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conjuntura

- Publicada em 22/09/2021 às 18h21min.

Pesquisa aponta maior empobrecimento dos gaúchos durante a pandemia

Presidente do Legislativo afirmou que estudo é importante para verificar necessidade de leis que tratem sobre o tema

Presidente do Legislativo afirmou que estudo é importante para verificar necessidade de leis que tratem sobre o tema


Joel Vargas/ALRS/DIVULGAÇÃO/JC
Adriana Lampert
Apontada como principal impacto da pandemia de Covid-19, a queda da renda afetou 44,3% dos gaúchos desde março de 2020, segundo pesquisa encomendada pela Assembleia Legislativa (AL) do Rio Grande do Sul. O estudo, apresentado nesta quarta-feira (22) em transmissão ao vivo, aponta ainda que o isolamento social, acompanhado da impossibilidade de trabalhar durante meses seguidos, afetou a saúde emocional e mental de 23,8% dos entrevistados.
Apontada como principal impacto da pandemia de Covid-19, a queda da renda afetou 44,3% dos gaúchos desde março de 2020, segundo pesquisa encomendada pela Assembleia Legislativa (AL) do Rio Grande do Sul. O estudo, apresentado nesta quarta-feira (22) em transmissão ao vivo, aponta ainda que o isolamento social, acompanhado da impossibilidade de trabalhar durante meses seguidos, afetou a saúde emocional e mental de 23,8% dos entrevistados.
"As pessoas perderam a capacidade de passear, de adquirir cultura, de ter lazer, de tirar férias, e, conforme a renda, também a possibilidade de contar com uma faxineira (para ajudar nos serviços domésticos)", destaca a cientista política e social Elis Radmann, diretora do Instituto Pesquisas de Opinião (IPO). "É toda uma nova realidade, que também colocou jovens e crianças para dentro de casa e tirou da sociedade todas as válvulas de escape, gerando ansiedade, estresse e depressão em boa parte da população", resume.
De acordo com o presidente da AL, Gabriel Souza, a pesquisa - realizada entre 28 de agosto e 03 de setembro - busca verificar a necessidade de leis que possam subsidiar políticas públicas de combate à desigualdade social, além de compreender a percepção dos gaúchos sobre o tema no Estado. Ao todo, foram entrevistadas 1,5 mil pessoas com idade acima de 16 anos.
Ainda segundo o levantamento, em média, apenas 30% dos gaúchos saíram "ilesos" da crise familiar e financeira gerada pelo novo coronavírus no Estado. "Isso aconteceu principalmente entre moradores de cidades de menor porte", pondera. Por outro lado, 76,8% dos gaúchos declaram que a pandemia causou algum impacto na vida de sua família. 
As famílias com renda de até dois salários mínimos sofreram, principalmente, dificuldades financeiras como perda de renda, de emprego e dificuldade para trabalhar. Já as com maior renda passaram por problemas emocionais causados pelo isolamento social. "O estudo mostra que quanto mais pobre é o indivíduo, maior a perda financeira, e maior o impacto na saúde mental durante este período", pondera Elis.
Ao todo, 68,6% dos entrevistados tiveram algum impacto na renda familiar, sendo que 45% diz que a principal perda foi financeira. Com isso, também aumentou a desigualdade social. "Depois da morte (de infectados pelo novo coronavírus), o abalo na saúde financeira foi o maior rastro deixado pela pandemia", reforça Elis. O estudo aponta que 25,9% dos gaúchos viu a renda familiar diminuir pela metade - enquanto 19,1% teve os rendimentos encolhidos em menos da metade.
A diretora do IPO ressalta, que - em termos absolutos - atualmente cerca de 45% dos gaúchos estão vivendo com metade da renda ou menos da metade. Neste sentido, a população mais afetada é a que tem renda familiar de até dois salários mínimos. "O grande anseio é por um projeto de retomada econômica que gere empregos ou fomente o empreendedorismo", observa Elis. 
Entre os dados que refletem o empobrecimento da população, 70,6% dos entrevistados se classifica como sendo de classe média baixa - um aumento de 38% frente ao período anterior ao da pandemia (quando 53,5% afirmava estar neste patamar). O maior percentual de vulnerabilidade ocorreu nas Regiões de Porto Alegre e Pelotas, onde, por conta da diminuição da renda e incapacidade de trabalhar, a população foi afetada com menor poder de compra, inclusive para subsidiar as contas fixas, como a aquisição de alimentos.
"Ao todo, 26,8% dos entrevistados precisou de ajuda para comprar alimentos", informa a diretora do IPO, emendando que as classes sociais mais baixas foram as que mais precisaram pedir apoio. "Por outro lado, 36,6% dos gaúchos vivenciaram alguma vulnerabilidade social na pandemia." De acordo com o levantamento, 79% das pessoas que estão passando dificuldades não recebe nenhum auxilio do governo. 
Segundo Elis, a pesquisa mostrou que a maioria dos gaúchos "estão exaustos", "alguns pelo cansaço causado pelo isolamento social, outros sofrendo com as sequelas financeiras impostas pelas medidas restritivas". "E há também quem ainda esteja tentando tratar as sequelas da infecção ou chorando as perdas de seus entes queridos", pontua a cientista política e social.
No que se refere à perda de emprego, o grupo mais prejudicado foi o de mulheres com baixa escolaridade. Outro aspecto apresentado na pesquisa é o alto índice de evasão escolar no ensino superior, onde os estudantes precisaram largar a universidade como consequência da queda da renda familiar.
"Vimos muitos movimentos de instituições e prefeituras e outros órgãos governamentais ajudando a população (nos últimos 18 meses), mas segundo o levantamento, a maior parte dos gaúchos acredita que não se envolve nestas ações", aponta Elis. "No entanto, a maioria dos entrevistados afirma que ajudou seus familiares neste período de crise", pondera. "Ou seja: muita gente que ajudou outras pessoas, não identificou isso como um ato de engajamento social", explica.
A cientista política advertiu que as igrejas e ONGs foram mais ativas neste sentido do que o poder público, através dos CRAs (Centros de Referências da Assistência Social). Conforme o levantamento, a pandemia ampliou em 65% a participação dos gaúchos em ações voluntárias ou entidades representativas. 
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