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Porto Alegre, quinta-feira, 14 de outubro de 2021.
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Editorial

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Editorial

- Publicada em 20h16min, 13/10/2021.

O Papa e a consulta democrática do Vaticano

A Igreja Católica tem cerca de 1,3 bilhão de fiéis no mundo. O Papa Francisco tem demonstrado vontade de abrir o Vaticano para grupos que, historicamente, têm recebido pouco ou nenhuma atenção da Igreja. Agora, o Sumo Pontífice anunciou o que já é considerado o maior movimento de consulta democrática da história da Igreja Católica.
A Igreja Católica tem cerca de 1,3 bilhão de fiéis no mundo. O Papa Francisco tem demonstrado vontade de abrir o Vaticano para grupos que, historicamente, têm recebido pouco ou nenhuma atenção da Igreja. Agora, o Sumo Pontífice anunciou o que já é considerado o maior movimento de consulta democrática da história da Igreja Católica.
Desde que se tornou Papa, em 2013, Francisco tem defendido que a Igreja se volte mais para as suas bases, pois o futuro depende delas. Na primeira consulta, que começou no último domingo e vai até abril de 2022, católicos em paróquias e dioceses discutirão assuntos sobre a participação das mulheres, grupos minoritários, pastorais e pessoas às margens da estrutura formal da instituição. O Pontífice quer debater até que ponto a Igreja escuta a juventude. Importante também uma maior rigidez contra os desvios de conduta de religiosos. Por dois anos seguidos, o Papa Francisco quer que a maioria dos católicos sejam ouvidos sobre o futuro da Igreja. Para tanto, conta com assembleias regionais e, por fim, o Sínodo - palavra oriunda do grego e que significa um caminho construído em conjunto - dos Bispos marcado para 2023 no Vaticano.
Há anos que muitos católicos pedem algumas mudanças, o que, a partir da consulta por dois anos seguidos, provavelmente será oficializado. Temas que vêm sendo trazidos à tona mais recentemente, como maior participação feminina na tomada de decisões da Igreja e amplo acolhimento de grupos ainda marginalizados pelo catolicismo conservador, caso dos homossexuais e divorciados em segunda união, provavelmente vão aparecer no processo da consulta pública.
Clara e publicamente um pontífice reformador, Francisco utilizará as consultas para consolidar seu pontificado reformador. Para ele, o próximo sínodo terá como tema a própria sinodalidade, ou seja, a maneira de ser e de agir da Igreja. O Papa Francisco tem se inspirado no modo de vida dos primeiros cristãos, cujas decisões eram tomadas de forma colegiada. Evidentemente que a hierarquia e a palavra final da maioria dos assuntos serão tomadas no Vaticano, nos sínodos tradicionais. A consulta pública será um avanço democrático na Igreja, mas será do Papa a palavra final.
Segundo alguns vaticanistas, se a consulta tiver êxito, como bem provável, a instituição terá dado um passo importante. O modelo levado ao extremo por Francisco dificilmente poderá ser deixado de lado, mesmo quando outro for o papa.
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