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Saúde

Alterada em 24/06 às 17h01min

Especialista pede cautela em relação ao uso de dexametasona para tratar Covid-19

Zavascki reforça necessidade de estudo para que se possa verificar eficácia do medicamento

Zavascki reforça necessidade de estudo para que se possa verificar eficácia do medicamento


LEONARDO LENSKIJ/DIVULGAÇÃO/JC
Gabriela Porto Alegre
Na última semana, um grupo de pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, anunciou que, segundo um estudo realizado por eles, o corticoide dexametasona reduziu a mortalidade de pacientes graves de Covid-19. Apesar disso, o anúncio que surgiu como um ar de esperança em meio à pandemia de coronavírus, ainda é visto com cautela por não estar concluso.
Na última semana, um grupo de pesquisadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, anunciou que, segundo um estudo realizado por eles, o corticoide dexametasona reduziu a mortalidade de pacientes graves de Covid-19. Apesar disso, o anúncio que surgiu como um ar de esperança em meio à pandemia de coronavírus, ainda é visto com cautela por não estar concluso.
De acordo com o chefe do serviço de infectologia do Hospital Moinhos de Vento, Alexandre Zavascki, a diferença entre os estudos realizados até o momento entre a dexametasona e a cloroquina está, justamente, na possibilidade de benefícios de um e na não comprovação de efeitos benéficos de outro. Em relação a pesquisa sobre a dexametasona, o especialista afirma que ainda é difícil fazer um posicionamento sem o estudo completo que mostre de fato a eficácia do medicamento. “O que foi divulgado até o momento foi uma parte muito pequena do estudo, mostrando que ele teria encontrado resultados positivos. Não foi publicado um estudo completo ainda, então não conseguimos nos posicionar. Os autores estão dizendo que foi positivo, mas precisamos de dados completos publicados para poder fazer uma avaliação melhor”, ressalta.
Para o infectologista, com a pesquisa sendo concluída e seus resultados validados, o medicamento pode representar um avanço em relação ao tratamento de pacientes graves acometidos pelo novo coronavírus. “Conseguir diminuir a taxa de mortalidade nos pacientes graves é uma coisa bem importante e realmente representa um avanço que nenhuma terapia conseguiu provar na Covid-19.”
Ainda assim, Zavascki pede cautela enquanto o estudo completo não for divulgado e orienta para que a população não faça uso da dexametasona sem acompanhamento médico. “A orientação é, primeiro, que não se use essa medicação sem prescrição médica. Segundo, ela não está indicada no tratamento de infecções que na imensa maioria não são graves. Terceiro, porque ainda não se sabe se ela será indicada para todas as formas de infecção grave”, reforça, frisando, mais uma vez, a importância da divulgação do estudo para que se tenha um posicionamento mais efetivo sobre o tema. “Mesmo as formas graves (de infecção) se diferenciam, nós não sabemos que tipo de forma grave foi avaliada nesse estudo. É importante observar, inclusive, que nos pacientes não graves houve uma tendência até de aumentar a mortalidade, então é importante que se tenha esse cuidado”, enfatiza.
O corticoide dexametasona, dependendo da dose, pode atuar como anti-inflamatório ou como imunossupressor, segundo o especialista, o que pode acarretar alterações na saúde do paciente. “Ele pode alterar a glicose, a pressão, e apresentar alguns efeitos colaterais, principalmente em diabéticos e hipertensos. Por isso, é importante que as pessoas não usem essa medicação sem prescrição médica”. Conforme Zavascki, ainda não há um consenso de situação pacífica ou consensual entre a comunidade médica, uma vez que o estudo completo não foi divulgado. “É apressado dizer que a dexametasona vai funcionar para todo mundo, se é que ela realmente vai funcionar para alguém. Precisamos ter acesso ao estudo para isso.”
De acordo com os resultados preliminares da pesquisa, 2.104 pessoas receberam doses de 6 mg do medicamento, uma vez por semana durante 10 dias, enquanto 4.321 não tomaram o medicamento e foram tratados com cuidados habituais. O estudo clínico randomizado mostrou, como resultados preliminares, que as taxas de mortalidade de pacientes graves e submetidos à ventilação mecânica que tomaram o medicamento foi reduzida em um terço, enquanto a mortalidade dos que não estavam em respiradores, mas recebiam oxigênio suplementar foi reduzida em um quinto. Além disso, não houve benefícios para pacientes que não precisavam de ajuda de respiradores.
Em nota técnica, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) comemorou os resultados preliminares do estudo. “Temos o primeiro tratamento farmacológico para Covid-19 que mostrou impacto em reduzir a mortalidade. Como temos insistido desde o início da pandemia de Covid-19, os estudos clínicos randomizados e com grupo de controle é que devem nortear nossa conduta de 'como tratar Covid-19’”, diz um trecho do documento assinado pelo presidente da instituição, Clóvis Arns da Cunha.
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