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Saúde

- Publicada em 15/10/2021 às 19h01min.

Após represamento, cirurgias eletivas voltam gradativamente

Kalil observa que muitos procedimentos não foram realizados em 2020

Kalil observa que muitos procedimentos não foram realizados em 2020


/LUIZA PRADO/JC
Karen Viscardi, especial para o JC
Cresce o número de cirurgias eletivas nos hospitais de Porto Alegre, mas o volume ainda está abaixo da necessidade da população que necessita do SUS. Conforme a Secretaria Municipal da Saúde (SES-RS), cerca de 18 mil procedimentos cirúrgicos eletivos foram autorizados pelo sistema Gerint, que gerencia as internações na Capital. Há cerca de um mês, eram 30 mil em lista de espera. Outras 30 mil aguardam consultas eletivas de especialidades cirúrgicas, quase a metade das 58 mil que estavam na fila por atendimento em setembro.
Cresce o número de cirurgias eletivas nos hospitais de Porto Alegre, mas o volume ainda está abaixo da necessidade da população que necessita do SUS. Conforme a Secretaria Municipal da Saúde (SES-RS), cerca de 18 mil procedimentos cirúrgicos eletivos foram autorizados pelo sistema Gerint, que gerencia as internações na Capital. Há cerca de um mês, eram 30 mil em lista de espera. Outras 30 mil aguardam consultas eletivas de especialidades cirúrgicas, quase a metade das 58 mil que estavam na fila por atendimento em setembro.
Mutirões de cirurgias represadas do SUS vêm sendo realizadas pela Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. "Comparados a antes da pandemia, estão relativamente estabilizados, mas a fila é maior porque muitos procedimentos não foram realizados no ano passado", explica Antonio Kalil, diretor médico da Santa Casa, destacando que há demanda por cirurgias em todas as áreas, incluindo convênios e particular.
As operações mais comuns na Santa Casa estão relacionadas a câncer, doenças cardiovasculares e neurológicas. "Muitos pacientes tiveram diagnósticos tardios de tumor de intestino e de mamas. Com isso, há uma maior gravidade no quadro e acabam permanecendo mais tempo internados", assinala Kalil. Outros procedimentos, que exigem atenção, mas têm menor complexidade, são as de hérnias, vesículas e doenças oftalmológicas.
A redução de atendimentos oftalmológicos, seja por medo de se contaminar por coronavírus ou dificuldade de acesso, vem provocando o agravamento de condições clínicas.
No Hospital Banco de Olhos de Porto Alegre, a utilização dos serviços está aquém da capacidade do hospital, que se manteve em operação desde o começo da pandemia. No hospital onde o SUS é responsável por 60% dos atendimentos, o fluxo representa 80% do registrado até 2019. Porém, na área de convênios e privada, o percentual é menor, destaca Luciano Castro Gomes de Mello, diretor administrativo do hospital.
Não há dados consolidados dos convênios e atendimentos particulares, e a realidade é divergente entre as instituições. O Hospital Mãe de Deus está funcionando a pleno, destaca Euler Manenti, diretor médico da instituição.
"O hospital está cheio, as cirurgias e os exames estão sendo realizados, os laboratórios e o centro clínico seguem sua rotina. Tudo dentro de rigorosos processos de proteção e segurança, em uma medicina baseada em evidência e na ciência", reforça o médico.
A frequência no ambulatório e no centro cirúrgico do Hospital Ernesto Dornelles, que atende convênios e particulares, está em torno de 70%. Já as UTIs estão com praticamente 100% de ocupação, detalha Airton Bagatini, coordenador da Perspectiva Assistencial do Ernesto Dornelles. A média no ambulatório e no centro cirúrgico poderia ser maior, relata o médico.
"O que impede uma maior lotação é o receio dos pacientes, mas tomamos todos os cuidados, as consultas espaçadas e não há acúmulo na área de espera e nos consultórios do ambulatório, que foram reformados", destaca Bagatini.

Entidades médicas defendem celeridade na retomada de diagnósticos

A situação melhorou nos últimos meses, após um primeiro semestre de queda no número de consultas, exames de rastreamento e outros procedimentos pelo SUS no País. Nos seis primeiros meses, foram realizados 50 milhões de procedimentos médicos ambulatoriais eletivos, 20% a mais em comparação ao mesmo período do ano passado (41,6 milhões). Mas considerando-se o primeiro semestre de 2019, há uma queda de 14%.

Em relação às cirurgias eletivas, houve melhora entre abril e junho. Mas como os números do primeiro trimestre ficaram bem abaixo de 2019, o desempenho do primeiro semestre foi de certa estabilidade, apenas 1,5% em relação ao ano anterior. Já na comparação a 2019, o resultado ficou bem aquém.

Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), entidades médicas defendem a necessidade de dar mais celeridade à retomada dos procedimentos ambulatoriais e de cirurgias eletivas.

Em números absolutos, os procedimentos realizados por oftalmologistas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) foram os que tiveram maior queda entre março e dezembro de 2020, considerando-se a mesma base de comparação de 2019. Foram 12,2 milhões em 2020, contra 18,5 milhões de procedimentos em 2019.

Levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) indica que 3,7 milhões de consultas oftalmológicas deixaram de ser realizadas em 2020 pelo SUS, número 35% inferior a 2019.

No caso das cirurgias, a redução chegou a 390 mil procedimentos no país, o que representou uma queda de 27% considerando-se a mesma base de comparação.

Em entrevista à Agência Brasil, o presidente do CBO, José Beniz Neto, destaca que milhares de pessoas receberão laudo de sua saúde ocular com problemas em estado mais avançado. "O controle dessas doenças fica mais complexo e difícil, com aumento da possibilidade de comprometimento da visão, seja total ou parcial", considera Neto.

Somente para tratar ou reverter glaucoma, considerada principal causa de cegueira evitável no mundo, pelo menos 6,5 mil cirurgias deixaram de ser realizadas no SUS no ano passado. A retração chegou a 22%, segundo números analisados pelo CBO. Com a flexibilização do isolamento social na maior parte do País e a retomada das operações, os especialistas temem alta expressiva da demanda e pacientes com a doença em estágio agravado.

Para acelerar a retomada dos diagnósticos, uma das alternativas é a adoção de mutirões de atendimento. Entre o final de setembro e o início de outubro, por exemplo, uma parceria entre Ministério Público do Rio Grande do Sul, Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Promotoria de Justiça da Infância e Juventude de Porto Alegre e com apoio da Sociedade de Oftalmologia do Rio Grande do Sul (Sorigs), proporcionou um mutirão solidário para consultas oftalmológicas de 220 crianças e adolescentes em acolhimento institucional.

Outra ação da Sorigs para tirar a pressão sobre o SUS está sendo gestada em parceria com a prefeitura de Porto Alegre. Até o final do ano deve ser lançado o projeto "Consulta Solidária", onde consultórios e clínicas irão ampliar a rede de atendimento ao abrir horários na agenda para exames gratuitos, principalmente de refração, para atualização dos óculos.

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