Porto Alegre, sexta-feira, 06 de julho de 2018.

Jornal do Comércio

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Notícia da edição impressa de 06/07/2018. Alterada em 05/07 às 23h00min

Cooperativas agropecuárias estímulam a economia local

Languiru segue investindo em segmentos tradicionais, como leite, mas também diversifica sua produção

Languiru segue investindo em segmentos tradicionais, como leite, mas também diversifica sua produção


MARCELO G. RIBEIRO/JC
A Cooperativa Languiru é considerada uma das maiores do Brasil. Atualmente, é a terceira do Rio Grande do Sul em faturamento e, em breve, deve alcançar o topo da lista. A diversificação de produtos justifica o ritmo constante de crescimento: ela tem 25 unidades de negócios. "A diversidade de produtos é fundamental para superar qualquer crise", reconhece Dirceu Bayer, presidente da cooperativa. A marca mantém investimento em nichos tradicionais, como leite, aves e suínos, mas também em outros considerados mais seguros, como rações, varejo e postos de combustíveis. "E isso nos distingue no mercado. Atualmente, 30% do faturamento vem destes outros segmentos que apostamos no mercado interno", revela.
De acordo com Bayer, 86% dos moradores de Teutônia, cidade em que está localizada a matriz, fazem parte de alguma cooperativa. "E esse envolvimento não se dá só em Teutônia, mas em toda a região: as cooperativas fazem parte da vida das pessoas de alguma forma", observa. O cooperativismo mostra, então, que deu certo. "A riqueza fica na região. Nos últimos anos, temos conquistado o reconhecimento de toda a comunidade", diz o executivo.
Ciente da importância do cooperativismo para o desenvolvimento local e regional, Bayer enfatiza que as cooperativas, de diferentes segmentos, são grandes responsáveis pela qualidade de vida das famílias do campo e da cidade.
No exercício de 2017, o faturamento bruto da Languiru foi de R$ 1,228 bilhão, com resultado líquido de R$ 17,6 milhões e patrimônio líquido de R$ 192,4 milhões. Esse desempenho credencia a cooperativa como destaque no ranking "500 Maiores do Sul", projeto da Revista Amanhã e da consultoria PwC Brasil, que apresenta as empresas líderes do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, divulgado no segundo semestre de 2017.
No início de 2018, a cooperativa fez a distribuição das suas sobras: foram mais de R$ 7 milhões que retornam aos produtores rurais, levando em consideração a movimentação do produtor com a cooperativa da qual é dono, seja na venda da matéria-prima ou nas compras efetuadas em alguma das unidades de varejo.
E a movimentação dos produtores no campo também acaba refletindo em recursos financeiros na cidade. A projeção é que, até o final deste ano, o faturamento da Languiru seja de R$ 1,350 bilhão. "Cada qual tem a liberdade de utilizar essas sobras repassadas pela conta movimento da forma que achar melhor, podendo reinvestir na propriedade, quitar algumas dívidas ou até tirar férias com a família. O nosso cooperado espera por esse momento e toda comunidade acaba usufruindo desses recursos que, costumeiramente, são reinvestidos nos municípios onde a Languiru atua", avalia.

Modelo diferenciado permite investir em outros mercados

A Cooperativa dos Suinocultores de Encantado (Cosuel), que está por trás da marca Dália Alimentos, conquistou o reconhecimento pela inovação nestas pouco mais de sete décadas de trabalho. A cooperativa, que até então se dedicava ao desenvolvimento de produtos a base de suínos e lácteos, decidiu dar um passo importante: investir em um modelo diferenciado para a produção avícola.

A Região do Vale do Taquari sempre teve uma vocação para suínos, leite e aves. No entanto, a Dália ainda não contemplava a atividade neste último segmento. A cooperativa está trabalhando na estruturação de matrizeiro e incubatório de ovos - no matrizeiro são produzidos os ovos férteis para abastecer o incubatório que, por sua vez, produzirá os pintos que serão alojados para produção de frango de corte - e também na construção dos condomínios de produção de aves de corte. Ao todo, serão nove condomínios em nove cidades da região. Cada estrutura terá oito pavilhões com capacidade para 275 mil aves. "Buscamos o que há de melhor em tecnologia. É preciso lembrar que a cooperativa sempre concorre com o mercado. Precisamos inovar constantemente", reconhece Gilberto Antônio Piccinini, presidente do Conselho de Administração da Dália.

Os condomínios trazem oportunidades aos produtores que passam a ser empresários rurais, pois entram como associados do negócio. O investimento em cada estrutura será de R$ 7,5 milhões. Faz parte do projeto ainda a construção do complexo frigorífico de aves, fábrica de rações e de farinha, que devem ficar prontas ainda no segundo semestre do ano. O complexo demandará investimento de R$ 95 milhões por parte da Dália Alimentos. O abate inicial será de 55 mil aves/dia com capacidade posterior de abate para até 110 mil aves/dia.

A capacidade de inovar é resultado de um modelo sólido de gestão. De acordo com o presidente do Conselho de Administração, a Dália entendeu que, ao trabalhamos com um acompanhamento e monitoramento do custo semanal, pode acompanhar mais de perto o ciclo do produto e seus resultados. "Assim, temos informações para tirar e colocar produtos no mercado com rapidez", comenta Piccinini. Ele afirma ainda que, neste processo de gestão, a tomada de decisão se dá com agilidade porque existe um envolvimento significativo de associados que fazem parte das operações do dia a dia da cooperativa. "Nós temos uma estrutura bastante enxuta: a Dália tem apenas oito gerentes, além dos técnicos que levam informações aos produtores, e muitos cooperados trabalhando efetivamente em diversas áreas."

A Dália movimenta 4.250 famílias em 132 municípios do Rio Grande do Sul, emprega 2.350 funcionários e, em 2017, registrou faturamento de R$ 1,1 bilhão. O Complexo Avícola foi possível através de parceria público-privada. "O cooperativismo é sempre um aliado porque desenvolve a região", finaliza.

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