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Educação

Notícia da edição impressa de 12/05/2020. Alterada em 11/05 às 20h55min

"Não temos nada definido para a retomada das aulas", diz Faisal Karam

Segundo secretário da Educação, servidores no grupo de risco ficarão em casa

Segundo secretário da Educação, servidores no grupo de risco ficarão em casa


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Gabriela Porto Alegre
Com aulas presenciais paralisadas há mais de 50 dias, devido à pandemia de coronavírus, a situação da retomada do sistema de ensino no Rio Grande do Sul segue uma incógnita. Ainda que o governador do Estado, Eduardo Leite, tenha feito uma previsão para retorno das aulas em junho, com as instituições de ensino obedecendo às novas regras de segurança em saúde estabelecidas pelo modelo de distanciamento controlado, o secretário estadual da Educação, Faisal Karam, afirmou, em entrevista ao Jornal do Comércio, que ainda não há nada definido para o retorno das aulas.
Com aulas presenciais paralisadas há mais de 50 dias, devido à pandemia de coronavírus, a situação da retomada do sistema de ensino no Rio Grande do Sul segue uma incógnita. Ainda que o governador do Estado, Eduardo Leite, tenha feito uma previsão para retorno das aulas em junho, com as instituições de ensino obedecendo às novas regras de segurança em saúde estabelecidas pelo modelo de distanciamento controlado, o secretário estadual da Educação, Faisal Karam, afirmou, em entrevista ao Jornal do Comércio, que ainda não há nada definido para o retorno das aulas.
De acordo com Faisal, para que as aulas sejam retomadas no Rio Grande do Sul é preciso que se cumpra uma série de demandas relativas às questões de segurança, tanto dos alunos, quanto dos professores e demais servidores. "Não temos nada definido para a retomada, se vai ocorrer no próximo mês ou não. Estamos trabalhando há três semanas em um preparatório para o retorno às aulas, independentemente se elas acontecerão no dia 1º de junho, julho ou ainda em maio", afirmou o secretário. "Estamos trabalhando com protocolos que combinam com os do estado naquelas regiões e cidades onde ainda não existe foco, com a questão do distanciamento social e das cores por bandeiras."
Devido ao decreto que prorrogou a suspensão das aulas presenciais ao menos até o mês de junho, a Secretaria Estadual da Educação antecipou o período de recesso escolar da rede estadual. "Estamos até o dia 18 de maio em recesso. Os outros nove dias, correspondentes ao mês letivo, terão de ser recuperados após a retomada das atividades presenciais", afirma o secretário.
Conforme o titular da Seduc-RS, para que as atividades sejam reiniciadas presencialmente é necessário que as escolas disponham de materiais que vão desde termômetros, álcool gel e máscaras de proteção a tapetes bacterianos. A pasta chegou a fazer um levantamento para entender qual seria o custo de máscaras de proteção para 812 mil alunos e cerca de 78 mil servidores."Não é só uma questão de investimentos em materiais ou de quando e como serão distribuídos aos professores e alunos. Tudo isso tem que ser balizado e confirmado pela Secretaria Estadual de Saúde quando tivermos o retorno às aulas", diz Faisal. 
No entanto, todos estes protocolos são construídos com a secretaria de saúde e com o setor de epidemiologia do Estado. "Não é uma coisa tão simples. Estamos entregando um plano de retomada de aulas que tem que ser confirmado pela secretaria dentro de seus critérios de segurança."
Dos 78 mil servidores, cerca de 18%, independentemente de suas categorias, se encontram na faixa de pessoas com mais de 60 anos, pré-diabéticas ou com problemas respiratórios que as colocam nos grupos de risco da Covid-19. Quanto aos profissionais que compõem esse grupo, o secretário afirma que eles deverão ser afastados para evitar que fiquem expostos ao risco. "Se retornamos no período de inverno ou antes, sabemos que as questões respiratórias tendem a se agravar em decorrência das questões climáticas, então iremos sim afastar esses servidores para que eles não fiquem em contato com alunos e vice-versa."
Já em relação ao conteúdo programático do ano letivo, o secretário assegurou que não existe mais a possibilidade de as atividades continuarem através do modelo de aulas programadas, uma vez que os alunos não estavam recebendo conteúdos novos, apenas revisando material do ano anterior e o que foi ministrado antes da suspensão das aulas. Apesar disso, quando houver o retorno do período letivo, os alunos deverão apresentar essas atividades, a fim de serem avaliados e de tirarem eventuais dúvidas sobre os conteúdos. "A partir desse momento, a ideia é que voltemos e não tenhamos mais interrupções até o final do ano", ressaltou.
De acordo com Faisal, para que o ano letivo não seja perdido caso os efeitos da pandemia continuem no Estado por muito tempo, a ideia será tentar da melhor maneira possível fazer com que o aluno aprenda o que é fundamental para ele, deixando de lado outras coisas. "Não temos tempo hábil para aquela aula tradicional que sempre foi feita, em que o professor fazia complementações de atividades. Ele vai ter que estar muito focado em matérias específicas, em conteúdos específicos para que se consiga atingir a meta de chegar ao fim de 2020 com o ano letivo não perdido", observa.
Apesar das incertezas causadas pela Covid-19 no Estado, o secretário garante que a pasta está trabalhando para que todos tenham os melhores resultados possíveis dentro do momento totalmente atípico em que o País e o mundo estão vivendo. "Hoje, a nossa prioridade é poder concluir o ano letivo de 2020 que, eventualmente, pode entrar 2021, dependendo do tempo que teremos de paralisação. Tudo vai depender do quadro de evolução da pandemia e estamos tendo todo o cuidado para quando retornarmos, voltarmos com segurança".
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