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Notícia da edição impressa de 24/08/2018. Alterada em 23/08 às 00h00min

Exportação de gado vivo ajuda Rio Grande do Sul a ganhar mercado

Apesar de ser vista como uma alternativa rentável, venda ainda não vem compensando as perdas acumuladas do setor com a crise, uma vez que a operação é restrita a terneiros

Apesar de ser vista como uma alternativa rentável, venda ainda não vem compensando as perdas acumuladas do setor com a crise, uma vez que a operação é restrita a terneiros


/MARCO QUINTANA/JC
Um dos temas mais polêmicos do ano é, também, o que tem sido apontado como salvação pelos criadores de gado, não só no Rio Grande do Sul como em todo o Brasil. Frente à crise do mercado interno, um dos desafogos no ano vem da exportação de gado vivo para a Turquia, que garante preços melhores aos produtores.
"O que nos salva é a exportação do terneiro vivo. Não vendemos para cá com dor no coração, mas, se me oferecem R$ 7,50 o quilo, não posso vender aos frigoríficos por menos de R$ 5,00 o quilo", argumenta o presidente da Associação Brasileira de Angus, José Roberto Pires Weber. O aumento na exportação é visto como "decisivo" pelo presidente da Farsul, Gedeão Pereira, que acrescenta que, sem isso, a situação seria "devastadora" no campo, pois os preços do mercado na produção de terneiros estariam muito aquém ao praticado atualmente.
Apesar disso, Gedeão lembra que a exportação não chega a compensar as perdas do setor com a crise, pois é restrito a um segmento da cadeia - a venda de terneiros. "É um nicho, porção pequeníssima da produção, mas que traz componente de concorrência saudável para o mercado brasileiro, que é altamente concentrado", acrescenta o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz. A média história de embarques de gado vivo, segundo o economista, é de apenas 1% da criação.
Embora aconteça há muito tempo, as exportações de gado vivo têm chamado a atenção pela escalada a partir de 2016. Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) compilados pela Farsul, naquele ano foram exportadas 52 mil cabeças, número que subiu para 64,3 mil cabeças em 2017. Em todo o ano passado, a venda gerou US$ 35,6 milhões aos produtores gaúchos.
Neste ano, porém, apenas entre janeiro e julho, a exportação já atropela os dados do ano passado. Já foram embarcadas 91,1 mil cabeças ( 162% em relação ao mesmo período de 2017), que renderam US$ 56,3 milhões aos produtores ( 207% em relação aos sete primeiros meses do ano passado). Todos os animais vendidos em 2018 tiveram como destino a Turquia, país no centro do debate internacional por conta da forte desvalorização de sua moeda nas últimas semanas.
No início de agosto, a moeda turca atingiu sua mínima histórica, com o dólar chegando a valer em torno de 7 liras, segundo dados do Banco Central da República da Turquia. Desde lá, a taxa de câmbio se estabilizou em torno de 6 liras, totalizando uma desvalorização de quase 60% desde o início de 2018, segundo a entidade monetária. A situação preocupa os criadores gaúchos, segundo Gedeão.
Se não houver melhora no quadro, a expectativa de Luz é que haverá um enfraquecimento nesses embarques no último trimestre do ano e mesmo em 2019. "Mesmo assim, eles vão continuar comendo carne bovina, e seguirá sendo mais caro comprar a carne pronta do que o gado vivo", comenta o economista da Farsul, lembrando que não é improvável, portanto, que o país continue demandando terneiros mesmo com a crise. Há sempre a possibilidade, também, de que outros compradores apareçam, como o Líbano, por exemplo.
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