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Negócios

Notícia da edição impressa de 31/03/2020. Alterada em 31/03 às 03h00min

Queda na receita do transporte aéreo no Brasil pode chegar a 40%

 Associação ainda não tem números que apontam o reflexo no segmento de cargas

Associação ainda não tem números que apontam o reflexo no segmento de cargas


GOL LINHAS A/DIVULGAÇÃO/JC
As companhias aéreas brasileiras devem ter uma queda de 40% na receita em 2020 na comparação com 2019 diante da crise no setor por causa da crise provocada pelo novo coronavírus. Os números foram apresentados no final da semana passada por Peter Cerdá, vice-presidente regional da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) para as Américas. Em termos monetários, as aéreas do País devem perder US$ 7,7 bilhões em receita neste ano.
As companhias aéreas brasileiras devem ter uma queda de 40% na receita em 2020 na comparação com 2019 diante da crise no setor por causa da crise provocada pelo novo coronavírus. Os números foram apresentados no final da semana passada por Peter Cerdá, vice-presidente regional da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) para as Américas. Em termos monetários, as aéreas do País devem perder US$ 7,7 bilhões em receita neste ano.
"Com as restrições, temos algumas aéreas que pararam tudo", disse ele, durante teleconferência com jornalistas. "Temos visto uma repercussão financeira grande, porque as empresas ainda precisam pagar contas e salários. Liquidez agora está se tornando um desafio", afirmou.
O cenário de crise também se aplica à Argentina, onde a estimativa da Iata é de que as aéreas tenham uma queda de 48% na receita em 2020 na comparação com 2019 (ou corte de US$ 2,4 bilhões). Para o Chile, a estimativa é de queda de 40%, ou US$ 1,8 bilhão. Segundo projeção da Iata, aproximadamente 62 mil empregos diretos no setor no Brasil estão em risco por causa da crise. Indiretamente, um total de 223 mil postos de trabalho estariam em xeque em todo o território nacional.
O cenário para o México é ainda pior. A estimativa da Iata é de que 97 mil postos de trabalho estão em risco, além de 437 mil vagas indiretas. "Muitas dessas companhias aéreas têm liquidez para os próximos dois ou três meses. Pouquíssimas têm liquidez suficiente para passar pelo fim do verão. O cenário para a América Latina é bastante crítico". Ele destacou ainda que a crise da Covid-19 tem se mostrado mais grave e duradoura do que as outras pandemias. "Por isso pedimos que o governo suporte as companhias agora."
Cerdá relembrou ainda os dados divulgados na quarta-feira pela Iata que projetaram que a aviação comercial global deverá perder US$ 252 bilhões de receita em 2020. O número representa uma alta de mais de 120% ante a estimativa anterior, de US$ 113 bilhões.
Os integrantes da Iata foram questionados sobre os dados específicos para o setor de carga. Cerdá destacou que a associação ainda não tem números que apontam o reflexo no segmento. "Demanda de carga é muito grande. Como a grande maioria das cargas é transportada na barriga do avião e grande maioria das aeronaves está no chão, a demanda por carga é grande", comentou.
Algumas empresas estariam ocupando até a parte da aeronave que transporta passageiros com carga. "No curto prazo isso ajuda um pouco, mas no longo prazo a operação cargueira não vai suprir a ausência de operação de passageiros", disse.

Empresas de aviação precisam de US$ 200 bilhões para suportar a crise

As empresas aéreas precisam de uma injeção imediata de recursos de US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1 trilhão) para que não haja uma onda de falências, afirmou  o diretor-geral da Iata (associação internacional do setor), Alexandre de Juniac, em conferência on-line na semana passada.
O dinheiro é necessário para compensar a perda de receitas provocadas pela pandemia de coronavírus, que restringiu gravemente as viagens em todo o mundo. De acordo com a entidade, as empresas precisam honrar seus custos fixos, mas estão faturando menos. "Muitas estão em vias de queimar todo seu caixa, alertou o dirigente.
Segundo ele, há empresas mais e menos preparadas para enfrentar a crise, mas o setor como um todo precisa de uma injeção urgente (na forma de empréstimos, garantias ou subsídios). "No futuro, quando começar a retomada, o mercado se encarregará de separar as mais bem administradas das outras", afirmou.
A Iata estima que faturamento do setor aéreo sofra um tombo, em 2020, de 60% em relação ao que faturou no ano passado, ou US$ 252 bilhões (R$ 1,26 trilhão), num cenário de viagens restritas por mais três meses e recuperação gradual a partir de meados do ano.
O número é mais que o dobro do que a entidade havia previsto no dia 5 de março, antes de governos por todo o mundo fecharem aeroportos e proibirem a entrada de estrangeiros. "Nossos piores cenários no começo do mês hoje parecem leves", desabafou Juniac, referindo-se ao agravamento da situação nos últimos dias.
Para o executivo, a recuperação do setor aérea deve ser lenta, porque a pandemia trará recessão, desemprego e perda de confiança do consumidor. "Os governos, porém, devem agir imediatamente para impedir a destruição do transporte aéreo, que é crucial para ativar a economia quando começar a retomada", afirmou.
A Iata estima que cada dólar perdido pelo setor de aviação signifique uma perda de US$ 3,8 no valor adicionado dos países mais desenvolvidos. "É a aviação que conecta cidades, gera negócios e investimentos, e garante 65 milhões de empregos indiretos no mundo."
 

Ônibus municipais do Brasil tendem a parar em 5 de abril, diz presidente de entidade do setor

Os ônibus do transporte público do Brasil correm risco de deixar de operar a partir de 5 de abril, alerta Otávio Cunha, presidente da NTU, entidade nacional de empresários do setor, devido à quedas nas viagens gerada pela pandemia de coronavírus.
"As empresas estão sem caixa para pagar os funcionários do mês que vem, que vence no dia 5. A maioria delas depende da receita das viagens e a demanda caiu em mais de 50% e chegou a 70% em algumas delas, como Belo Horizonte, Se não tem passageiro, não tem recurso", disse.
Cunha detalha que 50% dos gastos das empresas são com a folha de pagamento e 25% com o combustível. Ele diz que as empresas não pretendem parar, mas que os funcionários podem deixar de trabalhar se ficarem sem receber. "O empresário fará o possível e poderá pagar só parte dos salários. Mas também poderá faltar dinheiro para o diesel".
Há subsídios públicos em poucos locais do país. As principais exceções são a cidade de São Paulo e o Distrito Federal. Ele defende que o governo federal crie um plano de socorro ao setor, para que a operação dos ônibus possa ser mantida. "O ideal é colocar no mínimo 70% da frota rodando, para transportar as pessoas que precisam se deslocar mesmo em tempos de crise. Isso demandaria um apoio em torno de R$ 2,8 bilhões por mês", estima.
A entidade procurou o Ministério da Economia em busca de ajuda, mas não obteve retorno sobre os pedidos. A lista de demandas inclui também a retirada de impostos sobre o setor, moratória para pagar financiamentos feitos pelas empresas para a compra de ônibus novos e a possibilidade de congelar contratos de trabalho, especialmente dos maiores de 60 anos, para que possam ficar em casa e receber parte do salário.