ABHB fecha parceria com Minerva Foods



Criadores de Hereford deverão ter acesso, ainda neste ano, a ferramenta de acasalamento dirigido
CRÉDITO: /LUIZA PRADO/JC
A Associação dos Criadores de Hereford e Braford (ABHB) apresentou, durante a 42ª Expointer, uma série de novidades. Entre elas está a parceria com a Minerva Foods, com o objetivo de ampliar a atuação das raças no País e bonificar os produtores. "Neste primeiro momento, não vamos trabalhar com certificação da carne, mas a bonificação virá como incentivo para que, no futuro, comecemos a certificar", disse o presidente da ABHB, Luciano Dornelles. Para ele, trata-se de um momento especial para alavancar ainda mais a genética das raças, proporcionando aos criadores de todo o Brasil uma grande valorização do seu produto. O trabalho em conjunto será realizado em oito unidades do Minerva, em seis estados.
A associação também apresentou uma série de novidades inseridas no programa de avaliação genética PampaPlus. Entre elas está a inserção, nos sumários das raças, de informações sobre avaliação de carcaça via ultrassonografia. Através da técnica, são identificadas características como área de olho de lombo, relacionada com rendimento de carcaça, componente importante no preço, pois tem a ver com o peso final da carcaça, acabamento de carcaça que mede a região da costela e da picanha, e o marmoreio, que é a gordura interna da carne que dá sabor e suculência. "A partir dessas informações, vamos lançar, até o fim deste ano, outra ferramenta que refletirá o lucro do sistema de produção, através da construção de índices bioeconômicos, que relacionarão informações de desempenho e crescimento dos animais com dados da ultrassonografia", explica o chefe adjunto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Embrapa Pecuária Sul, parceira da ABHB no PampaPlus, Fernando Cardoso. Com a ferramenta, o produtor poderá saber quanto que vai lucrar a mais no sistema de produção por vaca acasalada com determinado reprodutor. O índice será um valor em que se adiciona ao lucro do sistema de produção.
A ABHB também vai disponibilizar, ainda neste ano, uma ferramenta de acasalamento dirigido, através da qual o produtor passa a lista dos touros que quer usar e das fêmeas que ele tem para acasalar com aqueles touros. A partir daí, será usado um algoritmo de Inteligência Artificial para dizer qual a melhor combinação e, assim, maximizar o índice dos animais e controlar características indesejáveis. "É um programa que vai ser integrado na plataforma do PampaPlus, via internet", diz Cardoso.
Outra novidade é a dupla marca em fêmeas, um registro de mérito que destaca animais superiores. Prevista para ser lançada em 2020, a segunda marca - que, até então, era realizada apenas nos machos - focará também nas fêmeas em função do desenvolvimento tecnológico que elas apresentam em biotecnologia da reprodução, transferência de embriões e fertilização in vitro. "Esse animal com duas marcas é reconhecido pelos compradores e sai com preços maiores nos leilões. Os que têm a marca única que também são bons, mas com duas marcas são os tops dos tops", explicou a superintendente de registros genealógicos da ABHB, Zilah Gervasio Cheuiche.
 

Carne Pampa deve repetir recorde em certificação de carcaças registrado no ano passado

O programa Carne Pampa da Associação Brasileira dos Criadores de Hereford e Braford deve repetir em 2019 o número recorde de certificações de carcaças registrado em 2018, quando teve incremento de 22% em relação a 2018. "Foram 51,1 mil cabeças certificadas no ano passado e nossa intenção para 2019 é equilibrar com os números de 2018" afirma gerente do Carne Pampa, Fabiana Rosa de Freitas.
Segundo Fabiana, o programa projeta a abertura de novos mercados ainda neste ano com novos parceiros no Paraná e 2020 abertura de frentes de trabalho para certificar em frigoríficos do Centro-Oeste e Norte do País. "A genética HB está sendo difundida em todos os estados da federação, para os mais remotos e com climas diferentes graças à adaptabilidade das raças". O programa que completa 21 anos em 2019 atua em parceria com frigoríficos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. 
A gerente diz que os produtores que têm animais certificados recebem, em média de 6,8% até 10% de incremento em cima do preço boi balcão, podendo, em alguns casos chegar a uma sobrevalorização de 12%. "Depende da tabela de bonificação de cada frigorífico. A rentabilidade é muito boa: o produtor investe, mas tem retorno no final da cadeia".
Entre os requisitos para receber o selo de certificação estão padrão racial, mantendo grau sanguíneo de 50% Hereford sem cruzas leiteiras, dentição jovem de zero a quatro dentes, boa cobertura de gordura. "O programa começou com foco na valorização do trabalho do produtor e hoje também tem como objetivo atender a demanda dos consumidores, cada vez mais exigentes em termos de qualidade de carne", finalizou Fabiana.



Publicado em 02/09/2019.