Porto Alegre, terça-feira, 24 de março de 2020.

Jornal do Comércio

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Negócios

24/03/2020 - 18h08min. Alterada em 24/03 às 18h33min

Microempreededores se reinventam para manter renda durante a crise do coronavírus

Caroline intensificou promoções e tele-entrega para levar os acessórios Carol Clio aos clientes

Caroline intensificou promoções e tele-entrega para levar os acessórios Carol Clio aos clientes


CRISTINE PIRES/ESPECIAL/JC
Cristine Pires
Se as grandes empresas já calculam os prejuízos econômicos causados pela crise provocada pelo novo coronavírus, imagine então os efeitos da pandemia para microempreededores. Além de todas as preocupações com a saúde para evitar o contágio – assim como acontece em todo o mundo -, há também a apreensão de perder praticamente toda a renda em função da queda nas vendas. E o varejo, segundo pesquisa divulgada pelo Sebrae na semana passada, está entre os 10 setores mais atingidos pela crise.
Se as grandes empresas já calculam os prejuízos econômicos causados pela crise provocada pelo novo coronavírus, imagine então os efeitos da pandemia para microempreededores. Além de todas as preocupações com a saúde para evitar o contágio – assim como acontece em todo o mundo -, há também a apreensão de perder praticamente toda a renda em função da queda nas vendas. E o varejo, segundo pesquisa divulgada pelo Sebrae na semana passada, está entre os 10 setores mais atingidos pela crise.
A artesã e designer de joias Caroline Teixeira sentiu os reflexos. As encomendas dos acessórios da marca Carol Clio – como colares, pulseiras brincos e anéis – cessaram imediatamente. “Com o impacto negativo, sentido já nos primeiros dias de crise, a ideia foi investir mais na divulgação das vendas on-line através do site e das redes sociais”, conta a empreendedora.
Acostumada a atender clientes em seu atelier e participar de feiras e eventos como expositora, perdeu suas principais vias de concretizar as vendas. Então, apostou forte nas negociações via internet, com promoções de preços e prazos, e adotou uma medida que até então era muito rara em seus 16 anos de mercado: a tele-entrega. “Vamos levar os produtos aos clientes sem que eles arquem com os custos de pagamento do frete”, conta. Historiadora de formação, Caroline busca manter a inspiração neste momento difícil para dar forma às peças artesanais feitas em couro, cetim e muranos.
As alternativas adotadas por Caroline estão entre as mais indicadas por especialistas no momento, que incluem, além do uso de redes sociais e entrega a domicílio, o uso de aplicativos e cuidados com o orçamento, por exemplo. Essas medidas constam nas orientações preparadas pela Prefeitura de São Paulo para amenizar o impacto da crise, já que determinou, na semana passada, que microempreendedores e proprietários de comércio estão proibidos de funcionar ou fazer atendimento presencial como medida de propagação de coronavírus.
A preocupação da prefeitura paulista em compartilhar dicas é apenas um exemplo entre as centenas de iniciativas semelhantes que se propagam nos últimos dias, especialmente em relação a pequenos negócios.

O que fazer em momentos de dificuldades

Mídias sociais e divulgação dos serviços
  • Caso o empreendedor não tenha perfis empresariais nas redes sociais, esse é o momento. A internet é uma ferramenta fundamental para divulgação dos serviços e produtos, o que facilita, de maneira rápida e com baixo custo, o contato com o público.
  • Além das redes sociais, uma alternativa é colocar na fachada do estabelecimento uma placa ou banner, respeitando a lei Cidade Limpa, de divulgação dos meios de contato para encomendas e atendimento para os consumidores, indicando taxas de entrega e demais informações.
Comércio via aplicativos de entrega e internet
  • Pela internet, o empreendedor tem a possibilidade de oferecer seu produto via aplicativos de entrega, que também possibilita transações on-line, diminuindo o contato físico entre comerciante e consumidor.
Implantação de delivery próprio
  • Com a orientação do poder público para que a população fique em casa, o fluxo de atendimento presencial diminuirá. Uma alternativa é a disponibilização de delivery com os funcionários do estabelecimento, especialmente em bairros residenciais, onde a entrega pode ser feita em curtas distâncias e sem o uso de veículos.
Orçamento e redução de custos
  • É interessante fazer uma análise do negócio e identificar os itens fundamentais para o seu funcionamento. A partir disso, o empreendedor pode avaliar quais gastos podem ser cortados ou reduzidos.
FONTE: PREFEITURA MUNICIPAL DE SÃO PAULO

Alternativas incluem mudar a rotina e enfrentar desafios

Confira o depoimento de microempreendoras que tinham no atendimento presencial a principal forma de vendas e estão se reinventando para seguir os negócios:

Produtos personalizados podem fazer a diferença

Artesanias do bem comercializa peças de porcelana pintadas à mão e papelaria
Artesanias do bem comercializa peças de porcelana pintadas à mão e papelaria
ALINE PEREIRA/DIVULGAÇÃO/JC
“Sou fonoaudióloga e faço atendimento a domicilio, sobretudo para idosos, e há uma semana cancelei completamente meus atendimentos por 30 dias. Então a Artesanias do Bem, minha veia artesanal, com porcelanas pintadas à mão e papelaria, passou a ser mais importante como fonte de renda. Neste período, geralmente, exponho em feiras e reponho peças para duas lojas das quais sou fornecedora. Perdi as duas alternativas, já que os eventos foram cancelados e o comércio fechado. Por isso, passei a vender os produtos de uma forma diferente, dando prioridade para encomendas personalizadas e divulgando do que tenho em estoque nas redes sociais. Precisei buscar um serviço de entregas, o que normalmente eu fazia pessoalmente. Sempre priorizei o contato direto, o olhar no olho, conversar com o cliente para contar a história de cada desenho, de cada peça e o poder ouvir do cliente sobre o afeto que ele quer transmitir em cada encomenda. Com o serviço de entregas isso se perde um pouco, mas a prioridade é manter as contas em dia e felizmente, de alguma forma eu ainda consigo trabalhar de casa.”
Aline Pereira

Perfil pessoal de redes sociais pode virar loja on-line

Clara Raiz oferece cosméticos fitoterápicos e produtos lixo zero
Clara Raiz oferece cosméticos fitoterápicos e produtos lixo zero
CLARISSA MONTIEL/DIVULGAÇÃO/JC

"Trabalho com cosméticos fitoterápicos e produtos lixo zero Clara Rais, e os exponho em feiras ecológicas e de bairros desde 2018. Não possuo loja física. O contato com o público é importantíssimo para mim, pois muitos clientes buscam se informar sobre o conceito do consumo consciente e as matérias-primas dos cosméticos, que são de base vegetal e fitoterápica, levam óleo mineral e não possuem derivados petroquímicos em sua composição, por exemplo. Além disso, usamos insumos orgânicos rastreados. O melhor é explicar tudo isso pessoalmente, mas temos que cumprir as determinações de ficar em casa. Então, a saída foi adaptar minhas redes sociais e torna-las lojas de vendas on-line. Também adotei tele-entrega via aplicativos, novas formas possíveis para me adaptar às demandas dramáticas deste momento. Nunca dei muita importância para a divulgação on-line das vendas antes. Estou tendo que aprender muita coisa, refazer algumas estratégias, mas acredito muito que com a união e cooperação de todos vai dar tudo certo!"

Clarissa Montiel

Acompanhe o trabalho das microempreededoras nas redes sociais

  • Artesanias do Bem – Aline Pereira
facebook.com/artesaniasdobem
instagram.com/artesaniasdobem
  • Clara Raiz - Clarissa Montiel
instagram.com/clara_raiz
facebook.com/clararaiz.br
  • Carol Clio – Caroline Teixeira
carolclio.com.br
instagram.com/carol_clio
facebook.com/carolclio.moda