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08/11/2019 - 11h55min. Alterada em 08/11 às 12h00min

De olho nas passarelas: os segredos do casting na moda brasileira

Sherlock Communication
Com as semanas de moda se encerrando, entrevistamos um especialista em casting de modelos para falar mais sobre o mercado no Brasil.
Comerciais, desfiles de moda, programas de tv ou editoriais, todos eles dependem de um bom elenco para terem sucesso com o público. Por diversas vezes assistimos filmes, propagandas e desfiles onde o elenco não transmite ao consumidor a mensagem desejada. Isso revela a importância em contratar um bom profissional de casting para o trabalho.
Alexandre Queiroz, também conhecido como Alê, é responsável pela seleção de elenco em muitos desfiles de moda e campanhas publicitárias, no SPFW, Minas Trend e eventos internacionais. Personalidade influente no mercado, ele também é chefe de moda e lifestyle na Sherlock Communication, responsável pela escolha de influenciadores e personalidades para as campanhas de clientes.
Alê se descreve como, “o elo entre as agências de modelo e as marcas”. Começou na carreira por acidente em 2001, no Rio de Janeiro, quando teve a chance de participar de um photoshooting para uma grife italiana. Depois disso, ele trabalhou como produtor de fotografia em editoriais de moda para a Vogue, o que o levou à produção de desfiles de moda. Mas foi no casting onde descobriu sua verdadeira paixão. "Mesmo depois de todo esse tempo, o que eu mais gosto sobre a produção de elenco é a oportunidade de descobrir novos talentos, dar uma chance aos ‘new faces’ da indústria e, poder vê-los alcançando grandes feitos."
Alê tem conexões com pessoas influentes no mercado da moda e está presente em todos os grandes eventos e produções do mercado. Ele já assinou o casting para marcas como Osklen, Ellus e Loungerie. Durante essa edição do SPFW, fizemos algumas perguntas sobre como é o mundo do casting no Brasil e como ele vê o futuro da indústria.
Por trás das câmeras
Qual é o aspecto principal que você procura ao escolher um modelo para um desfile?
Para mim, não é sobre beleza, porque existem muitos modelos bonitos no mercado. O que faz a diferença é ter algo que chame atenção e, não necessariamente, relacionado à beleza, ter um brilho, saber andar corretamente na passarela, são diferenciais. Esse é o verdadeiro diferencial na hora da escolha. Isso serve também para campanhas publicitarias e editoriais, o modelo precisa saber posar, ser versátil e ágil.
Qual a sua opinião sobre o uso de atores ou celebridades em um show em vez de um modelo profissional?
Quando uma celebridade está na passarela, acabam atraindo toda a atenção para longe das roupas e isso pode ser prejudicial à marca. Afinal, é um desfile de moda e queremos que as pessoas se concentrem nas roupas e não na pessoa que as usa. Colocar uma pessoa famosa na passarela pode até trazer certa visibilidade para a sua marca, mas de forma secundária. Sua roupa deixa de ser o centro. Eu defendo um casting que não interfira na imagem da roupa.
Qual é o maior problema na indústria no Brasil?
Acredito que a grande questão do Brasil em relação ao casting é que a maioria dos estilistas e até diretores de elenco só acredita em modelos que já tenham trabalhado com marcas no exterior. E isso é um grande erro, porque ser talentoso e ter disposição de trabalho é o mais importante e não tem nada a ver com um portfólio. É importante lembrar que desfiles, editoriais e comerciais de marcas internacionais não são como os nossos aqui no Brasil. A realidade da moda é totalmente diferente nesses países, por questões culturais e históricas, então acredito que devemos buscar a nossa própria identidade ao invés de tentar copiar algo que não se encaixa em nossa realidade.
Na passarela
Você tem autonomia durante o processo de seleção?
Normalmente, em relação a desfiles de moda e campanhas, eu sou o único com a palavra final. Então eu escolho o modelo que se encaixa melhor na ideia e conceito da marca. Mas às vezes, eu tenho que ter a opinião dos outros e, na verdade, quando isso acontece, o stylist interfere mais na escolha do que o estilista, mas tenho certa autonomia e sempre sou consultado no final.
É difícil ter um elenco representativo?
As pessoas estão falando muito sobre representatividade e inclusão atualmente. Para mim, essa representatividade tem que vir de todos os lados da marca e não apenas durante um desfile de moda ou campanha, caso contrário, parece falsa. Os movimentos sociais deram grande visibilidade a estas questões na indústria da moda e está mudando o cenário pouco a pouco. Hoje, você já vê um casting aberto e mais diversificado, no passado, você só via modelos de padrão europeu. O Brasil precisa dessa mudança. O mundo precisa dessa mudança.
Qual a principal características dos(as) modelos brasileiros(as)?
O profissionalismo. Estou há 14 anos no mercado e participo de muitas convenções de modelo pelo Brasil e acho que, por esse profissionalismo, é que devemos sempre dar chance para aquele(a) modelo que está começando e valorizar o interesse e o trabalho daquela pessoa. É meu papel intermediar o interesse da marca, mas sempre valorizando também o do profissional.
Após o show
De modo geral, como você vê a indústria brasileira de moda?
Está faltando criatividade Brasil. Vários estilistas começando e que são muito bons, esperando por uma chance e o mercado acaba sendo sempre o mesmo, continuando na mesma. Isso acontece não só com estilistas, mas também com modelos, fotógrafos, etc. Hoje em dia quase não se tem crítica de moda. As pessoas falam superficialmente sem focar na roupa e no trabalho do estilista.
Algo que mudou muito foi a tecnologia e as mídias digitais. As redes sociais mudaram as pessoas. O influenciador despertou o desejo de querer tudo muito rápido, a questão do “veja agora e compre agora”, e nossa indústria não tem como produzir isso. Essa demanda. Infelizmente, hoje, as marcas são todas voltadas para os 'likes'. Mas eu me pergunto: Like vira mesmo dinheiro?
Uma dica que eu acho fundamental para quem já está nesse mercado é: abra os olhos e descubra o que este país tem para admirar. Não faça tudo o que os outros fazem.
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