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Mercado Financeiro

- Publicada em 18h24min, 22/03/2021.

Curva de juros ganha inclinação com Turquia e descontrole da pandemia no Brasil

Os juros fecharam a segunda-feira (22) em alta, mas desaceleraram o ritmo no período da tarde, especialmente os vencimentos longos que pela manhã chegaram a avançar mais de 20 pontos-base para terminar com alta de 15 pontos. O resultado da arrecadação de fevereiro, o melhor do mês na série histórica e acima da mediana das estimativas, trouxe algum alívio, minimizando o efeito negativo da intervenção do governo da Turquia no Banco Central do país - que penalizou de forma generalizada os ativos emergentes - e das preocupações com o descontrole da pandemia. De todo modo, a curva deu sequência ao ganho de inclinação visto na sessão anterior, uma vez que os curtos terminaram com viés de baixa.
Os juros fecharam a segunda-feira (22) em alta, mas desaceleraram o ritmo no período da tarde, especialmente os vencimentos longos que pela manhã chegaram a avançar mais de 20 pontos-base para terminar com alta de 15 pontos. O resultado da arrecadação de fevereiro, o melhor do mês na série histórica e acima da mediana das estimativas, trouxe algum alívio, minimizando o efeito negativo da intervenção do governo da Turquia no Banco Central do país - que penalizou de forma generalizada os ativos emergentes - e das preocupações com o descontrole da pandemia. De todo modo, a curva deu sequência ao ganho de inclinação visto na sessão anterior, uma vez que os curtos terminaram com viés de baixa.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 fechou em 4,605%, de 4,625% no ajuste de sexta-feira, e a do DI para janeiro de 2025 terminou a sessão regular em 7,73%, de 7,595%. O DI para janeiro de 2027 fechou com taxa de 8,22%, de 8,084%.
Mesmo com o segmento de Treasuries nesta segunda-feira não atrapalhando, a curva incorporou prêmios tanto em função do exterior quanto pelos riscos domésticos. Na sexta-feira, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, destituiu o presidente do Banco Central do país depois da instituição elevar os juros em 2 pontos porcentuais, para 19%, acima das expectativas, gerando uma crise de confiança entre os agentes.
Por aqui, o mercado vê com muita preocupação a disparada dos casos e mortes por covid nas últimas semanas, em meio ao caos da falta de leitos, de oxigênio e equipamentos, o que acaba ofuscando qualquer tentativa de melhora em função do noticiário das vacinas.
A decisão do Ministério da Saúde de orientar os Estados a não reservarem lotes para a segunda dose foi bem recebida, na medida que sugere maior número de pessoas mais rapidamente imunizadas. "Com isso, tem dose nos municípios para ser utilizada e o ritmo dessa semana poderia surpreender. Mas o mercado ainda não coloca isso na conta", diz um gestor. "Difícil ver o lado positivo com os números atuais da pandemia. Na margem, tem alguma coisa boa, vide os dados de São Paulo que estão melhorando", completou.
No fim de semana, o pessimismo com Brasil ficou ainda mais evidente, com a informação de que um manifesto com mais de 500 assinaturas de empresários, economistas, banqueiros e acadêmicos, será enviado nesta semana ao presidente da República, Jair Bolsonaro, ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, e aos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). A demanda é por medidas efetivas de combate à pandemia.
À tarde, os dados da arrecadação surpreenderam positivamente e ajudaram a retirar pressão da curva. A Receita arrecadou R$ 127,7 bilhões em fevereiro, recorde da série histórica para o mês, ficando acima da mediana das estimativas dos analistas (R$ 124,7 bilhões) e perto do teto do intervalo (R$ 129 bilhões).
Porém, a desaceleração da alta não foi capaz de reverter o ganho de inclinação da curva, que já voltou aos níveis pré-Copom. O spread entre as taxas de janeiro de 2022 e janeiro de 2027 fechou nesta segunda-feira em 362 pontos, ante 346, 328 e 364 nas três últimas sessões.
Agência Estado
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