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Saúde

Notícia da edição impressa de 26/03/2020. Alterada em 25/03 às 21h10min

Infectologistas criticam discurso do presidente e defendem isolamento social

O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite de terça-feira (24), no qual defendeu o fim do isolamento total e chamou o novo coronavírus de "gripezinha", gerou forte reação da comunidade científica brasileira. Uma das entidades que se manifestou foi a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). A entidade afirmou, em nota, que o pronunciamento do presidente traz "preocupação" por se referir ao novo coronavírus como um "resfriadinho" e se posicionar contra o fechamento de escolas.
O pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite de terça-feira (24), no qual defendeu o fim do isolamento total e chamou o novo coronavírus de "gripezinha", gerou forte reação da comunidade científica brasileira. Uma das entidades que se manifestou foi a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). A entidade afirmou, em nota, que o pronunciamento do presidente traz "preocupação" por se referir ao novo coronavírus como um "resfriadinho" e se posicionar contra o fechamento de escolas.
O "isolamento vertical", também citado pelo presidente, até foi tentado em países europeus como Reino Unido e Holanda, e abandonado quando o crescimento rápido do número de doentes passou a ameaçar de colapso o sistema de saúde. A preocupação com o impacto econômico de uma quarentena também atrasou a decisão de governantes europeus, mas a maioria deles apressou a adoção de restrições mais duras depois que ficou evidente a gravidade da situação na Itália, que decretou confinamento no país todo em 10 de março.
Os infectologistas consideram o isolamento "fundamental" no atual estágio da epidemia, classificada como a mais grave já enfrentada pelo País em sua história recente. Para a SBI, Bolsonaro pode passar "falsa impressão à população de que as medidas de contenção social são inadequadas e que a Covid-19 é semelhante ao resfriado comum".
"É também temerário dizer que as cerca de 800 mortes diárias que estão ocorrendo na Itália, realmente a maioria entre idosos, seja relacionada apenas ao clima frio do inverno europeu. A pandemia é grave, pois até hoje já foram registrados mais de 420 mil casos no mundo e quase 19 mil óbitos", diz outro trecho.
A organização destaca que o País está "numa curva crescente de casos, com transmissão comunitária (quando não é mais possível identificar a origem da transmissão) do vírus e o número de infectados está dobrando a cada três dias". "A epidemia é dinâmica, assim como devem ser as medidas para minimizar sua disseminação. Ficar em casa é a resposta mais adequada para a maioria das cidades brasileiras neste momento, principalmente as mais populosas", afirma a entidade em nota.
O documento, assinado pelo presidente da SBI, Clóvis Arns da Cunha, defende as ações adotadas pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e sua equipe. "Também concordamos que devemos ter enorme preocupação com o impacto socioeconômico desta pandemia e a preocupação com os empregos e sustento das famílias. Entretanto, do ponto de vista científico-epidemiológico, o distanciamento social é fundamental para conter a disseminação do novo coronavírus, quando ele atinge a fase de transmissão comunitária", diz a associação.