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Cooperativismo 2019

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RAMOS

Notícia da edição impressa de 12/07/2019. Alterada em 12/07 às 08h34min

Movimento que prospera mesmo em tempos de crise

No Estado, o modelo cooperativista soma 400 cooperativas em atividade e 2,8 milhões de associados

No Estado, o modelo cooperativista soma 400 cooperativas em atividade e 2,8 milhões de associados


FREEPIK/DIVULGAÇÃO/JC
Anelise Cáceres
O modelo cooperativista tem crescido anualmente no mundo afora e, no Brasil, já contabiliza 6,7 mil cooperativas, 13,2 milhões de associados e 372 mil empregos gerados. Esses números ganham ainda mais expressão no nosso Estado, onde 24,8% da população gaúcha é associada a uma cooperativa. O Rio Grande do Sul conta com 400 cooperativas, 2,8 milhões de associados e 58,9 mil empregos diretos.
"Este é um modelo econômico-social que, somado aos seus valores, já reflete em seu faturamento 11% de crescimento anual nos últimos quatro anos. Apesar dos períodos de recessão e crise no País, onde alcançamos a marca de 14 milhões de desempregados, as cooperativas conseguiram não só assegurar seus empregos, como também gerar mais de 3,4 mil novos empregos", ressalta o presidente do Sistema Ocergs-Seescoop-RS, Vergilio Perius.
No Brasil, são 13 os ramos do cooperativismo: agropecuário, consumo, crédito, educacional, especial, infraestrutura, habitacional, produção, mineral, saúde, trabalho, transporte e turismo e lazer. No Rio Grande do Sul concentram-se os ramos agropecuário, crédito, saúde, transporte, infraestrutura, educacional e transporte. Todos eles, independente da área de atuação, carregam os princípios do cooperativismo.
"A economia cooperativista traz resultados porque a gestão está baseada na cooperação. Mesmo em tempos de crise, as pessoas conseguem se unir, pois no DNA da cooperativa está a sociedade de pessoas, que passam a enfrentar esses desafios juntas", disse Perius.
Essa conexão, segundo ele, tem proporcionado melhores serviços a toda população gaúcha e maior rentabilidade aos cooperados. "Com mais acesso ao crédito, as cooperativas conseguem investir na modernização de seus serviços. Por exemplo, no ramo de saúde são 14 hospitais próprios, na área de infraestrutura e geração de energia, 25% dos recursos próprios são aplicados em melhorias nas PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas), pois o principal insumo para a lavoura é a energia forte. A atuação conjunta das cooperativas de todos esses ramos resulta em uma rentabilidade de 5% a mais na economia cooperativista", ressalta.
Na área do conhecimento, o Sistema Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Estado do Rio Grande do Sul (Sescoop-RS), tem se dedicado à promoção da cultura cooperativista, atuando em frentes como a formação profissional, a promoção social e o monitoramento das cooperativas, orientando para as boas práticas de gestão e governança. "Estamos conseguindo incluir cada vez mais as mulheres e jovens nos programas. Somente no ano passado tivemos um incremento de 4,5 mil novas associadas e a participação de 400 jovens por meio do Aprendiz no Campo", completa o dirigente.

Os princípios do cooperativismo

  • Adesão voluntária e livre
  • Gestão democrática 
  • Participação econômica 
  • Autonomia e independência
  • Educação, formação e informação
  • intercooperação
  • Compromisso com a comunidade

Principais ramos no Estado

  • Agropecuário - As cooperativas agropecuárias formam o grupo de maior expressão econômica e em número no País. São compostas pelas cooperativas de produtores rurais ou agropastoris e de pesca, cujos meios de produção pertencem aos próprios cooperados, mas que se unem para auferir ganhos na operação em conjunto de suas atividades. Normalmente abrangem toda a cadeia produtiva, desde o preparo da terra até o processamento da matéria-prima e a comercialização do produto final.
  • Crédito - Um dos ramos mais dinâmicos do cooperativismo. Neste tipo de sociedade, busca-se a melhor administração, através da ajuda mútua e sem fins lucrativos, dos recursos financeiros dos cooperados. Tais sociedades prestam serviços financeiros e de natureza bancária, com condições mais favoráveis aos seus associados. Como são equiparadas às instituições financeiras tradicionais, seu funcionamento é regulamentado pelo Banco Central.
  • Educacional - Cooperativas educacionais surgiram a partir da deficiência do Estado de prover ensino público de qualidade e da incapacidade das famílias de bancar os altos custos do ensino particular. O papel de uma cooperativa educacional é ser a gestora e mantenedora da escola, que deve funcionar de acordo com a legislação em vigor, da mesma forma que qualquer outra escola. O foco está no ponto de vista social e ideológico, mais do que o econômico, sendo objetivo maior a formação educacional de crianças e adolescentes e não o lucro e sobras financeiras.
  • Infraestrutura - Segmento constituído por cooperativas que visam prestar, de forma coletiva, serviços de infraestrutura aos seus cooperados. No Brasil, são mais conhecidas como cooperativas de eletrificação, que têm como objetivo o fornecimento de energia elétrica às comunidades de seu entorno, seja gerando sua própria energia, ou repassando a energia de concessionárias através de suas linhas de transmissão.
  • Trabalho - Essas cooperativas buscam melhorar a remuneração e as condições de trabalho dos seus associados. São constituídas por pessoas ligadas a uma determinada ocupação profissional. O grande desafio neste ramo é seu enquadramento legal, tanto no que se refere à legislação trabalhista como à cooperativista em si. Certamente é o ramo com maior potencial de crescimento, mas também é onde a complexidade jurídica mais prejudica sua atuação.
  • Saúde - Basicamente, as cooperativas de saúde dedicam-se à prestação e promoção da saúde humana. Dividem-se em médicas, odontológicas, psicológicas e de usuários. Presente em todo território brasileiro, presta serviço de saúde à grande parte da população, sendo de suma importância na sociedade.
  • Transporte - É uma espécie de cooperativa que poderia ser enquadrada no ramo trabalho, mas, devido às peculiaridades de sua atividade, tem denominação própria. As cooperativas de transporte dividem-se em modalidades: transporte individual de passageiros (táxi, moto táxi); transporte coletivo de passageiros (vans; ônibus); transporte de cargas (caminhões, motocicletas, furgões); transporte escolar (vans e ônibus).
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