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Cooperativismo 2019

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Educação

Notícia da edição impressa de 12/07/2019. Alterada em 12/07 às 03h00min

Proposta inovadora objetiva estimular a permanência no meio rural

Programas como o Aprendiz Cooperativo do Campo formam jovens para atuarem como empreendedores

Programas como o Aprendiz Cooperativo do Campo formam jovens para atuarem como empreendedores


/COMUNICAÇÃO COTRISAL/DIVULGAÇÃO/JC
Anelise Cáceres
Um dos principais programas de inserção e representatividade dos jovens no cooperativismo é o Aprendiz Cooperativo do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Rio Grande do Sul (Sescoop-RS). Voltado ao público jovem, entre 14 e 24 anos, o programa já inseriu quase 100% dos alunos no movimento cooperativista gaúcho. Com duração de 17 meses, os cursos oferecem aulas teóricas e práticas, onde os jovens aprendem uma profissão e também entram em contato com a cultura cooperativista, pautada em valores como igualdade, solidariedade, honestidade e transparência.
"Os formandos, quase que em sua totalidade, são incorporados a uma cooperativa ou deram continuidade às atividades em suas propriedades", afirma o presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, Vergilio Perius, destacando que são oferecidos cursos de Assistente para Manufatura de Calçados, Auxiliar Administrativo, Eletrotécnica Básica, Processamento de Carnes, Processamento de Leite e Derivados e de Serviços de Supermercado e Aprendiz Cooperativo do Campo.
Conforme o gerente de promoção social do Sescoop/RS, José Zigomar dos Santos, desde 2007 passaram pela programa 14.500 jovens de mais 84 cidades diferentes no Estado. O mais recente é o Aprendiz Cooperativo do Campo, com o objetivo de estimular a permanência do jovem no meio rural. "Essa proposta pedagógica é inovadora e busca formar jovens para continuar no âmbito rural e atuar como empreendedor no campo, seguindo os passos de sua família e dando continuidade aos negócios alinhados com as cooperativas agropecuárias". Segundo ele, mais de 200 jovens já estiveram no programa e outros 300 estão em formação no Estado.
Há dois anos, a Cooperativa Educacional Cooperconcórdia, de Santa Rosa, oferece o Aprendiz Cooperativo no Campo, em parceria com 28 cooperativas. Atualmente, conta com 10 turmas em andamento na região Noroeste do Estado. Segundo o diretor do Aprendiz da Cooperconcórdia, Tiago Moroni, o curso tem foco na sucessão familiar, na perpetuação do cooperativismo, onde os alunos adquirem conhecimentos e resgatam a própria história, por meio de módulos como o diagnóstico da propriedade, passando por empreendedorismo, contabilidade e gestão de negócios.
"O objetivo é dar o suporte inicial na formação desses alunos, estimular o convívio com as práticas cooperativas, para que ele se torne um bom gestor", afirma. Moroni explica que muitos jovens imaginam que o mercado de trabalho no meio urbano é promissor, mas depois do curso decidem voltar ao campo e empreender em suas propriedades. "Dos 17 jovens da primeira turma, inicialmente apenas quatro queriam ficar em suas propriedades. Ao término do curso já eram 12. Muitos deles seguem formação em cursos técnicos agrícolas e até graduação em Engenharia Agronômica", afirma. O curso está em andamento nas cidades de São Luis Gonzaga, Santa Rosa, Crissiumal, Três Passos, Sarandi, Nova Palma e Soledade.
Na turma de Sarandi, as gêmeas Tamara e Vanusa Duranti, de 21 anos, encontraram a qualificação que almejavam com a finalidade de aplicar esses conhecimentos na gestão da prioridade familiar. "Iniciamos o curso em fevereiro e já concluímos um módulo sobre gestão financeira, inclusive já estamos aplicando esses conhecimentos na nossa propriedade, a qual basicamente atuamos com a produção leiteira", disse Tamara.
"O interessante é que o curso é dinâmico, com duas semanas de aulas teóricas e outras duas semanas de aulas práticas, sendo a prática na nossa propriedade. Ou seja, uma complementando a outra", ressalta Vanusa. Ambas são cotizadas pela Cooperativa Tritícola Sarandi (Cotrisal) e garantem que continuarão se especializando na área, estimulando a participação de outros jovens no movimento cooperativo e empreendendo em sua região.

Oportunidade nas cooperativas escolares

Um dos objetivos das cooperativas escolares é estimular o trabalho colaborativo, com projetos desenvolvidos para promover a sustentabilidade e a aproximação da comunidade escolar. Para além dessa finalidade, as atividades propostas no Centro Municipal de Ensino Fundamental Leonel de Moura Brizola (Coopemef), de Teutônia, buscam estimular a convivência, o respeito mútuo, a solidariedade, a promoção da justiça social, igualdade, autonomia e a cooperação. "Atendemos prioritariamente crianças em situação de vulnerabilidade social, que têm esse contato diário com os valores e princípios cooperativistas, através de atividades do contraturno escolar", relata a coordenadora da cooperativa, Cristiane Bom.
O projeto Cooperativas Escolares é um modelo de aprendizagem do espírito cooperativista, com o olhar para a liderança e o protagonismo juvenil, a exemplo da Coopemef, que atua com alunos do Ensino Fundamental e conta com 83 associados. Segundo a coordenadora, eles recebem diversas oficinas, atividades de lazer, de reforço escolar, e alimentação. "Acreditamos nesse resgate por meio do modelo cooperativista, onde eles aprendem a importância do 'ser' e não 'ter'. Costumo reforçar a eles que são privilegiados, pois sabemos que toda essa vivência, baseada nos valores cooperativos, contribuem para a formação de cada um deles. Além de proporcionar oportunidades para o futuro", destaca ela, revelando que os alunos já concluíram esse ano oficinas de vídeo, fotografia e dicção e oratória.
Além de contribuir para o desenvolvimento de cidadãos mais solidários, a proposta busca formar futuros gestores e líderes de comunidades. "Posteriormente, eles tornam-se associados ilustres e muitos deles participam de atividades e compartilham conhecimento com os alunos. E nesse momento demonstram com orgulho a paixão de um dia ter sido um cooperado, este é um vínculo para toda a vida", destaca ela.
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