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Mercado de Trabalho

- Publicada em 13/10/2021 às 12h56min.

Indústria puxa criação de empregos formais no RS neste ano

Segmento coureiro-calçadista é um dos que mais gerou postos de trabalho

Segmento coureiro-calçadista é um dos que mais gerou postos de trabalho


FREDY VIEIRA/JC
Cristine Pires
O Rio Grande do Sul começa a retomar as contratações formais, que foram diretamente impactadas pela pandemia. De janeiro a agosto de 2021, o Estado gerou 118,8 mil empregos, o que representa uma alta de 4,7%. Os dados fazem parte do Boletim de Trabalho, publicação do Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), divulgado na manhã desta quarta-feira (13) pelo governo do Estado.
O Rio Grande do Sul começa a retomar as contratações formais, que foram diretamente impactadas pela pandemia. De janeiro a agosto de 2021, o Estado gerou 118,8 mil empregos, o que representa uma alta de 4,7%. Os dados fazem parte do Boletim de Trabalho, publicação do Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), divulgado na manhã desta quarta-feira (13) pelo governo do Estado.
O estudo, elaborado pelos pesquisadores Raul Bastos e Guilherme Xavier Sobrinho, aponta a indústria na liderança na criação de postos de trabalho no acumulado dos oito meses de 2021, representando 38,8% do total, com destaque para os segmentos de máquinas e equipamentos e o coureiro-calçadista. O ranking é seguido do setor de serviços (37,6% do total), comércio (16,8%), construção (4,7%) e agropecuária (2,1%).
As informações, elaboradas a partir de informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e do Novo Caged, do Ministério da Economia, apontam saldo positivo de 7,65% no período de 12 meses - entre setembro de 2020 e agosto de 2021), o equivalente a 188,1 mil novos empregos. Já na análise mensal, o Estado gerou 11,8 mil vínculos formais no mês de agosto em relação a julho deste ano.
O registro de altas no acumulado de 2021, na apuração de 12 meses e na comparação mensal, no entanto, não são suficientes para que o Rio Grande do Sul fique acima da média do Brasil. Entre janeiro e agosto deste ano, o País registrou acréscimo de 5,6% e, na soma de 12 meses (setembro de 2020 a agosto de 2021), a expansão chegou a 8,35%.
Já na avaliação mensal (agosto sobre julho de 2021), o Brasil obteve incremento de 0,9% nos vínculos formais. No ranking nacional, o Rio Grande do Sul fica na 26ª posição na comparação mensal (agosto/julho de 2021) e na 22ª nos outros intervalos.
O que chama a atenção, diz Xavier Sobrinho, é a importância de uma retomada depois de um período em que o mercado de trabalho foi fortemente afetado pela pandemia. Para se ter uma ideia, apenas no intervalo de março e junho de 2020, foram fechadas 123 mil vagas no Estado, 80 mil delas no mês de abril do ano passado. "O fato de o setor de máquinas e equipamentos figurar entre os que mais cresceram mostra o dinamismo do investimento com perspectiva de aprimorar produção e serviço, o que é um elemento importante e positivo", afirma o pesquisador.
Outro destaque é quanto ao perfil das vagas. Em função da reforma trabalhista e dos reflexos da pandemia no aumento do desemprego e crescimento da informalidade, a tendência é que os trabalhadores empregados fossem, em sua maioria, provenientes de trabalho temporário, intermitente ou aprendiz. No entanto, essas três categorias, juntas, representaram apenas 5,5% do total de novos postos de trabalho formais no acumulado de 12 meses.
De outro lado, preocupa o fato de as vagas terem sido ocupada, de forma expressiva, por pessoas de 17 a 24 anos, que representam um total de 125,1 mil trabalhadores do total de 188,1 mil. O alerta deve-se ao fato de que esta faixa etária normalmente é encaminhada para funções mais iniciais e com remunerações mais baixas. Para os trabalhadores de 50 anos ou mais, por exemplo, houve redução na geração de novos postos, com o fechamento de 13.800 empregos em 12 meses.

Indústria é destaque entre os segmentos em recuperação

A indústria foi a responsável pelo maior volume de vagas criadas, com destaque para os segmentos de máquinas e equipamentos e coureiro-calçadista. De acordo com a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), com a pandemia ficando para trás, em uma ambiente de aceleração da vacinação, o segmento vem experimentado uma retomada no consumo de calçados. "Como mais de 85% da nossa produção é voltada para o mercado doméstico, temos um impacto muito importante na geração de postos", explica a entidade.
Além disso, a Abicalçados destaca que, por ser um setor intensivo em mão de obra, responde rapidamente diante das retomada econômicas, que é o fenômeno que está ocorrendo. "As atividades que estão sendo mais buscadas são justamente as que atuam direto na linha de produção, devido ao aumento da demanda", completa a entidade.
André Nunes, economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), enfatiza que a indústria está atendendo à demanda reprimida em função das necessidades de adequação impostas pela pandemia, e que ganhou impulso com o crescimento dos programas de incentivo por parte do governo federal, caso do auxílio emergencial, por exemplo. "Estamos engatando vários meses consecutivos de geração de vagas e a perspectiva é que 30% das indústrias aumentem o número de empregos nos próximos seis meses", relata, referindo-se à pesquisa de sondagem realizada pela Fiergs no mês de agosto.

Litoral Norte e Serra em destaque

Considerando as vagas geradas em 12 meses (set/2020 a ago/2021) e a divisão do Estado em nove Regiões Funcionais (RF) para fins de planejamento, a RF4, que abrange o Litoral Norte, e a RF3, que engloba as regiões da Serra, Hortênsias e Campos de Cima da Serra, lideraram o aumento no estoque de vínculos formais de trabalho. Na primeira, a alta foi de 13,1% no período, enquanto a segunda o crescimento chegou a 9,5% no mesmo intervalo.
No lado oposto do ranking das regiões, a RF6, da Campanha e da Fronteira Oeste, e a RF2, dos vales do Taquari e do Rio Pardo, registraram as menores variações, com altas de 4,7% e 5,2%, respectivamente. "A liderança do Litoral Norte foi possivelmente beneficiada por um incremento populacional relacionado à pandemia, enquanto na Serra a atividade da indústria, que foi o setor com maior dinamismo na geração de empregos, especialmente o ligado ao segmento de máquinas e equipamentos, puxou o desempenho. A estiagem de 2020 e a retração no segmento de produtos de fumo foram determinantes para os números das regiões da Campanha e dos Vales", analisa o pesquisador Guilherme Xavier Sobrinho.
Das vagas geradas em 12 meses, houve um equilíbrio na distribuição entre homens e mulheres (50,6% e 49,4%, respectivamente), com destaque para as pessoas com Ensino Médio completo (60,2% do total) e com idades entre 18 e 24 anos (52,0% do total).


Aspectos básicos do mercado de trabalho

Quando considerados os dados da Pnad Contínua do IBGE sobre o segundo trimestre de 2021, a taxa de participação na força de trabalho (TPFT), que indica a porcentagem de pessoas em idade de trabalhar (14 anos ou mais) que estão ocupadas ou em busca de trabalho, registrou alta em relação ao primeiro trimestre, chegando a 59,5% – ante 58,3% do período anterior.
Quanto ao nível de ocupação – percentual de pessoas ocupadas em vínculos formais e informais em relação às pessoas em idade de trabalhar – o indicador registrou variação de 1,3 ponto percentual no segundo trimestre de 2021 na comparação com o primeiro, com o contingente de ocupados alcançando 5,31 milhões de pessoas.

Taxa de informalidade no Estado


A taxa de informalidade no Estado – que indica a soma dos empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado, trabalhadores domésticos sem carteira assinada, empregadores sem CNPJ, trabalhadores por conta própria sem CNPJ e os trabalhadores familiares em relação ao total de ocupados – chegou a 31,7% no segundo trimestre, percentual abaixo do registrado no Brasil (40,6%) e no Paraná (33,7%) e acima dos de Santa Catarina (26,9%) e São Paulo (31,1%).
A taxa de desemprego (desocupação) no Rio Grande do Sul permaneceu estável no segundo trimestre de 2021 (8,8%), tanto na comparação com o trimestre anterior como em relação ao mesmo período de 2020. No segundo trimestre de 2021, o RS tinha a segunda menor taxa de desemprego entre as 27 unidades da federação. Em relação aos outros Estados da região Sul, o Estado apresenta taxa similar à do Paraná (9,1%), acima da de Santa Catarina (5,8%) e inferior em comparação a São Paulo (14,4%) e ao Brasil (14,1%).

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