Porto Alegre, sábado, 17 de outubro de 2020.

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Relações internacionais

- Publicada em 19h24min, 01/04/2020. Atualizada em 12h15min, 02/04/2020.

'A gente precisa voltar para casa', apela advogada gaúcha, na África do Sul

Mariana e o namorado Vinicius estão na Cidade do Cabo e não sabem quando vão voltar

Mariana e o namorado Vinicius estão na Cidade do Cabo e não sabem quando vão voltar


MARIANA FOGAÇA/ARQUIVO PESSOAL/JC
Patrícia Comunello
Enquanto surgem movimentos no Rio Grande do Sul de pessoas que querem sair do isolamento para trabalhar e abrir empresas, gaúchos e brasileiros de outras regiões do País que estão em diversos pontos do planeta lutam nas últimas semanas para voltar para casa.
Enquanto surgem movimentos no Rio Grande do Sul de pessoas que querem sair do isolamento para trabalhar e abrir empresas, gaúchos e brasileiros de outras regiões do País que estão em diversos pontos do planeta lutam nas últimas semanas para voltar para casa.
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O fechamento de fronteiras e espaço aéreo em muitos países, para proteção contra o coronavírus,  impedem o retorno de muita gente que estava em viagem de férias ou para intercâmbio e estudos. O Ministério das Relações Exteriores informou, por nota, que até essa terça-feira (31) cerca de 6,5 mil brasileiros com passagens aéreas canceladas e/ou sem garantia de transporte estavam aguardando repatriação em 90 países. O Itamaraty diz que auxiliou na repatriação de 9,2 mil pessoas.
O Jornal do Comércio vem recebendo inúmeras mensagens de pessoas que estão no continente africano e descrevem a angústia da espera e da incerteza de quando vão poder rever familiares.
"A gente precisa voltar para casa, a gente precisa voltar para o Brasil", apela a advogada Mariana Fogaça, que reside em Porto Alegre, tem família em Guaíba e foi para a Cidade do Cabo, na África do Sul, para fazer um curso de inglês com o namorado. 
"A gente recebeu a notícia nesta quarta que só sairá daqui com a ajuda das autoridades brasileiras, mas não temos retorno de quando e como. Nossos seguros viagem já acabaram. Cada dia aqui é uma preocupação maior. Estamos cuidando da nossa saúde, pois se tivermos qualquer sintoma serão impedidos de ir embora", conta Mariana, que está confinada em um quarto de hotel. 
Mariana e o namorado Luis Vinicius Cattani foram para a Cidade do Cabo no fim de fevereiro para fazer uma imersão em inglês de quatro semanas, viagem programada em maio de 2019. A jovem conta que, antes de viajarem, eles buscaram saber a situação da pandemia no país e nada indicava sobre riscos. O mundo ainda estava focado no epicentro da China.
"A África do Sul quase não tinha casos. Em duas semanas, tudo mudou", descreve a advogada. Eles tentam voltar há juma semana, após o curso cancelar as aulas presenciais. Os dois tentaram antecipar o voo pelo site Decolar e depois com a companhia Latam. Nenhum deu retorno, segundo Mariana. O momento mais crítico foi na quinta-feira passada, quando o governo sul-africano fechou o espaço aéreo.
Desde então, o casal e mais de cem brasileiros que estão na cidade buscam o consulado brasileiro e a embaixada no país para verificar se haverá voos para repatriação. Como o que ocorreu com brasileiros que estavam em Wuhan, na China, onde começaram os casos de coronavírus. O governo de Jair Bolsonaro enviou um jato da Força Aérea Brasileira (FAB) para a missão, no começo de fevereiro.   
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 'Estamos muito apreensivos, longe da família e temendo por nossa saúde", relata Simone, com Eduardo. Foto: Arquivo Pessoal
Na Namíbia, vizinha à África do Sul, no lado do Oceano Atlântico, está o casal Simone Faleiros de Melo e Eduardo Pereira de Almeida. "Estamos muito apreensivos aqui, longe da família e temendo por nossa saúde", relata Simone. Almeida é hipertenso, depende de medicação que deve terminar em poucos dias. O seguro saúde do casal expira nesta sexta-feira (3). 
O casal é de São Paulo e estava em férias no país, com volta prevista para começo de abril. Eles querem retornar o quanto antes. Quando houve o fechamento de aeroportos, na semana passada e de repente, os dois estavam no norte da Namíbia e voltaram imediatamente para a capital Windhoek.   
"Estamos só nós dois brasileiros aqui na capital, outros brasileiros estão na Cidade do Cabo, nosso medo é de não virem nos buscar", desespera-se o casal. Simone e Eduardo contam que estão enviando mensagens a quem puderem no Brasil para "ampliar a voz" e chamara a atenção. "Sozinhos não temos força." Almeida cobra resolução das autoridades e diz que já preencheu formulários e falou com os canais do Itamaraty no Brasil e onde está. "O dinheiro tá acabando, tá tudo acabando", alerta Simone.
Em outra mensagem, Juliana Carvalho, que está na Cidade do Cabo, conta que está confinada em um quarto de hotel. "Só saímos para ir ao mercado, respeitando o lock down", conta Juliana, que é do Rio de Janeiro. "Já tem gente aqui sem dinheiro. Estamos desesperados sem saber quando vamos voltar. Precisamos muito de ajuda!"     
O consultado do Brasil na Cidade do Cabo informou que acompanha a situação de Mariana e dos demais  brasileiros. Na África do Sul, havia 450. "A Embaixada em Pretória está em negociação com a companhia aérea e o governo sul-africano para permitir a realização dos voos de repatriação Infelizmente, ainda não podemos prever que dia o voo ocorrerá", diz o consulado. As negociações para voos ocorrem com o governo do país, devido ao fechamento do espaço aéreo. 
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Avião com 300 brasileiros deixou a cidade de Joanesburgo para retorno ao Brasil. Foto: Facebook
Pelo Facebook, informes dão conta do dia a dia da solução. Na manhã desta quarta-feira (1), a notícia era de um voo da Latam saindo de Joanesburgo com 300 brasileiros com destino para o Aeroporto de Guarulhos. Uma foto com os passageiros dentro da aeronave foi postada no perfil do Facebook. 
"A informação que temos é que as negociações para a realização (voo) estão evoluindo, mas ainda sem data prevista", disse o consulado em mensagem pelo WhatsApp, no fim da manhã desta quarta, sobre o destino de Mariana, do namorado e dos demais brasileiros na Cidade do Cabo.

Itamaraty diz que busca solução para repatriar brasileiros 

O uso de aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) só ocorreu nesta nova etapa da pandemia no retorno de brasileiros de Cusco, no Peru. "Os demais voos especiais foram fretados com companhias aéreas. Novos voos, inclusive na África do Sul, estão sendo planejados para possibilitar o traslado de nacionais nas regiões onde as alternativas comerciais não são mais factíveis", garantiu o Itamaraty.
O senador gaúcho Lasier Martins divulgou nesta quarta que teve confirmação do Ministério de Relações Exteriores de que o governo disponibilizou verbas para trazer de volta, em avião fretado, brasileiros que estão na Austrália. "Cerca de 600 brasileiros que estão lá e têm interesse em voltar devem procurar a Embaixada do Brasil em Camberra ou o consulado de Sidney para obter as informações sobre procedimentos", disse o senador. 
A crise de saúde global causada pelo Coronavírus (COVID-19), alheia à vontade da LATAM, tem causado transtornos a todos, incluindo restrições de entrada/saída em diversos países, algo que gerou queda na demanda e redução na malha aérea da companhia.
A Latam diz que está trabalhando com as autoridades de diversos países "para trazer seus clientes de volta para casa". Segundo a companhia, 115 voos especiais foram realizados até dia 30 de março, que transportaram mais de 16 mil pessoas de diversas partes do mundo.
"Para o Brasil, a Latam já repatriou passageiros que estavam na África do Sul, Cusco, Lima, Londres, Jamaica, Portugal, Punta Cana, Israel e Santiago", informa. A empresa não respondeu sobre novos voos da África do Sul e Austrália, que poderiam atender os casos citados na reportagem.
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