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Negócios Corporativos

- Publicada em 11/01/2022 às 03h00min.

Depois da curta falência, indústria gaúcha tem novo dono e salários em dia

Empresa de Pelotas passou por uma recuperação judicial frustrada

Empresa de Pelotas passou por uma recuperação judicial frustrada


/NUTRICEREAIS/DIVULGAÇÃO/JC
Patrícia Comunello

"É uma empresa nova", resume o empresário Anderson Kreuz, acionista da holding BLK, dona agora da ex-Graintek, que, deste ontem, chama-se Nutricereais. E é "nova" literalmente, pois a indústria tem CNPJ recém-criado, demarcando o fim da Graintek, indústria gaúcha de alimentos que passou por uma recuperação judicial frustrada, que virou falência no fim de 2021, e teve a sobrevida assegurada por um leilão judicial feito rapidamente para evitar a desvalorização de ativos e assegurar quase 70 empregos.

"É uma empresa nova", resume o empresário Anderson Kreuz, acionista da holding BLK, dona agora da ex-Graintek, que, deste ontem, chama-se Nutricereais. E é "nova" literalmente, pois a indústria tem CNPJ recém-criado, demarcando o fim da Graintek, indústria gaúcha de alimentos que passou por uma recuperação judicial frustrada, que virou falência no fim de 2021, e teve a sobrevida assegurada por um leilão judicial feito rapidamente para evitar a desvalorização de ativos e assegurar quase 70 empregos.

Este é o resumo da história recente da indústria com sede em Pelotas, na Zona Sul do Estado, que surgiu em 2016 da separação de ativos da Cereale, player alimentícia com mais de 30 anos de atuação. A ex-Graintek processa grãos como milho e arroz para elaboração de cereais matinais e farinha láctea para marcas próprias, entre elas a Nestlé. 

A recuperação judicial foi instaurada em 2019, após uma crise de reduziu o uso da capacidade, atrasou o pagamento de funcionários e redundou em uma dívida estimada hoje em cerca de R$ 90 milhões, incluindo o passivo tributário de cerca de R$ 55 milhões, explica o administrador judicial, Fábio Cainelli de Almeida, do escritório Cainelli de Almeida.

Em outubro, o plano de recuperação foi rejeitado pela maioria das classes de credores. Com isso, o processo foi convertido em falência pela Justiça, seguindo a legislação para empresas, o que ocorreu em 24 de novembro. A partir daí, o administrador judicial montou uma estratégia para acelerar a etapa de venda em busca de recursos para saldar dívidas, usando o recurso do "stalking horse", modalidade de leilão de preferência. 

"A brevidade é indispensável. A instabilidade da situação falimentar, ainda que continuada, somada à escassez de caixa tornam urgente a venda da operação para empresa que possua recursos para injetar no negócio, mantendo a sua função social e os postos de trabalho", justificou o administrador judicial, em petição no começo de dezembro. 

O leilão com lance mínimo de R$ 8,4 milhões, no dia 17 do mês passado, não teve interessado. Com isso, a BLK, que fez o "stalking horse" e havia ofertado 70% do valor, arrematou a operação por cerca de R$ 5,8 milhões, sendo que 60% foram pagos na oficialização da venda, um pouco antes do Natal. Os 40% restantes serão pagos em 12 parcelas, a partir do fim de janeiro deste ano.

No valor inicial, foram descontados ainda R$ 1 milhão antecipados pela compradora para dar um respiro no caixa. O dinheiro foi usado principalmente para quitar salários e pagar em dia o vencimento de dezembro. "Pagamos a folha no dia 5 deste mês, depois de dois anos de parcelamentos e atrasos", pontua o sócio-proprietário da Nutricereais.

Com a quitação de salários e verbas rescisórias, o quadro foi demitido e recontratado 100% pela nova dona, o que estava contemplado na proposta de venda. Os trabalhadores terão ainda estabilidade de seis meses.

Os novos donos fazem parte de um grupo familiar, que faz a primeira investida em alimentos. Os Kreuz são donos da empresa que detém a marca de sabão Imperial e de uma indústria de subprodutos para ração animal, situada em Goiás.

Entre a decretação da falência, em 24 de novembro de 2021, e o leilão foram 23 dias apenas. Em 6 de dezembro, o administrador judicial apresentou a proposta de alienação e já com o formato. Seria usado o recurso do "stalking horse", modalidade de leilão com preferência.

Pelo instrumento, um interessado prévio no negócio faz a avaliação dos ativos para definir um preço mínimo, mas não participa necessariamente da disputa. A empresa só entra no negócio se não tiver interessado ou para cobrir o valor ofertado, exercendo a preferência na compra dos bens.

"É uma oferta inicial, antecipada e vinculante que é utilizada para garantir o valor mínimo de venda dos bens da falida. A modalidade evita a necessidade de um segundo leilão, no qual os bens poderiam sofrer a depreciação de 50% ou até mais", argumentou o administrador judicial Fábio Cainelli de Almeida, citando que, na tradução livre, "stalking horse" é "cavalo perseguidor", em alusão ao animal que vai à frente para auxiliar nos objetivos da caçada.

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