Porto Alegre, quarta-feira, 17 de outubro de 2018.

Jornal do Comércio

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LONGEVIDADE

Notícia da edição impressa de 18/10/2018. Alterada em 08/10 às 00h00min

Em 10 anos, Rio Grande do Sul terá mais idosos do que crianças

Rio Grande do Sul será o primeiro estado brasileiro a ter mais idosos do que crianças em sua população

Rio Grande do Sul será o primeiro estado brasileiro a ter mais idosos do que crianças em sua população


RUI BORGMANN/DIVULGAÇÃO/CIDADES
O leitor, provavelmente, lembra, ainda dos seus tempos de estudante, nas aulas de geografia do Ensino Médio, das pirâmides etárias. Aqueles gráficos, criados para representar a distribuição etária da população ao longo de décadas, mostram um cenário atual e uma projeção futura.
No caso do Brasil, a base da pirâmide costumava ser larga, e o topo, estreito. Ou seja, até pouco tempo atrás, o número de indivíduos jovens superava, em muito, o de idosos. As projeções para o decorrer do século XXI, muitas vezes associadas aos países mais ricos, por outro lado, indicavam uma tendência de envelhecimento da população, com o topo alargando, e a base ficando cada vez mais estreita.
Aquilo que era projeção, agora, é realidade. Não apenas em nações com um estado de bem-estar social mais avançado, mas também no Brasil. Vivemos, nas primeiras décadas deste século, um momento crucial de transição entre as duas pirâmides etárias. Caminhamos, portanto, a passos largos, para um cenário de envelhecimento da população. Hoje, a faixa etária acima de 65 anos é composta por 19,2 milhões de pessoas, pouco mais de 9% do total de brasileiros. Em 2060, segundo dados da Projeção de População, pesquisa que estima os padrões de crescimento da população, revisada em 2018 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um quarto (25,5%) dos brasileiros terá mais de 65 anos.
Até pode parecer um horizonte distante se pensarmos apenas em 2060. Mas basta olhar para o cenário gaúcho para ver o imediatismo da situação. O Rio Grande do Sul vai ser o primeiro estado brasileiro a ter mais idosos do que crianças em sua população. E a reversão vai acontecer logo: daqui a pouco mais de 10 anos, em 2029. Isso porque os gaúchos já atingiram - e devem manter, nos próximos 40 anos - um patamar baixo de nascimentos, na casa de 1,68 filhos por mulher. Enquanto isso, em paralelo, a expectativa de vida não para de crescer. Hoje, é de 79,29 anos entre os gaúchos. Em 2060, será de 83,91. Consequentemente, aumenta a proporção de idosos em relação aos jovens.
Embora a principal discussão em torno da transição demográfica seja pautada pela necessidade de uma reforma na Previdência Social, o contexto de envelhecimento traz à tona uma série de questionamentos ao Brasil: por que estamos vivendo mais? Como estamos tratando a população mais velha? Quais são as necessidades sociais e médicas dessa faixa da população? E quais os segredo de quem passou dos 90 anos? "A medicina e a sociedade precisam se adaptar a essa nova realidade", ressalta o professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Gilberto Schwartsmann.
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Controle de doenças cardiovasculares, dieta e exercício físico favorecem vida longa

São várias as explicações, por exemplo, para a diminuição da fecundidade: o avanço dos métodos contraceptivos, o planejamento familiar, a entrada das mulheres no mercado de trabalho e o processo de urbanização. Mas o questionamento mais intrigante, quando pensamos no envelhecimento proporcional da população, não é por que estamos tendo menos filhos, mas, sem dúvida, por que estamos vivendo mais? A lista de motivos é extensa.

É consenso que ações tomadas no século XX têm resultado prático até hoje. Por exemplo, melhorias estruturais em saneamento e higiene, além de políticas públicas de vacinação em larga escala, foram fundamentais para vivermos cada vez mais. Além disso, nas últimas décadas, alguns avanços da medicina também impactaram positivamente. Nesse sentido, o professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Gilberto Schwartsmann e o médico cardiologista Fernando Lucchese destacam a contribuição da redução da mortalidade por causas cardiovasculares no aumento da expectativa de vida.

"As pessoas estão medindo mais a pressão arterial, o que aumenta o controle sobre problemas cardiovasculares. Também estão com mais informações sobre dieta, principalmente sobre os perigos do excesso de sal, criou-se uma cultura do exercício físico e do controle da obesidade, e há mais diagnóstico sobre a diabete", pontua Schwartsmann. "A compreensão dos fatores de risco da doença cardíaca aumentou a sobrevida dos corações. Os corações duram mais porque sabemos, por exemplo, a importância do exercício físico e do controle e correção do colesterol", completa Lucchese.

Portanto, a prática de exercícios físicos, associada a uma atenção especial à dieta, é princípio básico caso o indivíduo queira ter uma vida longa. Outro fator decisivo - e no qual o Brasil se saiu bem nas últimas décadas - é o combate ao cigarro, responsável por doenças como câncer e enfisema pulmonar. A criação de leis proibitivas e de campanhas educacionais surtiu efeito. O Brasil experimentou uma redução drástica no número de fumantes: segundo o Ministério da Saúde, a incidência do hábito de fumar caiu 36% nos últimos 15 anos. Em 2016, quando a pesquisa foi publicada, apenas 10,2% dos adultos brasileiros fumavam.

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