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Inovação

- Publicada em 03h00min, 16/10/2020. Atualizada em 09h28min, 16/10/2020.

Telemedicina avança, mas não substitui a medicina convencional

Médicos acreditam que a modalidade, difundida na pandemia, pode ser alternativa em alguns casos

Médicos acreditam que a modalidade, difundida na pandemia, pode ser alternativa em alguns casos


JOYCE ROCHA/JC
Yasmim Girardi
A pandemia foi responsável por regulamentar a telemedicina, assunto que já faz parte dos debates da comunidade médica brasileira há alguns anos. Ainda que as Leis nº 13.979/2020 e nº 13.989/2020 tenham autorizado o realização de teleconsultas enquanto durar a crise causada pela pandemia de coronavírus, outras modalidades já eram regulamentadas e utilizadas no Brasil, como o telediagnóstico e a teleconsultoria, por exemplo. Embora a legislação tenha data de validade, médicos acreditam que a telemedicina veio para ficar e que o cenário pós-pandemia seguirá favorável a essa nova forma de entregar saúde para a população.
A pandemia foi responsável por regulamentar a telemedicina, assunto que já faz parte dos debates da comunidade médica brasileira há alguns anos. Ainda que as Leis nº 13.979/2020 e nº 13.989/2020 tenham autorizado o realização de teleconsultas enquanto durar a crise causada pela pandemia de coronavírus, outras modalidades já eram regulamentadas e utilizadas no Brasil, como o telediagnóstico e a teleconsultoria, por exemplo. Embora a legislação tenha data de validade, médicos acreditam que a telemedicina veio para ficar e que o cenário pós-pandemia seguirá favorável a essa nova forma de entregar saúde para a população.
Antes da pandemia, a prática era utilizada para facilitar o acesso à saúde. O telediagnóstico, a teleconsultoria (também conhecida como teleinterconsulta), a teleorientação e o telemonitoramento eram opções regulamentadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) desde 2002. A norma limitava a telemedicina e permitia apenas que as modalidades de assistência, educação e pesquisa fossem realizadas. Assim, um paciente do interior do Estado, por exemplo, poderia fazer exames na Capital e receber os resultados em uma consulta pela internet, sem precisar se locomover novamente.
Agora, somada a essas outras modalidades, a teleconsulta permite atendimento médico de forma virtual. Porém, o vice-presidente do Conselho de Administração da Unimed Porto Alegre, Alexei Gobbi, deixa claro: a teleconsulta não substitui a consulta presencial. "Ela vem para complementar, assim como as outras modalidades da telemedicina. É para aproximar essas distâncias físicas que existem com ou sem a pandemia", aponta. Segundo ele, existem consultas que precisarão ser presenciais, mas a teleconsulta auxilia em casos em que a interação física não é necessária.
Para Gobbi, o médico é o guardião da qualidade da teleconsulta. É esse profissional que vai sinalizar, primeiramente, se pode ou não ser virtual e qual a melhor forma de acontecer. "Começamos a perceber que esse contato do médico e do paciente consegue ser preservado, mesmo na interface de um computador. Não substitui a consulta presencial, mas mantém a proximidade. Mesmo em uma nova consulta, o paciente consegue fazer uma interação bastante proveitosa, conseguindo ter alguma comunicação não verbal, ainda que se perca um pouco da riqueza da comunicação presencial", diz.
Algumas instituições, como o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e o Hospital Moinhos de Vento, por já estarem estudando o assunto há algum tempo, tiveram facilidade em implementar as teleconsultas.

Consultas remotas já eram usadas, mas pandemia expandiu método

No Rio Grande do Sul, alguns hospitais já faziam pesquisas e atendiam no modo "tele" há mais de sete anos, como o Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA). "Não fazíamos teleconsulta antes da pandemia, mas já realizávamos telediagnóstico em dermatologia, doenças respiratórias e oftalmologia. Nos últimos sete anos, já fizemos mais de 300 mil teleconsultorias", afirma o professor e chefe do Serviço de Ambulatório do HCPA, Roberto Umpierre. Além disso, foram cerca de 32 mil teleconsultas em sete meses de pandemia.

O Hospital Moinhos de Vento, desde 2016, por meio de uma parceria com o Ministério da Saúde e o TelessaúdeRS, promove um projeto de telediagnóstico em oftalmologia, o Teleoftalmo. São oito consultórios de oftalmologia espalhados em diferentes regiões do Estado. Lá, com a ajuda de um técnico de enfermagem ou enfermeiro, o paciente faz os exames e o oftalmologista, em Porto Alegre, avalia remotamente. "Realizamos mais de 30 mil consultas oftalmológicas; 70% dos pacientes não precisaram de consulta presencial, tiveram seu problema resolvido de forma virtual", conta o coordenador médico de Saúde Digital do Moinhos, Felipe Cabral. Os outros 30% foram encaminhados para consultas presenciais.

O Moinhos também tem um projeto de telemedicina em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) pediátricas em lugares como Palmas (TO), Sobral (CE) e Rio de Janeiro (RJ). "Às 8h, o médico conecta com a UTI de lá e faz recomendações para os médicos. É como se o médico daqui fizesse parte da equipe de lá", explica. Cabral conta que, em algumas UTIs, a teleconsultoria ajudou a reduzir os índices de mortalidade infantil.

Modalidades da telemedicina

  • Teleconsulta
  • Consultas para tratamento, prevenção de doenças e promoção de saúde;
  • Teleorientação
  • Orientação e encaminhamento de pacientes isolados, baseados em protocolos;
  • Telemonitoramento
  • Monitoramento de parâmetros de saúde e/ou doença, utilizando dispositivos eletrônicos conectados como balanças, glicosímetros, monitores cardíacos;
  • Teleconsultoria
  • Médicos trocam informações, auxílio diagnóstico ou terapêutico;
  • Telediagnóstico
  • Médicos avaliam resultados de exames e falam sobre diagnóstico.
 

Apesar de dificuldades, médicos aprovam experiência de atendimento online

Muitos médicos foram resistentes à implementação das modalidades da telemedicina. Agora, o cenário é outro. O vice-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers), Eduardo Neubarth Trindade, lembra do caso dos psiquiatras. No começo da pandemia, segundo ele, alguns não estavam abertos para essa possibilidade. "Foi uma modalidade da medicina que veio como avalanche nesse formato. Muitos tinham resistência e, agora, dizem que adoram as teleconsultas, que têm funcionado muito bem", conta.

Além da aproximação e da otimização de tempo, a telemedicina tem outros benefícios. Para Felipe Cabral, do Moinhos, é a oportunidade de entregar medicina de qualidade para mais pessoas, facilitando o acesso à saúde. Já para Roberto Umpierre, do HCPA, o ponto positivo para os médicos é que a telemedicina possibilita que o paciente esteja atento na consulta. "Às vezes o paciente vem com acompanhante ou fica no telefone e não consegue se concentrar. Na teleconsulta, é um momento que esse paciente fica 100% focado e aproveita bem mais a consulta", acrescenta.

Apesar de algumas dificuldades técnicas, de cultura ou de adaptação, a telemedicina tem se mostrado eficaz para aproximar médicos e pacientes. Ainda que não substitua o contato físico, o presidente do IPE Saúde, Marcus Vinicius de Almeida, acredita que a telemedicina fará parte do novo normal pós-pandemia. "Muitas pessoas não vão mais abandonar esse mecanismo se ele vier a ser regularizado e se essa lei se tornar algo permanente. Milhares de usuários do IPE terão na telemedicina uma aliada para cuidar da sua saúde, de modo mais tranquilo, seguro e confortável", afirma.

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