in vitro. São oferecidos três ciclos desse procedimento, o que costuma resultar em um índice de 70% de gravidez.

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