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Indústria

- Publicada em 12h04min, 16/04/2021.

Setor calçadista espera crescer cerca de 12% em 2021

Produção de calçados sofreu uma queda de 18,4% no ano passado

Produção de calçados sofreu uma queda de 18,4% no ano passado


FREDY VIEIRA/arquivo/JC
Impactado pela pandemia do novo coronavírus, o ano de 2020 registrou queda em todos os indicadores da indústria calçadista brasileira. A produção de calçados caiu 18,4%, somando 764 milhões de pares, com o setor retornando a patamares de 15 anos atrás. A exportação, que responde por 14% das vendas, caiu 18,6%, para 93 milhões de pares, pior número em quase quatro décadas.
Impactado pela pandemia do novo coronavírus, o ano de 2020 registrou queda em todos os indicadores da indústria calçadista brasileira. A produção de calçados caiu 18,4%, somando 764 milhões de pares, com o setor retornando a patamares de 15 anos atrás. A exportação, que responde por 14% das vendas, caiu 18,6%, para 93 milhões de pares, pior número em quase quatro décadas.
Apesar de um primeiro trimestre de 2021 de incertezas, com o recrudescimento da Covid-19, a atividade deve registrar crescimento de cerca de 12% na produção e 13% na exportação de calçados. Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (15) pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), durante o evento Análise de Cenários.
Na oportunidade, o doutor em Economia Marcos Lélis ressaltou o papel da crise internacional e brasileira no resultado da indústria calçadista, mais impactada do que a média da Indústria de Transformação. Segundo Lélis, o Brasil deve levar mais tempo para sair da crise, especialmente em comparação com alguns dos seus principais concorrentes no setor calçadista. A China, por exemplo, cresceu 2,4% no ano passado, enquanto o Brasil viu seu PIB minguar em 4,1%. Em 2021, contando com um segundo semestre de retomada mais substancial na demanda, o Brasil pode crescer 3,7%. A China, 8,4%.
“Desde 2008 a economia brasileira vem fragilizada. O impacto de 2020 tornou a retomada muito mais difícil, com empresas cortando investimentos e perdendo ainda mais competitividade”, destacou o economista, ressaltando que, mesmo antes da pandemia, o Brasil vinha crescendo pouco em relação aos concorrentes.
Lélis disse, ainda, que a dificuldade de retomada, especificamente para o setor calçadista, passa pelo mercado doméstico, que representa mais de 85% das vendas do segmento. “A taxa de desemprego elevada, em mais de 14%, somada ao endividamento recorde das famílias brasileiras, na casa de 67%, dificultam muito a retomada do consumo”, comentou. O papel dos auxílios emergenciais, que seguraram, em parte, a queda na demanda em 2020, também deve diminuir, passando de 4% para 0,6% do PIB brasileiro, o que deve impactar na recuperação da atividade.
Projeções
Em 2021, o setor ensaia uma recuperação, embora deva terminar com níveis produtivos abaixo dos registros pré-pandêmicos, em 2019. A análise é da coordenadora de Inteligência de Mercado da Abicalçados, Priscila Linck. Segundo ela, mesmo crescendo na casa de 12% em 2021, a indústria calçadista deve terminar o ano, no cenário mais otimista, 7% menor do que em 2019. “Devemos ter um primeiro semestre mais difícil, para retomada a partir da segunda parte do ano”, disse.
Segundo Priscila, no primeiro bimestre do ano, a atividade cresceu 1% em relação ao mesmo período do ano passado. “Provavelmente por reposição dos estoques das vendas do final de 2020, já que as vendas internas caíram 20% no mesmo período”, explicou a coordenadora.
Já as exportações, impulsionadas pela desvalorização do real sobre o dólar, devem ter um crescimento de cerca de 13% em 2021. Assim como a produção, as exportações devem encerrar o ano menores do que o registro pré-pandemia, neste caso em cerca de 6%.
Emprego
O reflexo das dificuldades do setor calçadista brasileiro se deu, sobretudo, no emprego. Segundo Priscila, em 2020 foram perdidos mais de 21 mil postos, com o setor encerrando o ano empregando 247,7 mil pessoas, 8% menos do que no ano anterior. Já no primeiro bimestre de 2021, embalada pela recuperação na produção, a atividade criou 18,6 mil postos, terminando fevereiro com o registro de 266 mil postos diretos, 6,4% menos do que em fevereiro de 2020. Para 2021, Priscila revelou que a estimativa é encerrar o ano com 6% mais empregos do que em 2020.
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