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Saúde

- Publicada em 12h26min, 26/10/2020.

Pesquisa da Ufrgs mostra que 68% da população têm sintomas depressivos na pandemia

Além dos óbitos e impactos na economia, sequelas emocionais são resultado dos 241 dias de Covid-19

Além dos óbitos e impactos na economia, sequelas emocionais são resultado dos 241 dias de Covid-19


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A pandemia do novo coronavírus completa oito meses no Brasil nesta segunda-feira (26). Os cansativos 241 dias sob a sombra da Covid-19 não deixaram sequelas apenas na economia, nas empresas fechadas, nos índices de desemprego. O isolamento social – ainda que bem menor atualmente – resultou em impactos emocionais na população, que, além de viver essa situação, ainda não enxerga perspectiva de sair dela com segurança.
A pandemia do novo coronavírus completa oito meses no Brasil nesta segunda-feira (26). Os cansativos 241 dias sob a sombra da Covid-19 não deixaram sequelas apenas na economia, nas empresas fechadas, nos índices de desemprego. O isolamento social – ainda que bem menor atualmente – resultou em impactos emocionais na população, que, além de viver essa situação, ainda não enxerga perspectiva de sair dela com segurança.
Foi para analisar essas sequelas emocionais que pesquisadores das áreas de psiquiatria e psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), em conjunto com colegas de outros campos do conhecimento, desenvolveram projetos e pesquisas para entender os efeitos dessas medidas na saúde mental da população.
Coordenada pela professora Adriane Ribeiro Rosa, a pesquisa Covid-19 “Saúde mental: usando a tecnologia digital para avaliação das consequências da pandemia”, realizada por um grupo multidisciplinar de pesquisadores do Laboratório de Psiquiatria Molecular da Ufrgs e do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), é o primeiro estudo brasileiro publicado em revista internacional sobre o assunto. O trabalho aponta que cerca de 80% da população sente-se mais ansiosa, 68% têm sintomas depressivos, 65% expressam sentimentos de raiva, 63% apresentam sintomas somáticos e cerca de 50% relatam alterações no sono.
Conforme Adriane, o objetivo do estudo foi identificar a prevalência de sintomas psiquiátricos e os fatores associados a ela na população brasileira. Para isso, foi realizada pesquisa online entre os dias 20 de maio e 14 de julho, que teve a participação de 1.996 indivíduos. Os participantes responderam a um questionário que avaliou a presença de 13 tipos diferentes de transtornos psiquiátricos, a gravidade dos sintomas apresentados e outras variáveis de interesse, tais como: informações sociodemográficas; histórico de doenças médicas e psiquiátricas; grau de conhecimento sobre a Covid-19; atitudes e práticas de higiene; grau de funcionalidade durante a pandemia; e qualidade de vida.
Os resultados revelam que, em relação à gravidade, entre todos os participantes, 1.690 (84,7%) apresentaram sintomas moderados a graves de ansiedade e 1.352 (67,7%), de depressão. De quem respondeu a pesquisa, 683 (34,2%) apresentaram sintomas de transtorno do estresse pós-traumático.
Adriane acrescenta que o grupo de indivíduos mais suscetíveis a esses sintomas são mulheres jovens, com menor escolaridade, menor renda e com histórico de doença psiquiátrica.
Comparando-se com estudos realizados em outros países, que apresentaram cerca de 30% dos participantes com sintomas de ansiedade e depressão, a pesquisa da Ufrgs/HCPA mostrou uma grande discrepância, que, segundo os autores, pode ser explicada, em certa medida, pelas diferenças socioeconômicas e culturais das amostras.
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