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Saúde

30/03/2020 - 11h01min. Alterada em 30/03 às 11h23min

Especialistas discordam sobre estratégia de isolamento vertical

Reino Unido mudou de ideia após estudo mostrar impactos da doença no sistema público de saúde

Reino Unido mudou de ideia após estudo mostrar impactos da doença no sistema público de saúde


JUSTIN TALLIS/AFP/JC
Defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, o chamado “isolamento vertical” da população é uma teoria minoritária entre cientistas e vista com ceticismo pela comunidade médica. Segundo o governante, o simples fato de separar os que estão no grupo de risco à exposição ao vírus, como maiores de 60 anos e portadores de doenças crônicas, seria suficiente para conter a pandemia de Covid-19 (Novo Coronavírus).
Defendido pelo presidente Jair Bolsonaro, o chamado “isolamento vertical” da população é uma teoria minoritária entre cientistas e vista com ceticismo pela comunidade médica. Segundo o governante, o simples fato de separar os que estão no grupo de risco à exposição ao vírus, como maiores de 60 anos e portadores de doenças crônicas, seria suficiente para conter a pandemia de Covid-19 (Novo Coronavírus).
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No entanto, a grande maioria de cientistas e especialistas de saúde em todo o mundo defende o distanciamento social extremo. A estratégia de isolamento é de que as infecções não ocorram todas em um curto período de tempo, para que as chances de tratamento dos infectados aumentem. Por isso o confinamento tem sido a escolha da maioria dos países do globo, focados em ganhar tempo enquanto especialistas testam medicamentos e desenvolvem formas de confirmar quem está imune.
Na contramão, em artigo publicado no jornal The New York Times, o diretor do Centro de Pesquisa em Prevenção Yale-Griffin, David L. Katz defendeu a estratégia de expor ao vírus a maior parte da população (jovens sobretudo), denominando a prática de “imunidade de rebanho”. O cientista cita os dados da Coreia do Sul, que indicam que 99% dos casos de coronavírus são leves e não ensejam tratamento médico específico.
Baseado nesta teoria, na terça-feira passada (24), Bolsonaro se pronunciou publicamente criticando o confinamento da população e propôs que as pessoas que não se enquadram nos grupos de risco voltassem a circular para movimentar a economia. Outros poucos governantes também tentaram o uso do “isolamento vertical”. No entanto, há cerca de dez dias, o Reino Unido, que chegou a adotar a estratégia da “imunidade de rebanho”, decidiu recuar e partir para o isolamento de toda a população – e não apenas grupos vulneráveis.
O governo do Reino Unido mudou de ideia após um estudo do Imperial College de Londres mostrar o impacto da doença sobre o sistema público de saúde na região. Conforme o levantamento da instituição, 250 mil pessoas estariam fadadas a morrer se o governo não mudasse de estratégia. Os dados do Imperial College de Londres também tem sido acompanhados pela Casa Branca. No dia 16, depois de minimizar por quase um mês a gravidade da disseminação do coronavírus no país, o presidente americano, Donald Trump, mudou de tom e passou a orientar o distanciamento social extremo. Nos últimos dias, no entanto, Trump voltou a dizer que o país precisa ser “reaberto em breve”.