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Infraestrutura

19/02/2020 - 12h04min. Alterada em 19/02 às 12h05min

Modelo mais simples de licenciamento estimula projetos de irrigação

VISITA À FAZENDA JAGUARETÊ, EM ELDORADO DO SUL. PAUTA PRINCIPAL E CAPA DO CADERNO DA EXPOINTER.

VISITA À FAZENDA JAGUARETÊ, EM ELDORADO DO SUL. PAUTA PRINCIPAL E CAPA DO CADERNO DA EXPOINTER.


FREDY VIEIRA/JC
Ao eliminar a necessidade de o produtor apresentar projetos para construção de reservatórios em área com até cinco hectares para armazenar água da chuva e adotar o modelo online e auto declaratório no final de 2015 - com o Sistema de Outorga de Água (Sito) - o governo do Estado inverteu a curva de pedidos de licença e reduziu o tempo de espera. De acordo com Ana Pellini, Secretária do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o número de autorizações caiu de 635 em 2012 para menos de 240 em 2017. O que poderia parecer um dado negativo - como de redução no interesse dos gaúchos pela irrigação de lavouras, no entanto, é fruto da burocracia menor.
Ao eliminar a necessidade de o produtor apresentar projetos para construção de reservatórios em área com até cinco hectares para armazenar água da chuva e adotar o modelo online e auto declaratório no final de 2015 - com o Sistema de Outorga de Água (Sito) - o governo do Estado inverteu a curva de pedidos de licença e reduziu o tempo de espera. De acordo com Ana Pellini, Secretária do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o número de autorizações caiu de 635 em 2012 para menos de 240 em 2017. O que poderia parecer um dado negativo - como de redução no interesse dos gaúchos pela irrigação de lavouras, no entanto, é fruto da burocracia menor.
“Como eliminamos a necessidade e de outorgas para pequenos projetos, o número reduziu. E com isso hoje conseguimos liberar uma licença em 41 dias, em média. Esse tempo já foi muito maior”, assegura Ana.
O diretor do Departamento de Recursos Hídricos da secretaria, Fernando Meirelles, ressalta que não é apenas para as lavouras que os produtores gaúchos têm ampliado a reserva própria de água. “O uso da água para os animais, chamada de dessedentação, aumentou mas ainda pode evoluir. Isso poderia ter reduzido a perda de peso do gado na região onde a estiagem afetou o Estado de forma mais forte”, diz Meirelles.
Entre 2016 e 2017 o Sito teve registro de 10.074 obras. Destas, 8.807 foram para irrigação ou dessedentação animal. Segundo Meirelles, o dado que mais chama a atenção é o do número de municípios com obras: 444. “Isso porque agora temos uma facilidade muito maior de cadastro, o que possibilita que mesmo as obras menores sejam informadas. Assim, a maior parte das obras em situação irregular foi declarada em 2016 para permitir a obtenção da licença ambiental e financiamento bancário”, esclarece Meirelles.
O diretor Departamento de Recursos Hídricos alerta que o produtor ainda pouco adota a irrigação de salvamento, que demanda menos água, mas pode reduzir perdas. “O procedimento pode ser feito com mangueiras e consiste basicamente em alguns banhos na lavoura. Não chega a trazer altas produtividades, mas reduz perdas e tem custo acessível”, descreve Meirelles.

Déficit na capacidade de armazenagem começa a ser reduzido

O investimento de produtores rurais no Brasil é prioritariamente destinado a aumentar a produção, mas é ao armazenar o próprio grão que o agricultor ganha mais poder sobre o preço de venda de sua mercadoria. E é por isso, avalia o vice-presidente da Abimaq-RS, Hernane Cauduro, que o segmento de silos e armazéns deve ganhar mais importância nos investimentos do setor. "Boa parte da competitividade e dos ganhos está na produtividade da lavoura, mas também na armazenagem", destaca o executivo.
É com essa motivação, e fortalecendo as vantagens do armazenamento e as possibilidade de rentabilizar melhor o negócio após a colheita, que o setor aposta suas fichas. No últimos cinco anos, por exemplo, o Brasil registrou aumento de 24 milhões de toneladas em sua capacidade de armazenagem. O que, no entanto, não acompanha o aumento da produção de grãos, mas começa a reduzir o déficit.
Uma das empresas que comemoram esse cenário é a GSI, já tradicional expositora da feira de Não-Me-Toque. José Luiz Viscardi Junior, diretor de vendas de armazenagem da indústria, revela que as vendas desse segmento cresceram cerca de 20% no último ano. "E também vem em expansão a procura por secadores de grão, um processo que assegura a qualidade do produto antes de este ir para o silo. Nesse segmento, a procura cresceu 12%", comemora Viscardi.
Para a feira, diz o executivo, as perspectivas são cada vez mais positivas, devido principalmente à valorização da soja neste ano. Os ganhos recentes da cotação, avalia Viscardi, reduzem o tempo de retorno do investimento em armazenagem, que era de cerca de sete anos e agora cai para entre quatro e cinco anos.
"Mesmo não tendo tanta valorização, até mesmo a produção de milho se torna atrativa para quem quer investir em armazenagem. E como temos uma produção rápida, produtores do Centro-Oeste que vêm para a Expodireto podem fazer a aquisição e já usar o equipamento na safrinha de milho, entre junho e julho", garante o executivo das GSI.