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Turismo

- Publicada em 03h00min, 01/04/2021.

Trade da Serra pede mais diálogo com governo

Muitos hotéis da região fecharam as portas, diz Mauro Salles, do SindTur Serra Gaúcha

Muitos hotéis da região fecharam as portas, diz Mauro Salles, do SindTur Serra Gaúcha


CRISTINE PIRES/ESPECIAL/JC
Vinicius Appel
Atravessando um momento de crise em razão das restrições impostas pelo governo estadual na tentativa de frear as contaminações por Covid-19, o setor hoteleiro da Serra vê mais um feriado chegar sem turistas. A Páscoa, que costumava levar muitos visitantes à região, será de pouco faturamento. De acordo com o Sindtur/Serra Gaúcha - Sindicato da Hotelaria, Restaurantes, Bares e Similares da Região das Hortênsias, as cidades de Gramado, Canela, Nova Petrópolis e São Francisco de Paula contam com 133 hotéis e 180 pousadas, que anseiam por uma retomada do movimento. O presidente do sindicato, Mauro Salles informa que todos os hóspedes que eram aguardados em sua pousada para o próximo final de semana cancelaram suas reservas. Nesta entrevista, o dirigente pede mais diálogo com os governantes em busca de um novo fôlego para o setor e relata que hotéis precisaram encerrar suas atividades na região, deixando trabalhadores desempregados.
Atravessando um momento de crise em razão das restrições impostas pelo governo estadual na tentativa de frear as contaminações por Covid-19, o setor hoteleiro da Serra vê mais um feriado chegar sem turistas. A Páscoa, que costumava levar muitos visitantes à região, será de pouco faturamento. De acordo com o Sindtur/Serra Gaúcha - Sindicato da Hotelaria, Restaurantes, Bares e Similares da Região das Hortênsias, as cidades de Gramado, Canela, Nova Petrópolis e São Francisco de Paula contam com 133 hotéis e 180 pousadas, que anseiam por uma retomada do movimento. O presidente do sindicato, Mauro Salles informa que todos os hóspedes que eram aguardados em sua pousada para o próximo final de semana cancelaram suas reservas. Nesta entrevista, o dirigente pede mais diálogo com os governantes em busca de um novo fôlego para o setor e relata que hotéis precisaram encerrar suas atividades na região, deixando trabalhadores desempregados.
Jornal do Comércio - Muitos hotéis da região foram fechados em razão da crise?
Mauro Salles - Sim, tivemos várias empresas fechando na hotelaria. Desde hotéis pequenos e pousadas, que foram a maioria, até hotéis grandes e simbólicos, como o Laje de Pedra. E na gastronomia também, vários restaurantes fechados. A gente fez uma pesquisa junto aos empresários, não só de hotelaria, mas todos os tipos de associados que nós temos, questionando se eles pensavam em fechar o negócio durante os próximos 60 dias e 60% disseram que vão fechar em razão das dificuldades que estão enfrentando.
JC - É possível contabilizar o número de demissões?
Salles - Há um cálculo que mostra que nós tivemos, entre Gramado e Canela, na gastronomia e na hotelaria, em torno de dois mil empregos perdidos. E no Estado, nós tínhamos feito uma pesquisa no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), o turismo perdeu quase 18 mil empregos.
JC - Quais impactos mais significativos para o setor hoteleiro neste momento?
Salles - O turismo praticamente que a gente tem tido aqui na região, desde que começou a pandemia, é um turismo local e em quantidade longe de atender a nossa oferta. A gente tem uma estrutura de oferta bem grande, em crescimento, que precisa de um turismo nacional e até internacional, mas infelizmente nós perdemos o de longo alcance - 75% do turismo que a gente teve nesse período é do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, de um raio pequeno. Isto não nos sustenta, faz o tíquete médio cair e tem ocupação baixa. O cenário de fato é complicado, é assustador, desafiador para todos nós nos mantermos vivos.
JC - Quais são as demandas da hotelaria?
Salles - A hotelaria não é o grande problema do momento. A gente estaria em condições de funcionar, só que a nossa atividade aqui na região é uma atividade turística de lazer. A pessoa que vem para cá procura um parque para visitar, um atrativo para visitar, uma boa gastronomia, só que nós estamos com parques e atrativos totalmente fechados. O governador lançou um decreto muito restritivo. Parques totalmente fechados e gastronomia aberta só até às 18h. Aí só se o turista quiser vir para ficar dentro do hotel e, mesmo assim, um hotel maior, que tenha área de lazer, que tenha academia, também não se pode frequentar estas áreas porque elas também estão fechadas.
JC - O custo para manter o negócio permaneceu o mesmo?
Salles - Nós temos folhas de pagamento todo final de mês para pagar. Água, luz, telefone, aluguel, IPTU e contrato com fornecedores. Claro, tem alguma coisa de redução por não estar funcionando, mas essas coisas todas a gente tem que continuar pagando. A conta não fecha. Sei de casos de alguns colegas que não têm condição de pagar salário e nem de demitir. Olha que situação, não conseguem encerrar o negócio.
JC - O que o setor entende que poderia ser diferente em relação às restrições?
Salles - Restringir um pouco é importante, mas não fechar. Por exemplo, na hotelaria, diminuir a ocupação permitida, como já está ocorrendo. Na gastronomia, ao invés de fechar, como acontece na bandeira preta, e restringir horários, a gente entende que dá para funcionar estabelecendo um critério. Entendemos que a restrição de horário é um tiro no pé. Nos restaurantes, se restringe o horário obriga todo mundo a ir dentro daquele intervalo de tempo. Ao ponto que, se deixar livre o horário e reduzir a capacidade de funcionamento é diferente. Restringe a 25% ou 30% a capacidade no momento crítico, tanto de ocupação quanto do número de colaboradores, e amplia o horário possibilitando às pessoas usarem fora dos horários críticos. Então é isto que o governo não enxerga. O que está faltando é um diálogo mais fino, mais próximo, mais aberto com a turma do governo do Estado.
JC - Qual a posição do Sindtur em relação ao auxílio emergencial proposto pelo governo do Estado?
Salles - Na verdade, a ideia de dar R$ 2 mil para cada empresa em duas parcelas de R$ 1 mil não paga nem a conta de luz direito, nem a conta de água. Isso não resolve o problema de uma empresa que tem custo fixo alto com folha de pagamento e tudo aquilo que eu falei. Se quer ajudar, de fato, tem que trazer recursos muito maiores do que esse, mas eu acredito que, infelizmente, dificilmente o Estado vai ter recurso suficiente para manter empresas fechadas por mais tempo. Ele teria que aportar o equivalente a, pelo menos, 60% do faturamento de uma empresa para ela dar conta de pagar os seus custos. Mas qual governo tem condição de fazer isso? Ainda mais aqui no Brasil, um governo do Estado que está quebrado, que durante muito tempo não conseguia pagar nem salários.
JC - Há um cálculo das perdas financeiras do setor até o momento?
Salles - É muito difícil de fazer este controle financeiro detalhado. Nós estamos desenvolvendo um sistema chamado Flutua, em que teremos estatísticas extraídas direto da hotelaria. Vai ser um sistema muito bom, acredito que até o final do ano esteja operando e vai nos dar números para podermos divulgar. Neste momento, o que se pode pensar é que a economia da região depende entre 80% e 90% do turismo, se a gente para o turismo imagina a tragédia que é.
JC - O setor já teve um primeiro diálogo com o novo secretário do Turismo do Rio Grande do Sul, Ronaldo Santini?
Salles - Nós fazemos parte de um comitê, um grupo ao qual trabalhamos juntos, e conseguimos uma agenda com o Ronaldo Santini para abrir um diálogo.
JC - E como foi esta reunião?
Salles - A gente colocou para ele estas demandas, esta necessidade de melhorar o modelo de distanciamento controlado e ele foi muito simpático, nos ouviu. Me parece uma pessoa muito competente, elogiado no meio político e empresarial. Se comprometeu a lutar pelas demandas do setor de turismo, mas, claro, sem criar uma expectativa imediata porque ele está tomando posse agora, vai verificar a situação lá e levar nossas demandas. Ele abriu as portas para que estejamos dialogando frequentemente e falou que vai buscar melhores condições para que o turismo possa voltar a operar.
JC - O setor já prevê uma retomada?
Salles - Isso tudo é muito relativo. Fazer previsão é muito difícil e sempre a gente é pego de surpresa com algumas mudanças. Eu acredito que, a partir da semana que vem, se o governo do Estado tiver bom senso, ele já deve estar liberando. O nível de contaminação caiu drasticamente aqui na região de Gramado e Canela. Acredito que nos próximos dez dias os hospitais estarão sendo mais aliviados e a gente acredita que tem espaço para o governador ceder mais um pouco. Se a vacinação aumentar, acredito que no meio do ano, nos meses de junho, julho e agosto, nós consigamos ter um fluxo, ainda regional, de retomada. Não no nível em que estamos acostumados a trabalhar neste período. Uma recuperação mais consistente, com um turismo mais movimentado, provavelmente no fim do ano, quando teremos os eventos de Natal que nos ajudam a recuperar um pouco do fôlego.
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