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saúde

Alterada em 26/03 às 13h59min

Saúde estima que SUS demandará mais de R$ 10 bilhões contra o coronavírus

As projeções são consideradas conservadoras, pois é levado em conta um custo médio por internação

As projeções são consideradas conservadoras, pois é levado em conta um custo médio por internação


PATRICK HERTZOG/AFP/JC
Folhapress
O Ministério da Saúde calcula que o novo coronavírus trará um custo adicional superior a R$ 10 bilhões para o SUS (Sistema Único de Saúde). Apenas com internações em UTIs (unidades de terapia intensiva), o montante necessário seria de R$ 9,3 bilhões.
O Ministério da Saúde calcula que o novo coronavírus trará um custo adicional superior a R$ 10 bilhões para o SUS (Sistema Único de Saúde). Apenas com internações em UTIs (unidades de terapia intensiva), o montante necessário seria de R$ 9,3 bilhões.
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A estimativa foi feita considerando um cenário de infecção de 10% da população. Mesmo assim, as projeções são consideradas conservadoras, pois o ministério leva em conta um custo médio por internação que cobre apenas custos variáveis de repasses federais, sem os custos fixos e repasses variáveis adicionais feitos por estados e municípios.
Nesta semana, o Ministério da Saúde chegou a informar à pasta da Economia que o impacto do novo coronavírus para o SUS poderia ultrapassar R$ 410 bilhões em custos adicionais, conforme informação publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo e pelo site da CNN Brasil.
Técnicos, contudo, afirmam que houve um erro de digitação e que o número correto seria R$ 10 bilhões. Em nota, a pasta diz que o documento será corrigido.
"Trata-se de um erro material. O valor estimado correto seria R$ 10 bilhões. O algarismo '4' foi escrito por engano -deveria ser um cifrão, que fica na mesma tecla do '4'. O erro passou despercebido na revisão do documento", diz nota do ministério.
De qualquer forma, a preocupação levantada pelos técnicos nos documentos contrasta com o discurso do presidente Jair Bolsonaro. Ele vem protestando contra o que chama de "histeria" em torno do assunto, chamando a doença de "gripezinha" e criticando o fechamento do comércio por parte de governadores.
Enquanto isso, o Ministério da Saúde alerta à Economia que a demora no controle da doença aumenta ainda mais os custos demandados. A pasta lembra do surto de ebola em 2014, que poderia ter sido controlado por menos de US$ 200 milhões em abril de 2014, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas). Em poucos meses, o montante necessário já havia subido para US$ 4 bilhões.
"Com muita frequência, a detecção, o diagnóstico e o controle dos surtos de doenças são tentados apenas com atraso e após a infecção de muitos seres humanos. Quando o contágio cresce exponencialmente, o custo de controlar os surtos epidêmicos aumenta em conjunto", afirma a Saúde em documento.
Os técnicos afirmam que a mitigação é a única opção. "Quando o controle de surtos falha, a prevenção de uma epidemia se torna mais desafiadora e mais dispendiosa à medida que o contágio se espalha e, eventualmente, se torna impossível. A mitigação da epidemia continua sendo a única opção política. Atrasos na detecção e controle são, em última análise, muito caros, porque os custos de contágio e mitigação crescem exponencialmente", ressalta a pasta.
A argumentação faz parte de uma proposta do Ministério da Saúde para pedir ao Banco Mundial financiamento para ações de enfrentamento do novo coronavírus, reunidas sob o título "Programa emergencial de apoio para o enfrentamento da pandemia de Coronavírus (Covid-19) no Brasil".
O valor estimado de financiamento é de US$ 100 milhões. Pelo caráter de bem público da resposta ao vírus, a pasta acredita que o empréstimo teria isenção de taxa no primeiro ano.
O dinheiro seria usado para compra de kits de testes moleculares e rápidos para detecção, contratação de serviço de atendimento pré-clínico (por meio do atendimento à distância, para evitar sobrecarga nos hospitais públicos e privados) e contratação de profissionais de saúde em caráter emergencial.
Nesta semana, a pasta anunciou que irá ampliar para 22,9 milhões a oferta de testes de diagnóstico do novo coronavírus. Deste total, parte viria de doações de empresas e, outra, por meio da aquisição pela pasta. Os valores, porém, não foram divulgados.
Já o documento projeta gastos de US$ 27,6 milhões -sem, contudo, informar quantidades.
Em outro trecho, o texto ainda diz ser "urgente" aumentar a oferta de profissionais de saúde para o enfrentamento da crise e cita edital para contratação emergencial de 5.811 médicos por meio do programa Mais Médicos.
Também prevê necessidade de financiamento do Banco Mundial para uso de ferramentas de telemedicina no atendimento pré-clínico aos pacientes. O custo estimado para a contratação de médicos é de US$ 62,4 milhões e, para a telemedicina, de US$ 10 milhões.
A ideia é usar os recursos na expansão da primeira fase de implantação do serviço, "com objetivo de alcançar escala nacional".