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Entidades

Notícia da edição impressa de 16/07/2019. Alterada em 16/07 às 06h31min

Uma janela de oportunidades abre-se neste ano para a Federasul

Para Simone, é preciso união, determinação e atitudes propositivas para que o País volte a "entrar nos trilhos"

Para Simone, é preciso união, determinação e atitudes propositivas para que o País volte a "entrar nos trilhos"


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Caren Mello
Presidente da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul), Simone Leite acredita que após um período de individualismo e de negação da política, o brasileiro deu-se conta de que a fórmula não dá resultados. Segundo ela, é preciso união, determinação e atitudes propositivas para que o País volte a "entrar nos trilhos", retomando o crescimento econômico. Encabeçando a entidade associativa dos setores da indústria, comércio, serviço e agricultura, a dirigente acredita que os últimos movimentos na área da política e da economia são oportunidades para que o Brasil e o Rio Grande do Sul voltem a crescer.
O indicativo de que o País começara a deixar para trás um período de crise - seja na ética ou na política - aconteceu próximo às eleições, segundo ela. Quando o brasileiro foi para as ruas, com bandeiras, ficou evidenciado o sentimento de esgotamento, que, consigo, demonstrou, também, a superação do individualismo. A partir daí, criou-se um sentimento de euforia para 2019. De certa forma, exagerado, pondera a presidente, como se houvesse uma fórmula mágica que tudo mudaria. Neste sentido, alerta: "A economia é movida por expectativa. O ano começou antes do Carnaval, mas ainda há muito a ser feito".
A reforma da Previdência, o ajuste fiscal e as privatizações são preponderantes para que o País volte a crescer. Sem eles não haverá novos investimentos, recursos externos ou obras de infraestrutura, que movimentam a economia e geram a abertura de novos postos de trabalho.
Simone entende que só haverá uma reação da economia com o ajuste fiscal, que, por sua vez, só acontecerá a partir da reforma."Este ano de 2019 abriu uma janela de oportunidades: uma janela para transformar a economia e retomar a ética e a moral na política. É em 2019 que precisamos fazer a reforma da Previdência, que temos condição de fazer a reforma tributária. É em 2019 que temos que continuar apoiando a Lava Jato, e é em 2019 que teremos esse novo horizonte no Estado. São janelas que se abrem e que precisamos aproveitar", pontua.
Como forma de reorganizar a sociedade e elencar as prioridades coletivas, a Federasul realiza, desde fevereiro, fóruns regionais. Neles, prefeitos, vereadores e lideranças empresariais de oito macrorregiões fazem o mapeamento das prioridades que serão levadas, ao final do ano, para o governador Eduardo Leite e o presidente da Assembleia, Luís Augusto Lara.
A entidade também lançou a campanha "Sim à reforma da Previdência", de esclarecimento à sociedade. Como forma de contrapor os partidos de esquerda, a entidade posicionou-se para esclarecer que o atual sistema produz, acima de tudo, injustiça social. "O Rio Grande do Sul, através das nossas 168 entidades filiadas e mais de 90 mil empresas sob o nosso guarda-chuva, está recebendo munição para esclarecer à opinião pública", diz a presidente, ao ressaltar que 50% da arrecadação de ICMS do Estado vai para cobrir o déficit da Previdência. "É um ICMS caro que é drenado para a Previdência, mas que poderia ser direcionado para o desenvolvimento social."
Embora essa reforma gere resultados a partir de um prazo de oito a 10 anos, seus efeitos práticos já poderiam ser sentidos logo à sua aprovação. O Brasil se tornaria mais atrativo e aumentaria a confiança dos investidores, o que tiraria o País da estagnação econômica.
A Federasul também tem ações voltadas à defesa das privatizações, como forma de restabelecer a economia do Estado. "Se no País passamos por uma crise ética, política e econômica, no Rio Grande do Sul ela é financeira. Precisamos desse rearranjo", observa Simone, ao destacar que o equilíbrio para as contas públicas irá gerar investimentos e abertura de postos de trabalho.
A entidade ainda está vigilante quanto à proteção das empresas diante do crescimento do comércio virtual. Embora não trabalhem de forma específica em campanhas voltadas a esse setor, a defesa da diminuição da carga tributária é um ponto importante para a manutenção do comércio físico. "O comércio pela internet teve uma ascensão porque a carga de impostos é menor. Temos que criar mecanismos para que o comércio não feche e não demita. Nosso radar está sempre atento à manutenção das empresas e preservação dos postos de trabalho. A própria arrecadação do Estado cai. É um olhar econômico e social."

Fóruns Regionais têm incentivado o debate coletivo

Eventos, promovidos desde fevereiro, organizam a sociedade e elencam prioridades
Eventos, promovidos desde fevereiro, organizam a sociedade e elencam prioridades
/ROSI BONINSEGNA/DIVULGAÇÃO/JC
A Federasul realizou, desde fevereiro, cinco Fóruns Regionais, como forma de reorganizar a sociedade e elencar as prioridades coletivas. Infraestrutura e logística, envolvendo portos, dragagens, novas opções de modais estão entre os focos principais. Em três dos cinco encontros, projetos envolvendo o turismo também foram citados como emergências. 
De acordo com Simone Leite, presidente da Federasul, as principais demandas também passam pela saúde, com investimentos que potencializem mais serviços de pronto socorro. O Fórum Rio Grande em Transformação faz, em cada reunião, uma radiografia da realidade do Rio Grande do Sul e, ao mesmo tempo, discute ações que possam beneficiar não apenas a cidade, mas a região.
A Federasul trabalha de forma a tornar o Rio Grande do Sul um Estado atrativo a negócios, ao mesmo tempo que desenvolve o espírito de pertencimento e de transformação do cidadão em relação à sua região. "Queremos que as pessoas pensem de forma coletiva, o que desenvolve a região, não apenas o seu mundo", destaca a presidente Simone Leite.
 
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