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Saúde

- Publicada em 10h07min, 01/09/2020. Atualizada em 10h11min, 01/09/2020.

Fapesp e Itaú Unibanco financiarão a continuidade do Epicovid-19

Entidades irão bancar as três últimas fases do inquérito epidemiológico após desistência do Ministério da Saúde

Entidades irão bancar as três últimas fases do inquérito epidemiológico após desistência do Ministério da Saúde


CRIS BOURONCLE/AFP/JC
Sem contar com o apoio do Ministério da Saúde, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) teve de ir atrás de financiamento para continuar realizando o Epicovid-19 BR, o mais amplo estudo sobre a prevalência de infecção pelo novo coronavírus realizado no Brasil. O apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Todos pela Saúde, iniciativa do Itaú Unibanco para enfrentar a Covid-19 no País, foi confirmado nesta segunda-feira (31).
Sem contar com o apoio do Ministério da Saúde, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) teve de ir atrás de financiamento para continuar realizando o Epicovid-19 BR, o mais amplo estudo sobre a prevalência de infecção pelo novo coronavírus realizado no Brasil. O apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Todos pela Saúde, iniciativa do Itaú Unibanco para enfrentar a Covid-19 no País, foi confirmado nesta segunda-feira (31).
As duas entidades irão bancar as três últimas fases do inquérito epidemiológico. A quarta fase, iniciada na quinta-feira da semana passada (27), será financiada pelo Todos pela Saúde, enquanto a quinta e a sexta fases, em setembro e outubro, contarão com recursos da Fapesp.
As três primeiras fases da pesquisa, realizadas a cada 15 dias entre maio e junho, foram coordenadas pela UFPel com recursos do Ministério da Saúde.
Projetado em seis etapas, o Epicovid-19 BR tem como objetivo estimar o percentual de brasileiros infectados com o SARS-CoV-2 por idade, gênero, condição econômica, município e região geográfica; determinar o percentual de assintomáticos; avaliar sintomas e letalidade, além de oferecer subsídio para políticas públicas e medidas de isolamento social. Nas três fases iniciais foram testadas mais de 89 mil pessoas em 133 municípios do território nacional.
“Este é o mais abrangente estudo epidemiológico sendo feito no Brasil com relação à presente epidemia de coronavírus. Seus resultados terão impacto no entendimento da imunidade coletiva, da taxa de contágio e, por conseguinte no retorno das atividades”, diz Luiz Eugênio Mello, diretor científico da Fapesp.
"A continuação do Epicovid-19, agora com novos financiadores, é essencial para a compreensão da evolução do coronavírus no Brasil. O estudo já mostrou que as crianças têm o mesmo risco de infecção que os adultos, que a maioria dos infectados apresenta sintomas e que os mais pobres possuem mais risco de infecção do que os mais ricos. As novas fases permitirão que o estudo siga produzindo conhecimento para o enfrentamento do coronavírus no Brasil e no mundo", diz Pedro Hallal, reitor da UFPel e coordenador-geral do estudo.
Serão avaliados os níveis de infecção nos mesmos 133 municípios das fases anteriores. Cada município será dividido em 25 setores censitários, nos quais serão selecionados aleatoriamente 10 domicílios. Em cada um dos domicílios, um morador, escolhido por sorteio, responde a um questionário com 15 questões sobre escolaridade, cor da pele, atividade econômica e condições de saúde, e outro morador é testado para a identificação de anticorpos contra o SARS-CoV-2.
O inquérito utilizará testes rápidos dos anticorpos SARS-CoV-2 IgG/IgM, com sensibilidade de 86,4% e especificidade de 99,6%. Na quinta e sexta etapa, a equipe de entrevistadores, que será treinada também para a execução dos exames, será contratada por meio de licitação.
Os três primeiros inquéritos identificaram uma prevalência média de contágio de 3,8% no conjunto da população da amostra, mas mostraram como a pandemia afeta desigualmente o País. Na calha do Amazonas, no entanto, a média foi de 20%. Na cidade de Breves, no Pará, por exemplo, 24,8% das pessoas testadas apresentaram anticorpos contra o vírus.
Entre o primeiro e o último levantamento, a prevalência da infecção dobrou na população como um todo: os percentuais passaram de 1,9% na primeira etapa, para 3,1% na segunda, e alcançaram 3,8% na última etapa. Nesse mesmo intervalo, o distanciamento social caiu de 23,1% para 18,9%.
Os resultados também demonstraram que, no período coberto pelo inquérito, “várias epidemias” estavam em curso no país. Enquanto no Norte 10% da população, em média, tinha ou já havia contraído o coronavírus, no Sul esse percentual ficava em torno de 1%. Em todas as fases da pesquisa, os 20% mais pobres apresentaram o dobro do risco de infecção em comparação aos 20% mais ricos. No caso dos indígenas, o risco de contrair a doença mostrou-se cinco vezes maior do que os brancos.
A pesquisa também estimou que crianças e adultos têm a mesma chance de contrair o vírus e que aproximadamente 90% dos casos apresentam sintomas. Metade dos entrevistados com anticorpos para a COVID-19 declarou ter dor de cabeça (58%), alteração de olfato ou paladar (57%), febre (52,1%), tosse (47,7%) e dor no corpo (44,1%).
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