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Saúde

Notícia da edição impressa de 19/06/2020. Alterada em 18/06 às 21h14min

Epidemiologistas divergem sobre distanciamento controlado

Modelo dividiu o Rio Grande do Sul em regiões para diferenciar políticas

Modelo dividiu o Rio Grande do Sul em regiões para diferenciar políticas


Reprodução/Governo do Estado do RS/ JC
Gabriela Porto Alegre
Em meio à pandemia do novo coronavírus, o governo do Rio Grande do Sul tem buscado alternativas para equilibrar a saúde da população com a da atividade econômica. Desde o início de maio, o governo vem implementando políticas diferenciadas por regiões, conforme os cenários locais da pandemia - o chamado distanciamento controlado.
Em meio à pandemia do novo coronavírus, o governo do Rio Grande do Sul tem buscado alternativas para equilibrar a saúde da população com a da atividade econômica. Desde o início de maio, o governo vem implementando políticas diferenciadas por regiões, conforme os cenários locais da pandemia - o chamado distanciamento controlado.
 
Após a adoção do modelo, os números da pandemia entre os gaúchos dispararam - aumento de 563,7% nos casos e de 286,6% nas mortes. Assim, a política estadual não é uma unanimidade, e epidemiologistas divergem sobre algumas questões relativas à flexibilização de atividades no Estado.
De acordo com o professor de Odontologia e doutor em Epidemiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) Paulo Petry, os novos casos de Covid-19 registrados nas últimas semanas mostram que houve um erro em relação à retomada de algumas atividades.
"Apesar da boa intenção, essa política se mostrou equivocada por algumas razões, em especial, por ter sido prematura", afirma o especialista. Para ele, a retomada de alguns setores e serviços pode ter impulsionado a disseminação da doença em um dos momentos em que mais se precisa manter a estabilização dos serviços de saúde. "Ainda vivemos uma curva ascendente de novos casos, com consequente aumento na ocupação de leitos e de UTIs, e tudo o que precisamos é evitar a sobrecarga do sistema de saúde."
Em contrapartida, o professor do Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina da Ufrgs e epidemiologista Jair Ferreira garante que há diferenças entre errar e tomar medidas que não deram certo. "Como não temos experiências anteriores com epidemias de coronavírus, as autoridades que devem tomar decisões sempre correm algum risco, seja o de agravar o problema sanitário, seja o de piorar a crise econômica", diz.
Em relação ao sistema de bandeiras imposto pelo governo do Estado, Ferreira alerta que, justamente por conta dos rumos incertos da pandemia, não há como se ter um planejamento fixo de médio ou longo prazo. "As decisões têm de ser tomadas conforme o panorama da doença vai mudando. Eu diria que é uma forma racional de lidar com o problema. Embora, eventualmente, possa haver um método melhor, não tenho visto propostas alternativas para o distanciamento controlado." Neste mesmo sentido, Petry afirma que o sistema de bandeiras pode até sofrer algumas falhas, mas ainda assim é muito eficaz. "Ele é eficiente em chamar a atenção para as áreas de maior risco e vulnerabilidade. Funciona como um radar para o referenciamento espacial, e isso é muito útil." 
Ainda assim, ambos os epidemiologistas reforçam a necessidade e a importância do distanciamento social. "O distanciamento se mostrou mundialmente como a alternativa mais eficaz para a redução da circulação do coronavírus. Os países que melhor enfrentaram esta pandemia foram os que mais precocemente adotaram o isolamento ou o distanciamento", diz Petry, além de reforçar a importância da testagem a fim de promover um rastreamento epidemiológico da doença.
Para Ferreira, ainda que a testagem em massa represente uma alternativa eficaz, ela não seria algo financeiramente viável e possível de fazer em curto prazo. "O que parece ser de bom senso é manter um isolamento social com determinadas regras que não permitam que a economia entre em colapso, pois, do contrário, criaremos um problema social que será pior que a própria epidemia", finalizou.
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