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Agronegócios

Notícia da edição impressa de 15/03/2019. Alterada em 15/03 às 13h47min

Agricultores, fábricas e bancos à espera de um novo Plano Safra

Agronegócio tem capacidade de absorver taxas maiores, afirma Costa

Agronegócio tem capacidade de absorver taxas maiores, afirma Costa


/MARIANA CARLESSO/JC
Thiago Copetti, de Não-Me-Toque
Produtores rurais, indústrias de máquinas, bancos e o setor de seguros convivem hoje com duas grandes expectativas: com será o Plano Safra 2019/2020 e se haverá novo aporte ao Moderfrota nas próximas semanas. A demanda mais urgente é por incremento de verba para a compra de máquinas, especialmente antes da Agrishow, no final de abril, em São Paulo. A dúvida maior é sobre como será a política de subsídios ao setor para o novo ciclo agrícola, que se inicia em julho. Os dois temas são recorrentes entre visitantes e expositores da Expodireto, que se encerra nesta sexta-feira, em Não-Me-Toque. A única questão à qual aparentemente há uma certeza é que novidades virão.
Para dar um pouco mais de previsibilidade ao setor, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse nesta semana que o anúncio do novo Plano Safra será divulgado o mais breve possível para "trazer mais tranquilidade ao setor, que anda preocupado". O anúncio da antecipação anima, por exemplo, o presidente da Expodireto, Nei César Mânica, por dar previsibilidade mais cedo ao setor. Mas Mânica segue pedindo, sempre que pode, em eventos com autoridades federais, que liberem urgentemente mais recursos ao Moderfrota para não prejudicar as feiras de agronegócios que ainda têm pela frente. Foi o que fez, nesta quinta-feira, em evento do Banco do Brasil na Expodireto, na presença do diretor nacional de agronegócios, Marco Túlio da Costa.
O executivo afirmou que não têm dúvidas de que o setor é prioridade da União e que nem a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, nem Paulo Guedes, da Economia, deixarão faltar recursos para esta ou para a outra safra. Costa até sinalizou que uma nova verba extra pode ser aportada ao Moderfrota para a Agrishow. Ao falar de subsídios menores para o ciclo 2019/2020, como já comentou o governo, não disse exatamente o que os produtores gostariam de ouvir.
"O agronegócio tem capacidade de absorver juros maiores ou de mercado. As condições diferem, claro, de produtor para produtor, mas os maiores já se valem de recursos de mercado, como em tradings (grandes multinacionais do setor), com taxas de 15% ao ano. Mas com a Reforma da Previdência mais recursos virão para o Brasil essa taxa cairá. É com essa aposta que o governo está trabalhando", disse Costa.
Por outro lado, diz, a ideia é ampliar de R$ 440 milhões os recursos para subsídio do seguro rural para R$ 1 bilhão. Costa diz que concorda com essa estratégia de direcionamento de valores extras ao seguro. Isso também atenderia uma demanda do setor e com um custo menor ao praticado no mercado, que também reduziria suas taxas. Com isso, ressalta, aumentará o número de produtores que poderá contar com essa garantia - com custo 50% menor.
"Acabamos de indenizar aqui um produtor rural, por exemplo, que teve perdas no arroz e entregamos a ele R$ 1,6 milhão para reduzir os danos que teve recentemente com o clima. Como funciona hoje, com o seguro rural tendo aporte de R$ 440 milhões, é insuficiente", destaca o executivo. Apesar da perspectiva de que o mercado privado terá que se adaptar a valores menores cobrados do produtor, como prevê Costa, o gerente nacional da Sancor Seguros, Éverton Todescatto, diz que vê na ampliação uma medida positiva. Ele avalia que assim será possível atender mais produtores. "Já estamos preparados para esse aumento da procura pelo seguro agrícola com a expansão das bases de atendimento", diz Todescatto.

Reduzir subsídios será inevitável, avaliam executivos

Campos, do DLL, acredita que novo modelo vai priorizar renda
Campos, do DLL, acredita que novo modelo vai priorizar renda
/RENAN COSTANTIN/DIVULGAÇÃO/JC

Ciente de que as mudanças no Plano Safra virão e que os juros serão maiores, o setor privado se movimenta para se adaptar. De acordo com José Luís Campos, superintendente comercial do DLL, instituição financeira que representa múltiplos fabricantes de máquinas e equipamentos agrícolas, o banco já começa a se estruturar para um novo cenário. Campos avalia que, diminuindo os subsídios, o setor poderá ter queda temporária de vendas até que o produtor e o mercado de adequem ao novo cenário. Para ele, o governo está passando de um modelo onde se prioriza o subsídio ao crédito para um modelo onde garanta a renda do produtor, em reduzir os custos de logística, burocracia, impostos e ampliando o seguro rural.

"É um modelo que, para mim, faz sentido. O problema é transição e fazer uma coisa sem arrumar a outra, como logística e transporte, por exemplo. É preciso oferecer competitividade e estrutura, proteção à renda em casos de calamidade e deixar o resto para o produtor e o mercado. Sem o Bndes com tanto peso na determinação de taxas e regras, teremos um mercado mais livre e competitivo, podendo criar novos produtos e serviços", avalia o executivo.

Para o superintendente executivo do Santander para o agronegócio, Paulo Bertolane, o governo não tem caixa suficiente para subsidiar o setor em todas a suas necessidades. E avalia que as reduções (de juros ou prazos) sofrerão alterações graduais. O uso do Crédito Direto ao Consumidor (CDC) para a aquisição de máquinas agrícolas ainda é bastante restrito e deve crescer com as mudanças, diz Bertolane. Hoje, o crédito do banco para compra de máquinas sem ser via Bndes representa apenas cerca de 20% do total.

"Se pode dizer que o crédito agrícola privado ainda é novo. Até pouco tempo atrás, quando se falava em financiamento ao produtor rural automaticamente se pensava em Bndes. Acreditamos que haverá uma abertura desse mercado do agronegócio nos moldes do que foi feito no passado com o crédito imobiliário, que era feito basicamente por um banco público (Caixa Econômica Federal)", analisa.

Público visitante lota corredores e movimenta estandes na reta final

Visitantes lotaram o parque no primeiro dia de sol na Expodireto 2019
Visitantes lotaram o parque no primeiro dia de sol na Expodireto 2019
/MARIANA CARLESSO/JC

Marcada pela chuva desde antes do início da feira, já que um vendaval danificou estandes antes mesmo da abertura, a Expodireto teve nesta quinta-feira um dia de sol intenso e grande público. O mau tempo afastou muitos visitantes do parque na segunda e na terça-feira, quando até tratores foram usados para retirar veículos do estacionamento, mas a quinta foi de céu limpo que atraiu uma multidão ao local, cerca de 69 mil pessoas. Nesta sexta, também com previsão de tempo bom, o movimento deve se repetir. E vale lembrar que é na reta final que a maior parte dos negócios são fechados.

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Editor-chefe: Guilherme Kolling | Editores de Economia: Luiz Guimarães, Luciana Radicione e Marcelo Beledeli | Reportagem: Thiago Copetti | Projeto Gráfico: Luís Gustavo Van Ondheusden | Diagramação: Caroline Motta, Luís Gustavo Van Ondheusden e Kimberly Winheski | Revisão: Thiago Nestor | Repórter no parque da Expodireto: Thiago Copetti