Porto Alegre, sábado, 17 de outubro de 2020.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
sábado, 17 de outubro de 2020.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Consumo

- Publicada em 03h00min, 08/04/2020.

Luiza Trajano diz que crise atual supera a de Collor

Dos 40 mil funcionários da rede varejista, 20 mil estão em férias

Dos 40 mil funcionários da rede varejista, 20 mil estão em férias


/CLAUDIO FACHEL/ARQUIVO/JC

A presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, Luiza Trajano, afirmou nesta terça-feira (7) que o enfrentamento econômico da crise gerada pelo plano do ex-presidente Fernando Collor, que congelou recursos em 1990, representa 20% do que as empresas passam hoje no Brasil com a crise do coronavírus.

A presidente do conselho de administração do Magazine Luiza, Luiza Trajano, afirmou nesta terça-feira (7) que o enfrentamento econômico da crise gerada pelo plano do ex-presidente Fernando Collor, que congelou recursos em 1990, representa 20% do que as empresas passam hoje no Brasil com a crise do coronavírus.

"Ninguém pensou que um dia poderíamos viver algo parecido. Me perguntaram esses dias como foi a crise do Collor. Para mim, 20% do que estou vivendo hoje", afirmou durante evento. Participaram também Mansueto Almeida, secretário do Tesouro Nacional, e a consultora econômica Zeina Latif.

Em 1990, para tentar conter a hiperinflação que chegava aos 80% ao mês, Collor confiscou parte da poupança e do saldo em conta-corrente dos brasileiros, decisão que levou a um choque econômico de difícil recuperação a alguns setores. A recessão de 1989 a 1992 levou a uma queda de 7,7% do PIB, segundo o Comitê de Datação de Ciclos Econômicos da FGV. Luiza, à época, era presidente do Magalu. A empresária destacou as medidas iniciais da companhia para evitar demissões durante o isolamento imposto pelo agravamento da doença no país.

Dos 40 mil funcionários, cerca de 20 mil tiraram férias; os que estavam em contrato de experiência foram dispensados, mas receberam R$ 1.000,00 e possível garantia de retorno pós-crise. A empresa também acelerou um plano de incluir pequenos varejistas em sua plataforma digital, segundo Frederico Trajano, presidente da companhia.

"Levei 10 anos para 'o novo chegar' e agora mudou da noite para dia. Queríamos digitalizar quem não estava digitalizado e agora estamos tentando fazer isso em cinco dias", afirmou, referindo-se ao programa da marca destinado a pequenas empresas. Alguns investimentos da companhia estão congelados, segunda ela, devido ao coronavírus. Os cortes de custos tentaram proteger empregados. A empresa consegue, em parte, fazer isso porque tem 50% das suas vendas online.

"A empresa não vai mais ser a mesma, o tamanho do escritório não vai mais ser o mesmo, o sistema de tecnologia vai melhorar", disse. Segundo ela, é preciso deixar para trás discussões que se tornaram políticas, como o tipo de quarentena a ser adotado (o presidente Jair Bolsonaro saiu em defensa de um esquema vertical, com o comércio na ativa), e exigir mais previsibilidade sobre o período de confinamento, para que o varejo possa se preparar para o retorno.

Para ela, as medidas de apoio econômico divulgadas pelo governo federal até agora foram positivas, embora exista o desafio de levar os recursos até a ponta, nas pequenas empresas.

"São consistentes e globais para um primeiro momento", disse. A empresária criticou o que considera burocracias, como entraves bancários e repasses sindicais. "Minha preocupação é que chegue na ponta. O Brasil é muito confuso para chegar até a ponta."

Para Mansueto Almeida, parte dos desafios deve ser atribuída à Constituição. "Se a empresa estiver devendo na Previdência não pode receber empréstimo. A pergunta é: por que colocamos isso na Constituição?"

O varejo, representado por entidades como IDV (Instituto do Desenvolvimento do Varejo) e Abrasce, que representa os shoppings centers, já pleiteou ao Banco Central e ao Ministério da Economia mais razoabilidade nos juros e menos burocracia para acesso ao capital no contexto de confinamento.

Para a economista Zeina Latif, as ações do Executivo foram lentas e o Brasil demorou a tomar medidas de segurança, o que acarretou mais custo econômico e dificuldade para a definição de estratégias.

"Todas as nossas mazelas na crise ficam mais evidentes. A desigualdade em um país com problemas de saneamento, com grau de informalidade enorme. Tudo isso impõe desafios para a política pública", afirmou.

O varejo, segundo ela, é um setor que traz pouca preocupação se comparado à indústria. Os vendedores de bens duráveis, que são mais caros, deverão sofrer maior impacto. Já o setor de consumo essencial, como alimentício, deve se recuperar naturalmente, na visão da consultora.

Comentários CORRIGIR TEXTO