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Conjuntura

Notícia da edição impressa de 26/03/2020. Alterada em 26/03 às 03h00min

Ibre/FGV vê retração do PIB de até 2% no Brasil

O Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas, reduziu a projeção de crescimento da economia brasileira neste ano de um crescimento de 2% para uma retração de 0,9%. De acordo com o Boletim Macro da instituição, divulgado nesta quarta-feira (25), essa projeção contempla crescimento de 0,2% no primeiro trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior, seguido de contração de 3,3% no segundo trimestre.
O Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas, reduziu a projeção de crescimento da economia brasileira neste ano de um crescimento de 2% para uma retração de 0,9%. De acordo com o Boletim Macro da instituição, divulgado nesta quarta-feira (25), essa projeção contempla crescimento de 0,2% no primeiro trimestre deste ano em relação ao trimestre anterior, seguido de contração de 3,3% no segundo trimestre.
O Ibre também traçou dois cenários alternativos. Um otimista, que aponta crescimento de 0,1% no ano (bem próximo ao da projeção do governo, de alta de 0,02%), e um pessimista, de contração de 2%.O cenário otimista considera a hipótese de que o impacto do novo coronavírus ficará concentrado no segundo trimestre e que as medidas de contenção da doença surtirão efeito rapidamente. No cenário base, há impacto no segundo, terceiro e quarto trimestres. Já no cenário pessimista, os fortes efeitos negativos seriam sentidos até o final do ano.
"Vale ressaltar o alto grau de incerteza inerente a qualquer projeção feita neste momento. Os desdobramentos desse tipo de evento são totalmente imprevisíveis, sem precedentes na história capazes de servir como exemplo para balizar nossas estimativas", diz o instituto em seu boletim.
"Nosso cenário base pressupõe que a atividade econômica começará a se recuperar a partir do terceiro trimestre, mas em ritmo bastante gradual. A economia sofrerá quase certamente uma crise sem precedentes. Dificilmente o Brasil escapará de uma recessão potencialmente profunda este ano. O mundo também não." De acordo com o boletim, é esperado que haja uma recuperação na segunda metade do ano, mas é pouco claro se ela será rápida ou diluída em horizonte mais largo. "O exemplo da China mostra que no meio urbano a normalidade econômica custará a voltar, mesmo depois de a epidemia estar sob algum controle." Várias instituições revisaram nas últimas semanas suas projeções, trabalhando com possibilidade de retração de até 2%.
O Centro de Macroeconomia Aplicada da FGV divulgou na semana passada cálculos que indicam a possibilidade de uma queda de até 4,4%.
 

Banco Mundial e FMI pedem alívio de dívida para países mais pobres

O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiram nesta quarta-feira (25) uma carta conjunta solicitando "alívio imediato de dívidas aos países mais pobres do mundo". De acordo com o documento, a abrangência da pandemia de covid-19 vai além da esfera da saúde, e terá "consequências econômicas e sociais severas" para nações que abrigam largas parcelas de pessoas em condições desfavoráveis.

O ofício pede que instituições financeiras de países que fazem parte da Associação Internacional de Desenvolvimento suspendam pagamentos e cobranças de dívidas. Esses países abrigam um quarto da população mundial geral e dois terços da população mundial que vive em extrema pobreza e serão os mais afetados pela pandemia.

"Isso ajudará as necessidades imediatas de liquidez dos países da Associação Internacional de Desenvolvimento para enfrentar os desafios impostos pelo surto de coronavírus e permitir tempo para uma avaliação do impacto da crise e das necessidades de financiamento de cada país", afirma o documento assinado pelas instituições.

A maioria dos 76 países que recebem apoio da Associação Internacional de Desenvolvimento tem renda nacional bruta per capita abaixo de 1.175 dólares.

Relator do Plano Mansueto incluirá fast track a empréstimos a estados

O Congresso Nacional vai flexibilizar algumas exigências cobradas de estados e municípios para a liberação de novos financiamentos, uma tentativa de criar uma espécie de "via rápida" (fast track) para que os governos regionais consigam acessar dinheiro novo em momento de forte crise. A proposta será incorporada pelo deputado Pedro Paulo (DEM-RJ) em seu parecer do Plano Mansueto, proposta de socorro a Estados e municípios em tramitação na Câmara.

A medida foi acertada com a equipe econômica. Segundo Pedro Paulo, a liberação de uma operação de crédito hoje requer muitas etapas, como detalhes da destinação e avaliação de impacto do uso dos recursos naquela região, o que não é razoável num momento em que os governos regionais perdem recursos rapidamente e precisam elevar gastos, sobretudo com saúde.

O objetivo é prever na lei que, em situações como a atual, de calamidade pública, será possível flexibilizar algumas dessas etapas. A mudança precisa estar em lei complementar, por isso será incorporada ao Plano Mansueto. "Queremos um fast track para as operações de crédito", disse Pedro Paulo.

O governo já anunciou que vai disponibilizar R$ 40 bilhões para operações de crédito de estados e municípios, sendo R$ 20 bilhões em novos financiamentos com garantia da União e outros R$ 20 bilhões em espaço para que os governos regionais consigam repactuar contratos, negociando taxas de juros menores e prazo mais amplo de pagamento.