Porto Alegre, terça-feira, 21 de julho de 2020.

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entrevista

- Publicada em 08h41min, 02/03/2020. Atualizada em 08h43min, 02/03/2020.

"Com estiagem ou não, a atividade do campo não para"

Nei Mânica ressalta que segmento de irrigação pode registrar maior procura

Nei Mânica ressalta que segmento de irrigação pode registrar maior procura


LUIZA PRADO/JC
Thiago Copetti
Tradicionalmente, a Expodireto Cotrijal é a primeira grande feira do ano no calendário do agronegócio gaúcho e tem como referência para os negócios, de certa forma, a paranaense Show Rural Coopavel, ocorrida um mês antes, em fevereiro. E, de acordo com o presidente da exposição de Não-Me-Toque, Nei César Mânica, os prenúncios da feira de Cascavel são positivos e similares ao que se espera para o evento gaúcho. “São feiras com modelos semelhantes e, assim como no Rio Grande do Sul, o Paraná teve problemas climáticos sem que isso afetasse os negócios por lá”, avalia Mânica. De acordo com os organizadores da Show Rural Coopavel, o desempenho neste ano alcançou R$ 2,5 bilhões, um incremento de R$ 300 milhões em relação à edição de 2019.
Tradicionalmente, a Expodireto Cotrijal é a primeira grande feira do ano no calendário do agronegócio gaúcho e tem como referência para os negócios, de certa forma, a paranaense Show Rural Coopavel, ocorrida um mês antes, em fevereiro. E, de acordo com o presidente da exposição de Não-Me-Toque, Nei César Mânica, os prenúncios da feira de Cascavel são positivos e similares ao que se espera para o evento gaúcho. “São feiras com modelos semelhantes e, assim como no Rio Grande do Sul, o Paraná teve problemas climáticos sem que isso afetasse os negócios por lá”, avalia Mânica. De acordo com os organizadores da Show Rural Coopavel, o desempenho neste ano alcançou R$ 2,5 bilhões, um incremento de R$ 300 milhões em relação à edição de 2019.
Mânica não faz estimativas para a Expodireto de 2020. Prefere ser mais prudente frente a tantos cenários incertos ainda em andamento: dos impactos na estiagem aos reflexos do coronavírus nas movimentações comerciais globais. “Mas, mesmo com essas incertezas, a feira será grande, em negócios e debates importantes para o setor”, destaca Mânica.
O presidente da Cotrijal também comemora um evento que ocorrerá fora do parque. Será inaugurada durante a Expodireto a recuperação e ampliação de faixas na rodovia que liga Não-Me-Toque a Carazinho, a ERS-142.
É uma reivindicação de muitos anos, da comunidade, e não apenas de produtores. Muitas vidas já se perderam ali. “Uma obra que agora se concretiza, como o governador Eduardo Leite assegurou, no ano passado, que seria feito”, comemora o presidente da Cotrijal.
Nesta entrevista, Mânica ressalta o otimismo que sempre marca a feira, que não é feita apenas por negócios, mas também pelos debates, pela exposição de conhecimentos e, neste ano, com destaque especial para a Arena Agrodigital.
Jornal do Comércio - O que esperar desta edição da Expodireto, que ainda ocorrerá com as incertezas sobre a extensão dos danos da estiagem?
Nei César Mânica - As perspectivas gerais para a Expodireto são boas, mesmo com os danos da estiagem, especialmente no milho, e em uma parte da soja. Inclusive com mais negócios voltados à irrigação, por exemplo. A mobilização em torno da feira está grande, tanto por parte da indústria quanto do produtor, que sabe que lá ele vai encontrar tecnologias para melhorar e ampliar a sua produção. Esperamos por um grande público. Com estiagem ou não, a atividade do campo não para. É uma atividade que continua sempre ocorrendo e precisando de investimentos. Outro fator importante é a abrangência da feira, que recebe não apenas produtores do Estado como de diferentes regiões do Brasil. E em outros estados a safra está indo bem, em geral. Mesmo no Rio Grande do Sul o clima foi desparelho. Os danos não são generalizados e há colheitas boas, por exemplo, no Mato Grosso, Goiás e outros estados. Tanto que a safra nacional segue com projeções em alta.
JC - O mercado em geral também tem muitas dúvidas sobre o coronavírus impactará nas exportações do agronegócio. Há tanto quem diga que pode haver benefícios como quem espera retração. Com o senhor avalia esse cenário?
Mânica - A China é tanto um país de grande oportunidade quanto de grandes ameaças. Qualquer movimento chinês pode aquecer o mercado ou freá-lo. Sempre se tem, claro, preocupação com o que ocorre neste imenso mercado consumidor. Há desde uma visão de que se pode exportar mais alimentos até um viés de um desaquecimento global. É um incógnita ainda, mas aparentemente os esforços chineses para colocar tudo em dia logo devem surtir efeito.
JC - O setor de máquinas é um dos grandes diferenciais da feira. Que perspectiva há para o setor? Há crédito suficiente no mercado no Moderfrota, por exemplo, para a procura neste dias?
Mânica - Recursos não faltarão dentro da Expodireto, isso é mais do que certo. Não necessariamente via governo federal e Plano Safra, mas também em recursos próprios das indústrias e dos bancos privados. A feira é muito bem planejada pelo setor financeiro, que está em peso dentro do parque. Cada vez mais o setor privado aposta no agro, melhora suas linhas de crédito e tudo isso aparece forte na feira.
JC - A Expodireto também se destaca pelos debates que promove dentro do parque. Com será este ano em termos de assuntos em destaque?
Mânica - Além dos tradicionais fóruns, como do milho, soja, do leite e do solo, por exemplo, teremos audiência pública sobre os problemas de conectividade no campo. E dentro dos próprios estandes as empresas estarão organizando fóruns e palestras internas, sobre uma diversidade grande de temas. Na Arena Agrodigital também teremos palestras magnas importante sobre inovação.
JC - E o setor internacional, como deverá se comportar? Antigamente havia financiamentos do BNDES para estrangeiros também, o que agora não ocorre mais.
Mânica - Neste ano teremos um bom número de presidentes de multinacionais também na feira, em razão da importância do evento. Certamente teremos boas surpresas ao longo da Expodireto. Na área internacional, procuramos que as delegações venham ver a nossa tecnologia e prospectar negócios para melhorarem suas produções de alimentos internas ou mesmo para ampliar sua competividade nas exportações, caso dos asiáticos, que compram alimentos mundo a fora.
JC - Ainda na esfera internacional, temos a Argentina, que já está com sua economia combalida há algum tempo. Como a crise vizinha influencia o agronegócio gaúcho?
Mânica - Realmente, a Argentina passa por um processo ruim há bastante tempo, e pode piorar com a mudança recente no governo do país. Isso impacta, sim, principalmente as indústrias exportadores. A Argentina é um nicho de mercado importante, mas crise, acredito, é algo sazonal que deve ser solucionada aos poucos nos próximos anos.
JC - Por outro lado, milho e soja são importantes insumos da pecuária, e o ano de 2019 foi marcado pelo avanço nas exportações de proteínas animais. Como isso se reflete na Expodireto?
Mânica - Sem dúvida isso cria um cenário muito positivo para nós. Basta olhar as empresas que produzem proteínas, de suínos e frango até a carne bovina, demandando cada vez mais grãos para alimentar animais. Há uma demanda global aquecida na produção de carnes, especialmente para comercialização para a Ásia, que muito nos beneficia. A pecuária, no momento, muito estimula a agricultura.
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